Arquivo do dia: 06/11/2007

Vamos plantar arroz?

Estive lendo o comentário de Oscar Araripe, junto à entrevista concedida por Wilson Almeida Lima. Ele nos diz que a verdadeira vocação de Iguape é o arroz. Então fui a cata de informações, indo além da perspectiva histórica em que encontramos – até o início do século XX, Iguape como o maior produtor de arroz. (ver Nossa História, de Roberto Fortes). A perspectiva de agregar valor à própria produção, via beneficiamento, remeteu-me inicialmente à Rua da Palha. Opa! Rua Tiradentes. Já houve pela cidade, além das fases do ciclo produtivo (plantio, colheita e transporte), o beneficiamento que agregava valor à produção, de tal forma que acrescia renda e emprego às pessoas. Para poder ser cultivado com sucesso, o arroz necessita de água em abundância, para manter a temperatura ambiente dentro de intervalos adequados, e, nos sistemas tradicionais, de mão-de-obra intensiva. Comumente, são cultivados em grandes áreas com planícies semi-indundáveis (tal como a do baixo Ribeira, em nosso município).

No passado histórico de Iguape o transporte era o equivalente a outras regiões, o que nos mantinha em um mesmo grau de competitividade. Porém, enquanto o Rio Ribeira assoreava e tornava difícil o transporte do arroz por ele, novas áreas de plantios eram desenvolvidas noutras regiões e, junto com ela, criavam-se as infraestruturas para transportes. O poder público investia maciçamente em rodovias e ferrovias, criando os meios para escoar a produção. Considerando assim o custo do transporte como fator esse relevante, haja visto que outrora já foi o gargalo e determinou o fim do nosso “ciclo do arroz”, passei a observar melhor o mapa da nossa região, com vistas a Registro e demais cidades próximas.

Vejamos o mapa acima. Podemos notar que ainda há (em verde) uma via de trânsito representando uma estrada municipal não pavimentada que inicia-se na SP222, trecho Biguá-Iguape. Se procurarmos trafegar por ela, é bom que tenhamos um veículo que possa avançar sobre a parte alagada ou sem ponte. Essa estrada entrecorta a região que há quatro décadas foi a base da nossa economia. Creio que exatamente esse abandono tenha colaborado de forma decisiva para o declínio econômico daquela região e, a reboque, do restante do município. Por outro lado e nessa mesma ótica, se o Executivo e o Legislativo Municipal procurarerm gerir essa questão junto ao Estado, buscando apoio para revitalizar as vias de acesso das pessoas e seus produtos, é possível que haja uma nova perspectiva para a agricultura nessa região e, por conseqüencia, para o restante do município.

Entretanto, as últimas notícias a respeito não são animadoras. Em junho passado o Governador Serra lançou o programa de recuperação de vias vicinais, tidas como secundárias em tráfego e primordiais para o escoar da produção. Veja em http://www.saopaulo.sp.gov.br/acoes/rodovias/pro-vicinais/ . Consultanto esse site do Governo do Estado, notei que dos 556 milhões de reais do programa, chegarão apenas 1,6 milhão em Iguape e na segunda etapa, destinado à recuperação do trecho de estrada que segue entre o Morro da Espia e a Toca do Bugio. “E agora, José?” Alguém se habilita a investir no arroz do baixo vale do Ribeira?