Arquivo do dia: 05/11/2007

IPVA + multas altas = Buracos + Alagamentos + (?)

              Hoje o dia esteve nublado e com esporádicos chuviscos; custa-me ver repleto de lixo as “bocas de lobos” e outros acessos das nossas precárias vias. Há tempos não vejo os esforçados garis e margaridas que, outrora, mantinham limpas as nossas ruas. Será que já se aposentaram e não foram substituídos? Em todo caso, se chover forte, com certeza nas esquinas teremos as costumeiras piscinas. Assim, com a chuva, mesmo que seja necessário o ir e vir de carro, torna-se quase impossível trafegar pelas ruas sem o risco de danificar o veículo em algum novo buraco ou, pior ainda, mergulhá-lo nas piscinas que surgem nas esquinas… é uma aventura indescritível chegar na esquina e deparar-se com a pergunta “será que o carro vai ficar aqui?”

A vida acontece em nossa Iguape, apesar das dificuldades que enfrentamos. No final da tarde, após ver mais um afundamento na “Avenida” Ana Candida S.Trigo, próximo ao Hotel da Vila, não pude deixar de lembrar que em mais uns 60 dias vencerá a primeira parcela do IPVA, aquele famigerado imposto anual que recolhemos ao Estado apenas por ter um carro. Por força da legislação o Governo Estadual retorna a Prefeitura metade do valor. No site do Governo de São Paulo, em http://www.fazenda.sp.gov.br/repasse/r1a.asp basta informar o nome do nosso município para vermos o montante do IPVA nos repassado. Até 30/09 é apontado o valor de pouco mais de 628 mil reais. Seria lógico supor que tais repasses seriam aplicados na manutenção das ruas por onde passam os veículos que geraram tais impostos; porém, não há obrigação em usá-los em manutenção das ruas, por mais insensato que seja isso.

Alguns amigos até pensam… “bom, isso é problema de quem tem carro!”. Ledo engano! Quem anda de bicicleta também sofre as conseqüencias; procure pedalar sem prestar atenção nos buracos! Logo encontrará o chão e os riscos das lajotas… “Ah! Nem de bicicleta eu ando!”. Ok! Ande a pé sem procurar observar por onde anda… Os tombos ocorrerão! O problema afeta a todos; em especial aos idosos e crianças. As crianças em suas correrias, com freqüentes topadas. Quanto aos idosos, não é raro procurarem o serviço de emergência, com os visíveis sinais de queda numa das armadilhas oferecidas pelas ruas do município.

Esse valor arrecadado pelos veículos licenciados em Iguape não tem destinação vinculada à manutenção das vias públicas e, de tal forma, cai no caixa da prefeitura e pode, eventualmente, custear qualquer despesa pública, seja lá qual fora a natureza dela. Interessante seria que o próprio orçamento municipal destinasse o uso integral de tais repasses na manutenção das nossas ruas. Além desse montante do Estado, também há aquelas multas do DIVTRAN que provêm a Prefeitura de mais recursos oriundos dos veículos. Que seja esse de natureza punitiva, que sejam variáveis. É dinheiro, afinal de contas, gerado pelos veículos. Não seria, por assim dizer, “falta de verba” o motivo da ausência de manutenção. Mas, com certeza, é falta de bom senso não direcionar a parte municipal dos impostos dos carros para diminuir a buraqueira. Afinal, pagamos o IPVA tal como os proprietários de outras cidades e temos, em contrapartida, uma manutenção das ruas da pior qualidade.