Arquivo do mês: novembro 2007

Iguapenses premiados!

A Terceira Idade de Iguape tem movimentado-se! No último fim de semana, nos dias 23 e 24 de novembro, aconteceu o II Concurso A Melhor Terceira Idade Faz Arte. Com a promoção da Yogecá – Cia Ilimitada de Eventos, apoio da Prefeitura da Ilha Comprida, colaboração das Prefeituras da região e patrocínio do Banco Santander.

A turma da melhor idade em Iguape é liderada pela coordenadora Ester Saraiva Moreira Silva, numa ação do Departamento de Assistência e Promoção Social da Prefeitura de Iguape, pelo Projeto Redescoberta de Iguape, o qual é viabilizado pelo auxílio do Governo do Estado. Ao todo, o grupo iguapense da melhor idade conta com 47 participantes.

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Lá participaram, na categoria dança de salão – entre outros animados “pés-de-valsa” –, Maria Therezinha Alves Nassuno, Wladimir Ferreira, Maria Antonia Messias e Iolina Gonçalves de Lima. Esses foram classificados entre as dez melhores duplas. Nessa modalidade, receberam o prêmio de primeiro lugar o casal de iguapenses João Jorge da Silva e Neuza Correia. Nas outras categorias, Pintura em tela, Escultura, Conto e Poesia, Iguape também teve seus representantes entre os dez primeiros.

Os troféus entregues por ocasião da premiação foram desenvolvidos exclusivamente pela artista plástica Cláudia Stoy, de São Paulo, e confeccionados pelo escultor iguapense Milton Duarte.

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Ainda no último fim de semana, na Igreja São Benedito realizou-se o VII Encontro de Corais. Aqui estiveram, em apresentação de gala, os corais do Sesi de Santos, Conviver de Mongaguá, Agnus Dei de Praia Grande, Melhor Idade de Eldorado e claro, o Coral do Projeto Redescoberta de Iguape. Após o “banquete cultural”, o Depto de Assit.e Prom. Social ofereceu aos participantes um coquetél.

IPTU sobre matagal?

Em algumas áreas de expansão urbana, tal como são os balneários Villa Romana e La Plata (próximo à Barra do Ribeira), a mata atlântica já se recompôs. Pela definição das leis, são vegetações que devem ser preservadas. Porém, o IPTU é cobrado regularmente dos proprietários e até mesmo a execução fiscal segue seu ritmo próprio se o tributo não for pago. Nesses locais, além dos lotes o arruamento também está tomado pelo matagal.

Na próxima terça feira acontecerá na Câmara a votação do projeto de lei que criará uma nova taxa, voltada à aferição de medidas nas áreas de Expansão Urbana. Em muitos balneários dessas regiões, tal como acontece com os citados, não há qualquer presença da administração municipal, além da cobrança dos impostos e taxas. Seria o momento dos vereadores observarem essa questão da ótica do contribuinte. Afinal, ainda que seja dentro da legalidade a cobrança do IPTU nessas áreas – a lei determina que os proprietários dessas áreas sejam onerada pelos tributos –, nada mais insensato do que imputar impostos (e criar novas taxas) se nem ao menos o arruamento é mantido pela prefeitura.

O município recebe uma compensação legal pela área protegida (o ICMS verde) e ainda de acordo com as leis, depois da regeneração da mata não se pode mais sequer mexer nelas. Isso já é uma realidade. Muitas ruas estão com a vegetação em estágio avançado de regeneração. A rigor, por este princípio legal não seria permitido (mesmo que houvesse a intenção de fazê-lo) retirar a vegetação no local onde já houve uma rua.

A lei prevê que a área é intocável. O decreto estadual n.º 750, de 1993, proíbe a supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica. Ou seja… apesar de se ter a propriedade (de onde provêem os impostos), não se tem o uso da área. Alguns proprietários, quando sequer conseguem localizar os lotes em meio à floresta, deixam de pagar o IPTU em razão da ausência do setor público na área, seguindo o imóvel para execução. Uma possibilidade existe, implicando em uso de mecanismos indenizatórios. O Estado poderia ficar com a propriedade dos lotes e oficializar a expropriação; por decorrência, indenizar aos proprietários dos lotes. Haveria expressivo aumento no repasse do ICMS ‘verde’; afinal, essas áreas consideradas ‘zonas de expansão urbana’ – ainda que esteja tomada pela mata -, não entram no cálculo das áreas preservadas para efeito do repasse do ICMS ‘verde’.

Concursos

A exemplo da legalidade, onde percebe-se que existem leis que ‘pegam’ e outras que não ‘pegam’, no Brasil só dá certo se ‘pega’. Tal situação pode até permitir a políticos cassados(?) por improbidade manterem-se liminarmente(?) no cargo, enquanto alguns eventos não ‘pegam’. No aspecto social, a repetida fórmula de concurso de miss, no qual se expõe jovens beldades aos critérios (?) ‘sabe-lá-quais-óbvios’ de julgamento, não há muita repercussão pelo Brasil afora. Sabe-se que uma, entre todas as que desfilarão, será eleita a nova miss Iguape.

Alguém se lembraria quem é a atual miss Iguape? Talvez haja uma diferença grande entre a nossa latinidade e a de países tal como a Venezuela. Lá, a força desses concursos é tamanha que possibilitou a uma delas candidatar-se à presidência do país. Afora isso, concursos de misses trazem outro aspecto intrigante, guardando proximidade com o comportamento dos políticos.

Vejamos… ambos ganham um título, acompanhado de uma faixa… O eleitor vota no candidato mais simpático, elegante, enfim, aquele que cativá-lo. A miss também recebe os votos, muitas vezes, em razão das poucas palavras, aspecto visual e simpatia com a qual mostra-se. Paramos aí; afinal, se de um ano a outro até esquecemos quem é a miss, alguns políticos que ocupam cargos eletivos atualmente – por sorte são apenas quatro anos –, não permitem que nos esqueçamos deles, em razão dos constantes aborrecimentos que nos causam com práticas políticas retrógradas. Daí, talvez, explica-se o costumeiro interesses de políticos ‘a moda antiga’, comportando-se como se ainda estivessemos no tempo do Coronelismo, com ferrenha opressão aos ‘do contra’ e corriqueiro paternalismo aos seus ‘adeptos’.

Para se ocupar muitos cargos públicos, com responsabidades um pouco mais sucintas e salários mais baixos do que o de prefeito e vereador, a lei obriga a aprovação em concurso disputado e onde existem complexas questões que envolvem desde matemática, português e até a legislação pertinente ao cargo. Algumas vezes, nos meus desvarios, penso acerca disso… Por quê não submeter os postulantes a cargo público de chefes de executivo e de membros das casas legislativas, a uma ‘primeira fase’ onde deveriam prestar uma prova semelhante? Como exemplo, passariam pela ‘peneira da prova’ cinco vezes o número de vagas que há para o cargo. Assim, os candidatos teriam, necessariamente, algum preparo para lidar com a complexidade das leis. Bom… o ‘feitiço pode virar contra o feiticeiro’. Essa idéia não é nova e sequer inédita; algumas pessoas sustentam que assim haveriam mais fraudes. Afinal, sem possuir grandes conhecimentos já abusam. Imagine você (eu me poupo disso) se eles tivessem mais habilidades com os trâmites legais!

Festejos de aniversário!

Abaixo, a programação oficial enviada gentilmente pela assessoria de imprensa da Prefeitura de Iguape.
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Segundona na Câmara

Prometi para alguns amigos que iria à “Seção” legislativa de hoje, tal como na semana passada. Pareceu-me como a um desafio; falaram-me que poderia haver ‘retaliações’ ou até ofensas, tal como ocorreu com o nosso amigo, o jornalista e historiador Roberto Fortes, em fato prosaico num passado muito próximo. Afinal, bastou que ele escrevesse algo a respeito da câmara que partiram em agressões verbais direcionadas a ele, pela tribuna livre da câmara, enquanto o indefeso amigo não teve a oportunidade de responder nada. Pela ótica do bom senso, uma pessoa que seja citada pelos nobres edis deveria ser convidado a dizer algo em resposta. Onde estaria a ‘nobreza’ de representante eleito? De toda forma, vamos ao desenrolar da ‘seção’ de hoje.

O nosso artigo “’Seção’ Legislativa Municipal” (segundona passada) foi hoje citado pela ‘líder do prefeito’ e, pensei, a princípio, que poderia dela ouvir algo desrespeitoso ou ofensivo. O primeiro aspecto relevante foi a menção de que o ‘jornal’ publicou, tal como se o único semanário em circulação na cidade fosse o referido. Para esclarecimento, o periódico em questão é o Jornal Regional, edição de 23 a 30/11/07, que publicou parte do nosso artigo mencionado. Usando de um precedente, o artigo 385 (?), ela disse que tal abordagem do artigo, ao dizer que os vereadores votam sem saber (como demonstrado), é “coisa de gente mal humorada”. Particularmente, creio não ser possível manter o bom humor ao ver atuações sofríveis numa câmara municipal. Assim, se o artigo transpirou ‘mal humor’ é pelo desânimo que ataca às pessoas que vêem o pouco ou nenhum respeito ao dinheiro público. No entanto, vale frisar que ela aproveitou-se da ocasião explicando aos vereadores (com alguns incertos números) que é possível alguma redução de despesas, ainda que não tenha surgido qualquer planilha de custos relativa ao financiamento e custeio dos bens que serão adquiridos.

Dentre as indicações dos vereadores, uma foi inserida verbalmente, em caráter de urgência pelo vereador Alóis. Pede ele ao executivo que designe aos setores competentes a limpeza das margens do Valo Grande (Beira do Valo); De mesma linha seguiu-se a indicação do vereador Valter Xavier, que pediu que rocem e nivelem as ruas do Areia Branca (Rocio).

O vereador Tony Ribeiro indicou a pavimentação de uma rua no Jd.América e na Rua Manoel da Silva Santos, no Porto da Ribeira. Nessa última, a indicação inclue a iluminação da rua. Curiosamente, numa rua situada no bairro que serve de ‘recepção’ para a cidade, durante a noite não há sequer claridade nas ruas para os moradores. Quando o óbvio se faz necessário lembrar, penso com meus botões, por onde anda a administração municipal, que não percebe o visível matagal instalando-se às margens do Valo Grande, matagais pelas outras vias, imensos buracos nas ruas e ausência de iluminação pública em inúmeras outras. Ao que nos parece, a inexpressividade da administração é tamanha que se faz necessário à Câmara lembrar ao executivo, por indicações, tarefas no mínimo óbvias e que deveriam fazer parte do cotidiano da prefeitura.

Um Decreto Legislativo saltou aos olhos, pela ambiguidade prevista em seu desenrolar. A presidência da Câmara propôs “A Câmara Itinerante”, projeto pelo qual as ‘seções’ irão acontecer em bairros, visando a aproximar a ‘casa’ aos eleitores. Curiosamente, tal ‘agenda’ será definida a critério da Presidência. É válido lembrar dois pontos importantes, aos quais se faz necessário uma reflexão mais amiúde:

a) O próximo ano é de eleições municipais; tais ‘seções’, ao seguirem a tendência hoje havida, será como uma extensão da administração municipal e acabará servindo, é óbvio, como vitrine eleitoral ao prefeito que estiver em exercício. O momento, então, não seria inadequado na questão ética e de transparência, qualidades necessárias para um período eleitoral com ‘jogos limpos’?

b) Mesmo que as despesas sigam pelo orçamento, a Câmara tem edificação, equipamentos, pessoal e tudo o que se faz necessário para a ocorrência das sessões ordinárias. ‘Levá-las’ para outro local significa implicar custos a terceiros ou criar novas despesas à câmara?

E você? Qual a tua opinião a respeito? A próxima ‘seção’ ocorrerá no dia quatro de dezembro próximo.

Além desse Decreto Legislativo (de autoria da presidência da Câmara), lá chegou hoje o projeto de Lei Complementar de nº. 11, de 2007, o qual estabelece cobrança de taxa de expediente relativa ao serviço de revisão de medidas, às Zonas de Expansão Urbanas 1,2 e 3, a qual irá cobrir despesas de locomoção e até de refeições ao funcionários quando se deslocarem para o serviço. Propriamente ‘boiei’ ao ouvir falar de tais ‘zonas’, seguidas de números… O que seriam? Apesar de que é obrigação do cidadão ter conhecimento das leis, são variadas em gênero, numero e grau… Ou seja: são tantas, que é dificilimo ter noção de todas. Esse tipo de abordagem, na qual o assunto é levado de forma “codificada” à câmara, dificulta sobremaneira o entendimento do cidadão.

Ainda assim, algo ficou claro: a Prefeitura deseja cobrar mais uma taxa, ao executar o serviço ‘em expediente’, e ela é destinadas aos moradores mais afastados do centro urbano, tal como indicam os termos “Zonas de Expansão Urbana 1,2 e 3”. Tal projeto irá em votação, provavelmente, na próxima ‘seção’. Se tal projeto for aprovado, implica em aumento de despesas ao contribuinte dessas áreas mais distantes (tais como Barra do Ribeira, Icapara e Jairê). Fica aqui um convite para dizermos ‘não’ à criação de tal taxa, indo à ‘seção legislativa municipal’ próxima (terça, 04/12/07), para lembrar que tal ocasião pode ser uma Sessão Legislativa (uma ocasião para o seu vereador legislar). Afinal, cabe a Prefeitura aferir as medidas que servem de base de cálculo à cobrança correta do IPTU; não havendo, em tese, o que justifique onerar o contribuinte Iguapense que mora em regiões mais distantes.

O Museu de Arte Sacra

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O historiador Roberto Fortes assim descrevia, em 28/02/2005, a situação do local: “Inaugurado em 1979, o Museu de Arte Sacra de Iguape, instalado na Igreja do Rosário, funcionou regularmente por cerca de 20 anos, quando a Paróquia de Nossa Senhora das Neves decidiu fechá-lo. Em 2002, a Administração Municipal anterior assinou contrato com a Paróquia, recebendo em comodato não apenas o Museu Sacro como ainda o Sobrado dos Toledos. Reinaugurado em 2003, o Museu funcionou durante alguns meses, sendo, em seguida, fechado por motivos até hoje não esclarecidos. Como conseqüência do abandono e do descaso, o telhado do Museu foi seriamente avariado, acarretando infiltrações que vem comprometendo a estrutura do imóvel, além do estrago irreparável em seu valioso acervo. Ademais, há a denúncia do sumiço de peças sacras. Como todos sabem, não é de hoje que furtam peças do Museu. Na Delegacia de Polícia existem diversos boletins de ocorrência. Furtaram até uma mesa Luiz XV, que certamente foi levada de caminhão ou caminhonete. Até agora nada foi esclarecido. O Ministério Público abriu, em janeiro(2005), inquérito civil público para apurar não apenas o abandono do Museu, mas também o sumiço de seu valioso acervo. Como se trata de patrimônio público, todas as partes envolvidas, Prefeitura Municipal e Ministério Público, devem levar adiante o inquérito, com a apuração dos fatos e a esperada punição dos culpados.”(2)


Pouco sabe-se, de público, em relação a tal inquérito. Entretanto, em 2006, o prédio foi restaurado com vistas à utilização conveniada pelo Governo do Estado. Numa área lateral em parte do prédio, funciona o Infocentro (do Estado) e a Biblioteca Pública Municipal. Decisivos foram os esforços da Secretaria da Cultura do Estado (3), que nos enviou a museóloga Andréa Santos, do Museu de Arte Sacra de São Paulo, para Supervisão. Silvia Antibas, diretora da área de Museus da Secretaria da Cultura, assim pronunciou-se por ocasião da reinauguração “(..) a Secretaria da Cultura entrou com os trabalhos coordenados pela técnica do Museu de Arte Sacra de São Paulo, que dirigiu toda a museografia e treinou a comunidade para a conservação das peças”. Desse treinamento resultaram o emprego a bolsistas que hoje cuidam da preservação das peças. Reinaugurado em 12 de agosto de 2006, lá ocorre a exposição permanente de 60 peças de parte do acervo histórico da Igreja de Nossa Senhora, antiga Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. O acervo, que chega a 180 objetos, tem procedência de várias igrejas do município, mas a maioria pertenceu a primeira matriz de Iguape, construída em 1614. Duas salas de exposições reúnem raridades dos séculos 17 a 20. Uma dessas peças é um quadro, em alto relevo, que traz a cena da Via Sacra. A obra, de autor desconhecido, tem procedência européia. No acervo há também pratarias, entre elas peças que compõem o Império do Divino Espírito Santo, vinculadas à festa do Divino (1).

artesacraiguape_inaug.jpgO museu fica aberto de quarta a domingo, das 8 às 11 hs e das 13h30 às 17hs. Aos sábados e domingos, o fechamento é antecipado para as 16hs. O serviço de atendimento, aos finais de semana, é efetuado por estagiários da ETEC Eng Narciso de Medeiros (Colégio Agrícola) e bolsistas custeados pela Secretaria da Cultura do Estado. Apesar de fechar no meio da tarde aos sábados e domingos, quando a cidade tem mais chances de receber visitantes, o museu já contabiliza 30 mil visitas(?) segundo Carlos Alberto Pereira Jr, responsável do Depto de Cultura da Prefeitura.

  1. http://www.brazilsite.com.br/folclore/estados/saopaulo/festas/divino.htm

  2. http://robertofortes.fotoblog.uol.com.br/photo20050228214307.html

  3. http://www.cultura.sp.gov.br/portal/site/SEC/menuitem.764c9920d8b49e5934aae2a5c19714a0/?vgnextoid=3f65bbef059fc010VgnVCM2000000301a8c0RCRD&vgnextchannel=338afbe356338010VgnVCM1000001c79410aRCRD

     


Auto explicativo

Cesta Básica by Bennett

Para ver mais do Benett: http://www.charge-o-matic.blogger.com.br/

Qualquer semelhança com a realidade NÃO é pura coincidência…

Para ver o Lagamar!

Pirá

Roberto Fortes, historiador, jornalista e escritor, assim descreve esse prédio: “SOBRADO DA PIRÁ – Localiza-se na esquina do Largo Comendador Luiz Álvares da Silva com a Rua Prudente de Moraes (também Av. Jânio Quadros). Foi construído, certamente na primeira metade do século XIX, pelo legendário comendador Luiz Álvares da Silva. Nele residia com a sua numerosa família, composta por nada menos que sete filhas e um filho. O comendador Álvares costumava ficar no andar superior admirando o Mar Pequeno e o Porto Grande logo a frente. Anotava em seu diário pessoal todos os vapores que demandavam o antigo porto da cidade, além de outros fatos cotidianos da cidade. Seus herdeiros venderam o sobrado a Antônio Martins de Castro. Este, por sua vez, o vendeu, em 23 de novembro de 1912, ao coronel Jeremias Júnior, que nele instalou o seu Engenho Central União. Posteriormente, foi arrendado pelo capitão João Hyppólito Gatto, que ali instalou o seu Engenho Brasil. Com a morte de Jeremias Júnior, a sua parte do prédio passou a esposa, Francisca Martins Muniz, em 30 de janeiro de 1935. Seu filho Pérsio Martins Muniz, por sua vez, adquiriu do espólio o sobrado em 16 de agosto de 1943. Pérsio Muniz vendeu o prédio, em 1943, a Manoel de Souza Varella. O terreno original media 87 de frente por 42,80 metros.”

“Nesse prédio, em fins da década de 1930, foi instalada a Indústria de Pesca Pirá, um dos marcos da industrialização do pescado na cidade. Consta que em 1938 passou por ampla reforma. Seu telhado ruiu há cerca de 10 anos.” (Do livro “Iguape – Nossa História” (2000), de Roberto Fortes)

O nome Pirá significa “peixe”, conforme explicado pelo historiador. Ao espreitar a passagem de inúmeros veículos que transitam pela orla, com destino a Ilha Comprida, Icapara, Barra do Ribeira e Juréia, há um certo contraponto entre esta época e a dos vapores. Em frente àquele local, muitas histórias intrincadas, negócios portuários, gente indo e vindo; hoje, gente indo e vindo, negócios para lá e para cá…

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Já não há mais um porto pelas proximidades imediatas, há um imenso manguezal onde observa-se hóspedes ilustres, tal como gaivotas, guarás, garças e outras espécies que ali buscam alimentos; dentre eles o peixe (Pirá). O guará, em especial, é tido como mensurador da saúde dos manguezais. Já foram considerados extintos do Litoral Paulista, por um período de dez anos;  retornaram aos manguezais do Lagamar de Iguape. Boa novas para o meio ambiente e uma festa para os nossos olhos. Há áreas de ninhais nos manguezais da Ilha Comprida e de Iguape.

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Uma pessoa que estivesse no pavimento superior daquela edificação teria uma bela visão do lagamar. Se outrora o comendador de lá observava a riqueza transitar pelo Porto, o Lagamar logo à frente das ruínas da Pirá é um dos atuais tesouros da nossa cidade e também pode ser observado de lá.

Por aquele ponto passam inúmeras pessoas por dia, em automóveis, ônibus, caminhões, carros, bicicletas e pedestres. Curiosamente, apesar de estar num ponto estratégico, ainda não viabilizaram a exploração do potencial econômico do lugar. Na área urbana contígua próxima, à direita, existe a orla com a concha acústica, a acrescentar ao cenário uma estrutura básica voltada ao lazer.

Nessas vias de passagem de alto tráfego, é natural que hajam hipermercados e serviços estruturados para o lazer. Naquele local seria possível construir ‘por dentro da fachada’ – preservando-a –, uma estrutura em até três pavimentos, que poderia perfeitamente atender a um hipermercado ou shopping. A própria fachada, uma vez resgatada a beleza própria por eficiente restauração, serviria como um atrativo ao local. O terrenos laterais viriam bem a calhar para áreas de estacionamento. Tal emprendimento atenderia, em razão da facilidade de acesso, também aos turistas e moradores de Ilha Comprida. Nos meus pensamentos, até mesmo um nome surgiu… “Shopping Lagamar”.

Embora o conceito “Shopping”, para um local de tamanha beleza natural como o nosso, pareça-nos inusitado, o visitante que chega até nós carece de infraestrutura em produtos e serviços. Ter um local próprio para isso é aproveitar essa demanda; ou seja… ótimos negócios podem ser gerados na antiga Pirá, ainda que hoje somente hajam ruínas.

A idéia está exposta; a descrevi aqui, em público, citando também a importância do local em tempos antigos, com o único desejo de oferecer a idéia “a quem possa interessar”. É óbvio que é preciso fazer as contas na ponta do lápis, ou melhor, nas planilhas de custos e de previsão de retorno. Os cálculos necessários para a decisão final de investimento (o estudo de viabilização econômica), não é assunto para o Diário de Iguape. O objetivo, no caso, é lembrar que uma nova destinação ao local pode resgatar o aspecto do casario e preservar a nossa história, possibilitando ainda novas perspectivas de negócios.

fotos
sobrado: http://robertofortes.fotoblog.uol.com.br/photo20050426234730.html
guarás: http://www.ilhacomprida.sp.gov.br/home/pag_meio_amb_009.htm

Ecoturismo, bem vindo seja!

O principal aspecto relativo ao ecoturismo é a sustentabilidade; ao focar a preservação do patrimônio natural e cultural, diferencia-se do turismo convencional, a exemplo dos ônibus de excursionistas que por vezes emporcalham as praias. Na maioria das vezes, após a estadia desses o que resulta ao município – e às pessoas, portanto –, é uma enorme quantidade de lixo.

O ecoturismo também contempla as práticas de esportes tais como canoagem, rafiting e trilhas, entre outros. Necessário se faz o acompanhamento dessas atividades por monitores ambientais, qualificados em sua grande maioria a partir da população local. Também há a busca por estudos científicos dos ecossistemas pelos pesquisadores de variadas instituições.

Nossa Iguape, a exemplo de tantos outros lugares, possue ítens tais como geografia (a enorme porção de mata atlântica preservada, p.e.), a historicidade do casario e a própria cultura de seus habitantes tradicionais (artesanatos, p.e.). Esses fatores são atrativos decisivos para se tornar um pólo ecoturístico.

Para além dessas características e implantar o ecoturismo, é necessária a existência de serviços de infra-estrutura (hotéis, pousadas, estradas, telefonia, etc.) em padrão relativo ao público que será recepcionado. Ou seja… Se a cidade não ofertar condições adequadas ao turista não predatório do ecoturismo, ele não virá. Os próprios órgãos emissores (tais como agências de turismo) não terão muito o que fazer se não houver a nossa iniciativa em ser receptivo.

Criado pelo Governo Federal, o PNMT (Plano Nacional de Municipalização do Turismo) da Embratur injeta recursos da Organização Mundial do Turismo, por intermédio do Banco do Brasil, financiando empreendimentos ecoturísticos privados. Já o PNDPE (Programa Nacional de Desenvolvimento de Pólos Ecoturísticos) prevê execução de atividades turísticas em unidades de conservação do meio ambiente, sendo implantado e administrado desde 1996 pelo Ibama. Em nosso caso, em que uma Area de Proteção Ambiental nos cerca, é preciso haver proximidade com as entidades zelosas do meio ambiente para desenvolvermos ações corretas. O que observa-se hoje é um certo ‘estranhamento’ em relação aos agentes públicos que nos auxiliam na preservação do meio ambiente.

Em nossa região, o “Polo Ecoturistico do Lagamar”(3) ainda é um mero projeto que não trouxe até agora grandes conseqüencias sociais. Porém, ainda que seja até o momento um “esboço de especialistas” distante das pessoas comuns, precisamos buscar pelas informações nele contidas(3). Uma pequena pousada, às margens do canal do Mar Pequeno, pode transformar-se em um belo local de trabalho para muitas pessoas ao receber público direcionado. Há que se ter coordenação e ações pontuais, onde a sociedade (eu, você, o teu vizinho,etc) interem-se do assunto e resolvam dúvidas das mais simples até as mais complexas. Afinal, trata-se de desenvolver uma área crítica em que o principal capital não é financeiro. Para a prática dos inúmeros serviços demandados pelos turistas, o essencial são as pessoas. Então, o ‘capital humano’ é o que precisa ser aperfeiçoado a partir de nós mesmos.

Para se inscrever no PNMT o município precisa, antes de mais nada, confeccionar o Relatório de Informações Turísticas, que será analisado e avaliado em relação ao potencial turístico do local. Para tal, no decorrer do ano passado a prefeitura encomendou serviços de consultoria. Tais estudos foram desenvolvidos, anteriormente, pela Fundação SOS Mata Atlântica e estão condensados no projeto “Polo Ecoturistico Lagamar”. O município deveria elaborar três instrumentos de ação: o Conselho Municipal de Turismo, o Plano Municipal de Turismo (?) e o Fundo Municipal de Turismo(?). Uma vez inscrita e habilitada adequadamente pelo PNMT, algumas vantagens surgiriam: FINEP, SEBRAE e Banco do Brasil financiariam projetos através de empréstimos. Até onde recolhi de informações, o COMTUR municipal é incipiente – ao não desenvolver atividades e torná-las públicas –, o Plano Municipal de Turismo é algo que foi encomendado à uma dessas ‘consultorias ilustres desconhecidas’, o qual os munícipes desconhecem totalmente e, por último, o Fundo Municipal de Turismo não existe.

Para implementar um Plano Municipal de Ecoturismo, o executivo municipal deve determinar qual área da administração será responsável pelo mesmo, tendo o cuidado de respaldá-la tecnicamente no que diz respeito ao meio ambiente. Este órgão ou secretaria deve ter claro quais áreas poderão ser visitadas, qual o perfil do turista que se quer atingir, o objetivo das viagens que serão oferecidas, a infra-estrutura do entorno e a capacitação do pessoal. Outro fator a ser levado em consideração é o planejamento da divulgação, que deve ser responsável, apropriada às condições que o local comporta, para não gerar impactos ambientais ou efeitos negativos no próprio turismo do município (que por não conseguir atender a contento todos que o procuram, pode ficar desacreditado).” (1)

Em nosso caso, no qual o executivo atual contenta-se em ter apenas uma “divisão” relacionada ao Turismo, lotada com duas pessoas, dá para sentir as conseqüencias práticas. Por outro lado, observando as constantes viagens de veículos públicos, creio que estamos nos tornando um importante polo emissor de turistas bancados com dinheiro dos impostos que nos foram tungados.

Com relação à infra-estrutura, é recomendável sinalizar claramente as estradas e colocar placas bilingües (português e inglês) orientando os turistas; oferecer serviços médicos e de segurança; sistematizar e disponibilizar as informações turísticas. Os espaços de recepção do turista devem possuir pessoal capacitado. O Sebrae vem aumentando seu apoio a esse segmento de negócios, oferecendo cursos.” Aqui em Iguape, ACIC os têm viabizado, num esforço silencioso pela melhoria dos serviços. Outros institutos e ONGs também disponibilizam técnicos para palestras e treinamento.

Antes de implementar o ecoturismo é necessário saber se a população local está disposta a se envolver, direta ou indiretamente, com esta atividade – indiretamente porque deve haver uma abertura inicial da população para receber pessoas estranhas e com hábitos diferentes. O diálogo permanente com a população, o esclarecimento e a informação constante, o incentivo ao seu envolvimento com estas atividades e participação no Conselho Municipal de Turismo são exemplos de ações que podem ajudar os moradores a descobrirem as oportunidades que se abrem com a implantação do turismo.”

Em regiões marítimas ou fluviais, pode-se adaptar (sem descaracterizar) as embarcações dos pescadores para atividades turísticas, em épocas de escassez de peixe ou de proibição da pesca (desova). Os pescadores interessados passariam por um breve período de capacitação para exercer esta atividade. É o que vem acontecendo, por exemplo, no Parque Estadual da Ilha Anchieta, em Ilha Comprida-SP. (1)

O projeto “Pólo Ecoturístico do Lagamar” responde à necessidade de apresentar importância do ecoturismo como opção para o desenvolvimento sustentável das populações carentes. Contribui sobretudo com a regulamentação do ecoturismo (critérios para a priorização de áreas), com a difusão de informações para promover essa atividade e com a formação e capacitação de recursos humanos e estímulo à participação comunitária. (1)

Os estudiosos, por outro lado, já começam a nos desacreditar… A região traz na sua história hábitos paternalistas. A população demonstra uma postura passiva, à espera de soluções vindas de terceiros – governo, ONGs, universidades etc.. O poder público local às vezes alimenta, equivocadamente, este vínculo de dependência. No caso do Lagamar nem os governos municipais, nem a iniciativa privada demonstram ter despertado para o imenso potencial que a região oferece, tampouco para o risco que a falta de planejamento e organização do setor, neste momento de crescimento acelerado*, representa.”

Os benefícios econômicos, sociais e ambientais do ecoturismo, identificados pelo IBAMA, são os seguintes: diversificação da economia regional (micros e pequenos negócios); geração local de empregos; fixação da população no interior; melhorias na infra-estrutura de transporte, comunicação e saneamento; criação de alternativas de arrecadação para as Unidades de Conservação; diminuição de impacto sobre o patrimônio natural e cultural; diminuição de impacto no plano estético-paisagístico; e melhoria nos equipamentos das áreas protegidas.(4)

Ainda hoje, corre entre nós um certo descaso com relação aos turistas que recebemos. Não raro, ao entrarem em algum estabelecimento comercial são tratados com especial distinção, de forma nitidamente negativa. Muitas vezes, o visitante fica no balcão à espera, sem qualquer atenção, enquanto o atendente ainda faz alguma lorota (relativa ao turista) com algum freguês considerado ‘da casa’. Ou seja: ao invés de sermos receptivos, ainda estamos agindo de forma repulsiva aos convivas, como se a presença deles em nossa cidade não tivesse qualquer importância. Até pedágio cobramos dos turistas que trafegam entre Iguape e Ilha Comprida… Nesse sentido, a existência desse pedágio é como ter uma roleta cobrando para se ir de um ambiente a outro, dentro de uma mesma casa. Como sabemos, Iguape e Ilha Comprida são dois municípios contígüos e complementares em seus atrativos; o turista também percebe isso, tenha certeza.

* A estimativa é de que o crescimento do ecoturismo se situe em 20% ao ano. O faturamento anual do turismo ecológico (mundial) é estimado em US$ 260 bilhões, do qual o Brasil se apropriaria com cerca de US$ 70 milhões (apenas).(4) Considerando a pequena fatia que o Brasil tem, quando observa-se o total que gira em razão do ecoturimo no mundo, é correto imaginar que poderemos avançar rapidamente em taxas muito maiores do que 20% ao ano. Afinal, 70% do restante da mata atlântica nos cerca, além do lagamar do Mar Pequeno.

Fontes

  1. http://www.polis.org.br/publicacoes/dicas/dicas_interna.asp?codigo=164

  2. http://www.sindegtur.org.br/2006/arquivos/a1.pdf

  3. http://www.sosribeira.org.br/projetos/lagamar2/intro.htm

  4. http://www.bndes.gov.br/conhecimento/setorial/get4is10.pdf

Pescando

Outro dia estive pescando na ponte do valo grande onde, em princípio, deveria haver uma comporta. Digo “em princípio” porquê era parte do projeto original; se tal houvesse, as águas do Ribeira iriam compor a paisagem com um imenso alagamento na planície que há junto ao antigo leito. Após o anúncio do Governador Serra, sobre a liberação de verbas para sua conclusão (há 15 anos espera-se tal atitude), em tese é de se aguardar a correção e dragagem do leito do Rio Ribeira, bem como a correção da sua foz.

O histórico do assunto, segundo o site do DAEE :( 1) “Em 1978, atendendo a constantes reivindicações da população local, o DAEE executou a obra de fechamento do Valo Grande. Entretanto, já a partir de 1979, foram observadas inundações nas áreas baixas do Ribeira, com prejuízos aos agricultores. Em 1980, novas inundações foram observadas, assim como em janeiro de 1981, quando ocorreu o primeiro galgamento da barragem, fato que se repetiu em mais três oportunidades durante a ocorrência das cheias de 1983.

“Em vista disso, o DAEE, a partir de 1980, iniciou uma série de estudos para avaliar, com maior precisão, os efeitos do fechamento do Valo Grande e as alternativas para atenuá-los. A análise técnica e econômica dessas alternativas levou o DAEE a propor o rebaixamento do maciço e a construção de vertedouros com comportas sobre a barragem, como solução definitiva para o problema.

“Em abril de 1990, foram iniciadas as obras civis para implantação de vertedouros com comportas. As obras de concreto estão concluídas, restando ainda a instalação dos equipamentos eletrome-cânicos (comportas) e a execução de serviços e estudos complementares (incluindo o monitoramento do complexo lagunar Iguape-Cananéia), cujo custo total estimado é de R$ 12 milhões.”

Passado algum tempo, vem o governador e anuncia a liberação para o DAEE de 20 milhões de reais para obra. Porém, restaurar o curso do Ribeira e sua foz, ao seu trajeto original, normalizando o fluxo das águas aparece como ‘não recomendado’ em razão dos altos custos, conforme os relatórios oficiais (1), o qual transcrevo (em parte) abaixo:

“Retificação e desassoreamento do Ribeira Velho:

“O Ribeira Velho (trecho do rio da Ribeira entre Iguape e a foz) tem a extensão aproximada de 27 km. A obra de retificação e desassoreamento do canal seria executada ao longo de 26,5 km de extensão, por dragas de sucção e recalque e por escavadeiras a cabo. A seção a ser dragada teria aproximadamente 300m de largura no fundo, altura média de 10m e taludes das margens com inclinação de 1:3. O volume de dragagem estimado seria da ordem de 80 milhões de m3.

“A magnitude da obra fica evidente quando se analisa o seu cronograma estimativo, que prevê a implantação de todo o serviço no prazo de 7 anos. Além disso, seria necessário considerar que, por se tratar de um canal flúviomarítimo, seriam necessárias constantes dragagens de manutenção, a menos que se realizassem obras fixas ainda mais onerosas.

“Em princípio, a grande envergadura e elevado custo da obra (estimado em US$ 530 milhões, sendo cerca de 80% correspondente aos serviços de desassoreamento) e de sua manutenção, desaconselham sua adoção.”

Em outras palavras, haverá comportas sem que seja melhor pensado as conseqüencias práticas que envolvem os alagamentos na zona rural. A enorme “planície alagável” formada junto ao leito do Ribeira traz uma preocupação primordial a muitas pessoas. Os estudos do DAEE contemplam ainda a remoção das famílias para núcleos habitacionais do CDHU(1) nas áreas de risco das cheias. Porém, ao permitirem cheias (mesmo que controladas) elimirão o sustento das famílias; não bastará alocarem-nas em residencias urbanas e deixá-las em condições mais difíceis de proverem o próprio sustento.

Após ler o estudo do DAEE, uma pergunta me surgiu: Como uma das contrapartidas pelo uso do potencial hidrelétrico (que o Grupo Votorantim busca ao instalar a usina do Tijuco Alto), porquê não incluir às despesas de tal grupo empresarial a retificação do curso do Ribeira, sua dragagem e a correção da foz e, inclusive, a do Icapara? Pelos estudos do DAEE, seriam necessários quase 700 milhões. Como outro resultado, teríamos na região interligada pelo Ribeira uma hidrovia com potencial para cargas. Havendo esse percurso navegável, um imaginado porto em nosso região seria uma hipótese plausível. Afinal, dentre as modalidades de transporte, a segunda mais barata é a hidroviária e uma imensa ‘estrada’ interligaria o vale do ribeira. O bom disso é que não apareceriam tantos buracos e não haveriam pedágios. O custo de manutenção de hidrovias – em cursos regulares de rios -, é de 5% do que se tem numa rodovia, considerando-se a mesma extensão.

Para o ‘pós-fechamento’ outras incógnitas existem, principalmente em relação a pesca e, espera-se, novos estudos do Instituto de Pesca (2), redefinindo as áreas de pesca da manjuba e outros pescados, devem surgir. Ao mesmo tempo, com a regularização das águas do Mar Pequeno, as possibilidades de negócios que envolvem nosso litoral será multiplicada.

Enquanto eu lá pescava, na inacabada obra do Estado, perguntei-me; ao voltar em casa, acabei pescando essas informações ora reproduzidas. Porquê peixe, lá no valo grande, apenas dois robalinhos minúsculos…

Quero aqui deixar também uma excelente indicação de leitura, relativa à barragem do valo grande e suas implicações. Leia em http://www.pesca.sp.gov.br/noticia.php?id_not=1629,

  1. http://www.daee.sp.gov.br/cgi-bin/Carrega.exe?arq=/acervoepesquisa/relatorios/revista/raee9904/ribeira_do_iguape.htm

  2. http://www.pesca.sp.gov.br/leg_1.php

Números, inquietos números!

“Os que são favoráveis a aprovação, permaneçam como estão. Os que são contra, que se manifestem.” Essa frase, parte do ritual na Câmara de Iguape, lembra-nos de um dito popular “Quem cala, consente!”. De toda forma, por algumas vezes remete-me a impressão do puro comodismo. Sim, é muito mais tranqüilo aquietar-se, enquanto absurdos acontecem, do que ‘rasgar o verbo’ e dividir inquietos pensamentos com os demais.

Na “seção” legislativa de ontem, na ‘platéia’ da qual fiz parte haviam duas pessoas ligadas à imprensa escrita, seis outras pessoas e uma turma de alunos do ensino médio (uns 15), lá presente como atividade extensiva à sala de aula, acompanhada do professor.

Uma aparente calmaria esconde, entre outras coisas, o grau de representatividade lá existente. Um pensamento simples, conciso me veio… “Essas pessoas representam outras… porquê não se vê mais gente por aqui?”. Em resumo, a seguir veio a pergunta “Afinal, quantos votos tiveram essas pessoas para aqui chegar?” Hoje, com mais calma, fui buscar por números e abaixo descrevo: (1)

ODMIR ALVES PEREIRA (PTB) 558
VALTER XAVIER GOMES  (PT) 504
AGNALDO XAVIER (PSDB) 452
MARCOS RODRIGUES FRANCO (PL) 437
ELENI DAS GRAÇAS COSTA SZOZDA (PMDB) 426
JOAQUIM ANTONIO COUTINHO RIBEIRO (PSDB) 396
ALOIS FRANCISCO SANTOS (PFL) 391
TERESINHA DE JESUS TEIXEIRA RIBEIRO (PMDB) 362
EDSON ROBERTO ESTELLA (PL) 352

O partido entre parenteses é a legenda pela qual o cidadão foi eleito vereador; No total, 3878 votos àquelas pessoas foram concedidos por ocasião das eleições. Em outras palavras, do universo de quase 22 mil votos em nossa zona (eleitoral), eles obtiveram em seu conjunto perto de 17%. Uma alta representatividade, grosso modo. Uma vez que foram eleitos, seria sensato imaginar que eles atuariam para 100% dos eleitores e, ao mesmo tempo, que ao menos uma décima parte de seus eleitores acompanhassem os trabalhos da casa legislativa da cidade. Que dessa parte apenas outro décimo (portanto, apenas 1% dos eleitores que neles votaram) comparecessem à ocasião, teríamos ao menos 39 pessoas na ‘platéia’.

Então, diante desses números, saltam questões:

a) Estaria o legislativo municipal totalmente isolado da população, como se vivessem numa Ilha da Fantasia?

b) Os seus eleitores não os veriam mais como seus legítimos representantes?

c) Tamanho seria o descrédito da casa que não importaria mais ao cidadão comum acompanhar ou não aos trabalhos lá desenvolvidos?

Uma expressão em voga pelo município rotula, à quem tecer qualquer tipo de crítica, com o jargão ‘esse é do contra’. Talvez a origem dessa expressão esteja ligada ao ritual ‘democrático’ da câmara… “Os que são favoráveis a aprovação, permaneçam como estão. Os que são contra, que se manifestem.” Em todo caso, vale aqui lembrar uma máxima da vida em democracia, tão limpidamente descrita por Voltaire: “Discordo daquilo que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito de o dizeres.”

(1)fonte: http://www.portalpolitico.com.br/vereadores/sp/spi.htm

“Seção” Legislativa Municipal

Ao acordar bem humorado para uma segundona, decidi ir à sessão da Câmara Municipal de Iguape e trazer aos amigos, eventuais leitores, alguma novidade relevante.

Um dos assuntos abordados foi o requerimento do vereador Tony Ribeiro, o qual solicitou à Prefeitura explicações sobre a contração do advogado Norberto Bonamin Júnior, por portaria, em 06/09/07. Por tal inusitada contratação, ocorrida a despeito da Prefeitura dispor de assessoria jurídica, foi requerido explicações ao Executivo. Alegou o vereador Tony que tal advogado sequer compareceu à Prefeitura durante o período contratado e, assim, pediu também que sejam informados à Câmara os valores pagos, a freqüência e horário de trabalho, os pareceres e os processos em que o advogado atuou em setembro, outubro e novembro. Porém, misticamente, na sessão de hoje apareceu a menção de uma nova portaria, de 01/10/07, a qual exonerava o advogado daquela função. Pediu, então, a 1ª secretária, vereadora Zoca, que [Tony Ribeiro] retirasse tal requerimento, pois já haviam exonerado o advogado, e que “para o bem do município”(sic), não fazia sentido ficar perguntando ao prefeito porquê o havia contratado.

O ponto alto da sessão foi a aprovação, unânime, do projeto de lei nº 32, de 09/11/07, de autoria do Executivo (óbvio). Tal projeto autoriza o executivo a contratar dívida junto ao BNDES, através da CEF, com a garantia de recursos do FNDE. Em meio à justificativa, a Prefeitura sustenta que possui hoje 22 vans contratadas para o transporte escolar e que, havia, no passado, apenas 17. A primeira secretária, fazendo às vezes da “líder do prefeito” (sic), sustentou que tal financiamento “visa diminuir o gasto público”. Mistério… Quando se diz que algo irá diminuir, normalmente se tem noção do que se fala. Imaginei que havia algum levantamento, algo que sustentasse tal aprovação, considerando que havia “tramitado” pelas comissões internas antes de chegar ao plenário.

Ao término perguntei para dois vereadores se eles sabiam dizer se de fato a despesa pública iria diminuir e, se o fosse, o quanto seria tal redução. Não souberam informar e, a despeito de qualquer outra informação, veio-me a justificativa: “Enviam na última hora, no atropelo, não dá pra fazer conta… Então, a gente tem que aprovar senão “eles” (sic) saem dizendo, pra um monte de eleitores, que votamos contra o transporte da zona rural”. O outro foi mais prático: “Não, não dá pra saber”. Só faltou alguém me dizer: “e eu com isso?”… Ou seja, se de fato será benéfico às contas públicas ou não, isso não importa muito para eles, pelo que foi apresentado na mística sessão.

Essa linha de financiamentos do Governo Federal chamada “Caminho da Escola” foi regulamentada em agosto desse ano; para chegar a esse projeto de lei, algumas fases o Governo Federal delineou e o prazo final para contratação, onde necessita-se da aprovação da Câmara, esgotar-se-á em breve; isso é um fato. Porém, aspecto mais relevante é a implicação. Vota-se, aprova-se, sem qualquer discussão do mérito. Mérito esse, aliás, que uma simples planilha de custos poderia demonstrar, se de fato, é “bom para o município”. A mística, mais uma vez presente, torna aos nossos nobres edis promissores no campo em que a Mãe Dinah é um expoente…

Quando ouvimos, numa Câmara Municipal, “a gente fica desorientado, (…) o pobrema (sic) vem e a gente tem que ver, né?”(sic) e presenciamos aprovações sem qualquer análise pertinente, há muito o que refletir sobre a qualidade do nosso voto. O conjunto dos nobres edis pareceu-me muito mais com o de funcionários diretos do prefeito, ao atuarem tal como uma seção da Prefeitura ou, mais propriamente, como uma Seção Legislativa Municipal.

E dá-lhe fogos!

Os foguetórios sucedem-se, a cada ‘inauguração’ de calçamentos ou de outra obra pública, como se não fosse obrigação do município executar o orçamento determinado pelas leis. É mera obrigação da prefeitura prover a pavimentação ou executar as obras pública previstas pelo orçamento. Não é favor algum usar do dinheiro dos impostos revertendo-o em obras públicas; e o contrário disso, não cumprir o orçamento, é ilegal.

Por vezes as ocasiões juntam-se; somam-se a esses eventos as festas religiosas e o fim de semana em Iguape é quase sempre agraciado com foguetórios. Com um ‘morteiro’ aqui e outro acolá, os ruídos estrondosos são capazes de acordar até os bugios mais além da cidade.
Tais barulhos destacam-se aos fins de semana, onde aparentemente alguns Iguapenses desterrados (in)voluntários encontram-se na cidade. Possíveis eleitores, creio. Afinal, mesmo que estejam vivendo em outras cidades, seus títulos de eleitor ainda estão, em sua maior parte, cadastrado em nossa zona (eleitoral). “Cidadania dupla”, penso eu, e justifica-se; prover o sustento de si mesmo, da família e custear uma faculdade ou escola para os filhos, é deveras dificultoso por aqui, considerando a ausência de empregos.

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O desemprego só não é visível entre os familiares dos titulares de cargo público eletivo da Câmara e da Prefeitura em nosso município. O Jornal Regional noticiou a respeito das ações do Ministério Público, em vários municípios pelo Vale do Ribeira, em combate à nefasta figura do Nepotismo. Espero que o Ministério Público aqui em nossa cidade possa agir da mesma maneira. Ontem escrevi sobre o tema em vários aspectos. Tal prática não permite o acesso de pessoas qualificadas ao serviço público. O resultado final é uma administração pública de baixa qualidade. As pessoas se ressentirão no cotidiano pelos péssimos serviços prestados. Além desse aspecto, quando o Nepotismo está em prática, é comum a ‘ingerência’ nos negócios particulares.

As maioria das empresas têm como principal cliente a Prefeitura; não raro sofrem pressões quanto a quem contratar para trabalhar. Não lhes é permitido manter em seus quadros pessoas que não sejam favoráveis ao prefeito. Listas com os nomes (dos que serão lá empregados) são elaboradas logo após a ‘concorrência’ e somente a esses o emprego é concedido. Esse outro aspecto, relativo à ingerência dos negócios privados, se não é ilegal é imoral, apesar de sê-lo comum nas terras onde o Coronelismo ainda é uma prática social. Nesses locais ser ‘do contra’, equivale também a ser também ‘excluído’ das oportunidades de trabalho no setor privado ou, ainda pior, sofrer pressões para sair (in)voluntariamente do serviço público, mesmo que concursado seja.

Uma sociedade que não permite opiniões divergentes à política vigente, validando assim o descalabro de uma administração municipal medíocre, não estará criando boas causas para o futuro. Aliás, para que haja diálogo, é preciso que as opiniões sejam, ao menos um pouco, divergentes. Se concordarmos em tudo, de forma declarada ou tacitamente, no que poderemos melhorar e solucionar os problemas?

Ao ‘expulsar’ as pessoas pela ausência de emprego e de instituições de ensino técnico e superior, a cidade transfere para outros locais jovens valorosos que poderiam decidir um futuro melhor aqui mesmo, para eles próprios e para o restante das pessoas. A ‘boca pequena’ correm notícias de que o orçamento do município é pequeno e não permite pagar ao funcionalismo comum melhores salários. A ‘corte’, é claro, não tem do que reclamar. Os salários do ‘primeiro escalão’ são dignos de municípios onde a arrecadação é muitas vezes maior. Talvez, a guisa de ‘agradar ao rebanho’ num ano de eleições, haja algum aumento salarial para os demais. Tirando da conta a ‘corte’, a média salarial é de pouco mais de um salário mínimo.

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Seriam lançados nas despesas da Prefeitura os custos dos foguetórios nas inaugurações? Isso equivaleria a queimar dinheiro público… dos nossos impostos! O meu e o seu dinheiro do IPTU estaria explodindo pelo ar, além de custear os polpudos salários da ‘corte’?

Quando chega a data do meu aniversário eu fico feliz. Olho para trás e imagino para onde seguir, em busca dos objetivos. Penso que é um recomeço, uma nova partida. Qualquer dia serviria para tal, na verdade. Porém, a mística que envolve a data facilita. Ao comemorarmos os 469 anos da nossa linda Iguape, o momento é adequado para uma reflexão. Seria de bom termo empenharmos para limpar a casa… Essa velha senhora, aos 469 anos, merece mais respeito!

Nomes aos bois

Nepotismo (do latim nepos, neto ou descendente) (1) é o que designa o favorecimento de parentes em detrimento de pessoas mais qualificadas, especialmente no que diz respeito à nomeação de cargos. É também sinônimo da concessão de privilégios ou cargos a parentes no funcionalismo público, tal como demonstra o gráfico abaixo. Ocorre também quando um funcionário é promovido por ter relações de parentesco com aquele que o promove, havendo pessoas mais qualificadas e mais merecedoras da promoção. Alguns biólogos sustentam que o nepotismo pode ser instintivo, uma maneira de seleção familiar, estando ligado com o sentimento de auto preservação.

Esse organograma acima exemplifica a configuração do nepotismo e é baseado em árvore genealógica fictícia de um Prefeito Municipal. O mesmo organograma se aplica aos vereadores, secretários municipais e estaduais, vice-prefeitos, governadores, deputados estaduais e membros do Tribunal de Contas do Estado. Muito embora estas pessoas estejam dentro do limite do grau de parentesco caracterizador do nepotismo, no caso concreto pode ser que o ocupante do cargo público ou contratado possua uma das condições objetivas de exclusão de configuração do nepotismo. Em caso de dúvidas, consulte o promotor da sua comarca. (2)

A ilustração e a explicação anterior demonstra uma notável e clara abordagem. Elaborada pelo Ministério Público do RN, é baseada na legislação federal e, portanto, é parâmetro também do serviço público em nosso município. Se você souber de algum caso, é seu direito  denunciar ao promotor de justiça e, presumo, haverá sigilo de justiça e proteção legal ao denunciante. Ir ao fórum, marcar audiência e denunciar ao promotor é um grande auxílio à validação das leis.

Por este país, ainda é corrente o pensamento de que “há lei que pega e lei que não pega”. Então, é imprescindível exercer a cidadania. Sem que haja a manifestação por algum cidadão junto ao promotor de justiça, nada pode ser feito. Caso encontremos esses casos de nepotismo e deixemos o tempo passar, permitiremos que a ‘corte’ continue a usar e abusar do dinheiro dos nossos impostos. Enfim, as leis e o entendimento do Judiciário permitem que hajam nomes para batizar aos bois ou, se for na Terra do Bom Jesus, contar o milagre e o santo.

(1) Dicionário Michaelis

(2) Transcrito do Ministério Público do RN http://www.mp.rn.gov.br/nepotismo.asp?pCod=1

Vive la République!

Iniciamos hoje o 119º ano do regime republicano em nosso país e saltam aos olhos a passagem pela data de ontem, o Dia da Proclamação da República, sem efusivas comemorações pela sociedade. Tampouco no discurso oficial dos líderes desta nação há menção sobre a ocasião. De alguma maneira, ficou para o segundo plano se estamos ou não em regime republicano ou, noutra abordagem, se de fato existe ‘la republiqué’, ideário do final do século XIX que importamos da França.

O regime anterior, monarquista, havia sido abalado por sucessivas perdas de credibilidade junto às pessoas e, para muitos, pouca diferença seria sentida, a princípio, se a Monarquia fosse deposta e os militares tomassem o poder. O fim do escravagismo sem a imediata compensação pelos ‘valores dos ativos’ aos Senhores de Escravos levou para a oposição, rapidamente, pessoas com forte poder econômico. Ao mesmo tempo, haviam eles financiado sucessivas guerras com vizinhos e rebeliões internas, o que propiciou o surgimento de forças militares vistas pela população como a ‘salvaguarda da nação’. Ou seja… Frente ao descrédito popular à monarquia e aliado a popularidade, os marechais encontraram-se a vontade para tomar o poder. Poucos dias depois de um ‘xeque-mate na realeza’, houve a Proclamação da República.

Proclamar, em nosso dicionário, tem o sentido de “arvorar-se em, fazer-se aclamar.”. No caso, o Marechal Deodoro e outros militares à época “tornaram oficial” a República Brasileira, impondo pelas armas o regime de estado sob o qual vivemos até os nossos dias. Tanto numa forma de estado como noutra, quem financia os gastos públicos são os indivíduos que vivem naquela sociedade com o pagamento dos impostos. Alguns estão disfarçados, embutidos no preço do que comemos, por exemplo. Outros vêm destacado e ainda assim passam despercebidos, tal como o ICMS na energia e telefonia.

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Ao mencionar  a palavra ‘república’, surgida da contração dos termos em latim ”res” (coisa, objeto, negócios) e “publis”(público, pessoas), tem-se a intenção de mencionar o aspecto de “negócios públicos” ou “negócios comuns às pessoas”. Ou seja, a princípio, sob a forma de estado republicana, os bens comuns da sociedade (ruas, prédios do estado, veículos e empresas do estado, etc), seriam de propriedade de todas as pessoas. Para viabilizar o controle e seu uso, as sociedades que vivem sob tal ‘acordo’ ajustam também uma forma de representação e aqui entra a política. Hoje temos a república gerida por pessoas eleitas pelo nosso voto. Algumas pessoas, levadas pelo imediatismo, pensam nas eleições com um argumento simples ‘o que ganho em troca com o meu voto?’. Se o indivíduo respeitar as leis, respeitando o dinheiro público, já terá sido um grande ganho.

A República é de todos e de ninguém ao mesmo tempo; assim, “os negócios públicos” precisam ser controlados por leis que representem os interesses de todos. Os legisladores (Câmaras municipais, assembléias legislativas e o Congresso Nacional), as criam e também estão lá nas instâncias do poder republicano por decorrência do nosso voto. Ao elegermos alguém a um cargo da nossa república, seja no município, no estado ou no governo federal, é preciso ter extremo cuidado com o passado dele. Do contrário, só nos restará observar o avanço do mal uso do dinheiro dos nossos impostos, desvios e toda sorte de mazelas.

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Talvez, no subconsciente coletivo, conste que não temos muito o que comemorar. Se antes os impostos seguiam à Corte, e eram tidos como a fortuna de poucos, ainda hoje o dinheiro público também segue por essa linha. Há uma ‘corte’ formada por espertalhões nos municípios, nos governos estaduais e no governo federal, que não se cansa de tungar o dinheiro dos impostos. A lei muitas vezes não alcança a esses indíviduos que, não raro, gastam o próprio dinheiro público (do nosso imposto!) com advogados para a sua própria defesa, principalmente nos casos de improbidade administrativa, por exemplo, quando reelegem-se. Ao receberem novos votos e serem recolocados no cargo em que cometeram delitos, sentem-se ‘fortalecidos’ com a vontade popular. Muitas vezes refém dessa vontade, o Judiciário justifica-se com ela, ao manter no cargo esses indivíduos. Dizem, em suas ‘razoabilidades’, que ‘respeita-se a vontade democrática’ ao deixá-los liminarmente no cargo.

A cada dia surge algum novo fato ligado à corrupção e outros vícios do estado republicano. Porém, nos resta uma opção. Estamos num período democrático e podemos votar com critérios corretos. Por vezes, o canditado não atenderá os nossos interesses individuais. Não nos cabe pedir-lhes emprego, favorecimentos ou qualquer coisa do gênero. Afinal, serão eleitos para os ‘negócios públicos’, para gerir as instâncias da Republica para todos e não para um ou outro indivíduo.