O encontro da cultura cristã com a cultura celta deu origem à comemoração do Dia de Finados. Os celtas – povo que habitava a região da atual Irlanda – tinham no seu calendário a festa conhecida como Samhain. Nesse dia, os celtas acreditavam que os dois mundos – o dos vivos e o dos mortos – ficavam muito próximos e eles celebravam essa comunhão, entre a vida manifesta e não manifesta, numa busca pela eternidade da vida.
No século XI, o calendário litúrgico cristão incorporou o Dia de Finados, que deveria cair no dia 2 de novembro para não se sobrepor ao Dia de Todos os Santos, comemorado no dia 1º.
A primeira celebração do dia dos mortos pelos povos católicos foi feita pelos monges beneditinos de Cluny, na França.
Vejamos o calendário:
Em 31.10: Véspera do Dia de Todas as Almas: em inglês “All Hallow’s Eve” (reduziu para “Halloween”); celebra todos os que morreram e foram condenados ao inferno (não é reconhecido no calendário cristão ou católico);
Em 01.11: Dia de Todas as Almas ou Todos os Santos: celebra todos os que morreram em estado de graça e não foram canonizados;
E em 02.11: Dia de Todos os Mortos ou Finados: celebra todos os que morreram, estão no limbo ou não são mais lembrados.
Vale lembrar que é celebrado com missas e festividades em homenagem aos mortos. Por tratar-se de feriado de origem religiosa, vejamos alguns aspectos em conformidade com essa crença. Os vivos rezam pelos cristãos que estão no purgatório, o estado no pós-vida onde as almas são purificadas antes de irem ao céu. As almas no purgatório, que são membros da igreja assim como os cristãos vivos, têm de sofrer para que possam ser purificados de seus pecados. Por meio de orações e boas obras, o membros vivos da igreja podem ajudar os seus amigos e familiares que partiram.
Após sua introdução, este feriado saciou o interesse de muitos católicos pela morte e pelo sobrenatural. Mas a idéia não-cristã de espíritos que vagam persistiu em algumas áreas, assim como a atmosfera de festividade do Samhain. Aceitando que não podiam livrar-se completamente dos elementos sobrenaturais das celebrações, a Igreja Católica começou a caracterizar os espíritos como forças do mal associadas ao diabo. É daí que temos muitas das imagens mais perturbadoras do Halloween, tais como bruxas malvadas e demônios.
O Dia de Finados ainda existe. O Dia Dos Mortos é uma época na qual as famílias gostam de lembrar dos falecidos. Porém, em alguns lugares como o México, é também uma época marcada por festividades, incluindo desfiles espetaculares de esqueletos e demônios. Em uma tradição notável, os farristas fazem um funeral falso com uma pessoa viva dentro de um caixão. Essa simulação é intimamente ligada à comemoração de Halloween, assim como outros elementos do Dia de Finados.
Por outro lado, lembrando que a “vida” em sua essência não poderia habitar um corpo que não reunia mais condições para manifestá-la – e exatamente por isso faleceram – , enquanto ocorrem as celebrações vinculadas ao corpo que jaz defunto, numa cova, por vezes o sentimento que remete aos vivos é a pura saudade. Sentindo a falta da presença física dos falecidos, por vezes esquecem-se o que os finados nos deixaram um legado espiritual ou ainda uma manifestação de vida por si só admirável. Acredito que herdar um ideal e conduzí-lo em vida é a única forma segura de mantermos “vivos” nossos entes queridos, ao menos em nosso coração, como forma de eternizar aos finados em nossas vidas. Assim, creio, podemos sentir o quanto a vida em seu todo é eterna, ainda que manifeste-se de forma impermanente em um ser observado individualmente.
Finalizando a crônica de hoje, gostaria de citar as seguintes palavras, para dividir obviamente com os vivos…
“A morte não é a maior tragédia do ser humano, é pior quando algo vital dentro da pessoa morre enquanto ela ainda está viva. Essa morte á certamente a coisa mais temível e trágica.” (Daisaku Ikeda).
Não vamos deixar as nossas esperanças numa vida melhor falecerem, porquê isso nos é vital!




















