
Estive hoje com os pensamentos nos meus amigos que moram lá pelo bairro do Retiro, às margens da SP222. Lembrei das suas dificuldades com os preços e pragas das lavouras que eles mantêm nos sítios. Lembrei, também, da pujança que já foram as lavouras de maracujá pelos lados do Jairê.
Então, segui em pesquisa e localizei as “Estatísticas Sobre nº de Micro e Pequenas Empresas (MPEs)” do SEBRAE do nosso estado (1). Veja ; Nessa página há informações do Município de Iguape. Pasmei! Em dois ítens, há relevância do número de estabelecimentos locais em relação ao Estado; 24,4% dos produtores de maracujá e 43,6% daqueles que plantam chuchu estão em nosso município. Supreende a quantidade! São 169 de maracujá e 84 de chuchú! A dúvida restante era sobre área destinada ao plantio e quanto aos valores de produção. Conforme o IBGE(2) existem os seguintes números para o maracujá:
Estado Iguape - partic.
quantidade produzida 40.989 toneladas 6.583 => 16,1%
valor da produção 26.603 mil reais 2.218 => 8,3%
área plantada 2.381 hectares 330 => 13,9%
área colhida 2.374 hectares 330 => 14%
rendimento médio 17.265 kg/hectare 19.948 => 15% acima
(dados de 2006)
Não encontrei os dados de pesquisa para o chuchú; Continuemos no maracujá. O rendimento médio do município, com 15% acima da média estadual, indica o quanto a cultura da fruta é facilitado por aspectos climáticos. Ou seja: há uma enorme propensão produtiva para esse cultivo.
Iguape produz 16% do maracujá do Estado e obtêm apenas 8,3% do valor da produção. É como se o produtor local recebesse apenas metade do que produziu. A ação de atravessadores, as precárias vias vicinais e ausência de agregação de valor (produção de polpas, por exemplo), não permitem que esse expressivo cultivo gere as riquezas que poderiam sugir em nossa localidade.

A CATI – órgão do Governo do Estado, possue um programa chamado “Municipalização das Casas da Agricultura”(3). Sem saber ao certo se nosso município nele está inscrito, observei um relevante aspecto. Conforme consta “Por meio de convênios entre a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento e as prefeituras paulistas, a CATI atende aos produtores a partir das Casas da Agricultura em 594 municípios, formando o Sistema Estadual Integrado de Agricultura e Abastecimento.- SEIAA. O Estado repassa pelos convênios recursos anuais da ordem de R$ 17 mil a R$ 30 mil para cada Casa da Agricultura, conduzir projetos de interesse da comunidade local.”
Existem ainda outros mecanismos e subsídios técnicos disponíveis junto aos órgãos ligados a agricultura do Estado, bem como do PRONAF(4) (Federal). Porém, ainda não vemos junto a zona rural os impactos dessas políticas estaduais e federais, tal como se houvesse um nó difícil de desatar, surgido pela falta de diálogo e divulgação junto às pessoas que vivem em nossa zona rural. Por amostragem notamos que há, em Iguape, um sem número de pequenos agricultores ainda desarticulados frente ao mundo em que, para os agronegócios, a competitividade é fatal. Ainda por amostragem, nota-se o “desaparecimento” de famílias inteiras dos sítios. Após esse abandono de seus sítios, seguem a engrossar as filas dos desempregados nos centros urbanos. Essa é a realidade, enquanto, aparentemente, segue uma total descoordenação os programas do estado e a execução da práticas públicas municipais voltadas à agricultura.
Notas:
(3)http://www.cati.sp.gov.br/_Cati2007/_projetos/Municipalizacao%20das_CA/Municipalizacao%20das_CA.php




















