Os bens tombados pelo CONDEPHAAT, na cidade de Iguape, são partes importantes do conjunto de representações artísticas da história e da cultura do nosso estado, surgidas entre os séculos XVI e XX, composto de bens móveis, edificações, monumentos, bairros, núcleos históricos e áreas naturais.
“A cidade de Iguape, no litoral do Estado de São Paulo, possui um dos maiores patrimônios arquitetônicos do Estado. Dos 64 prédios tombados pelo Condephaat a metade deles vem sendo abalada por vários problemas: infestação por cupins, descaracterização dos edifícios ( como a colocação de telhas de amianto e letreiros de néon), substituição de calçadas originais por mosaicos tipo copacabana e outros. O tráfego de caminhões perto das igrejas constitui-se num perigo às estruturas. O descaso dos órgãos oficiais fez com que a Associação Amigos do Patrimônio Histórico de Iguape pedisse aos governos Estadual e Federal, que englobassem ao patrimônio já tombado os 50 prédios restantes que formam o conjunto arquitetônico, para que fosse feita uma ampla reforma , desde a fiação elétrica até a reformulação dos letreiros. A idéia é pleitear junto ao IPHAN os recursos necessários à reformulação e, posteriormente, encaminhar dossiê à Unesco pedindo a transformação do município em Patrimônio da Humanidade.” (1)
Enquanto isso, a questão é simples. Imaginemos um cão que viva junto a uma numerosa família; nisso, todos afirmam que são os seus donos. Um vai pescar, outro passear e, por aí, ninguém fica em casa. Ao retornarem, tarde da noite, o cão está morto pela inanição e falta d’água. Tem muitos e nenhum dono… é de todos – da sociedade –, e de ninguém ao mesmo tempo. A princípio, é por essa razão que lotamos pessoas em cargos públicos através dos votos, ou que ocupem cargos do serviço público através de concursos e nomeações. De qualquer forma, são funcionários públicos, sejam eletivos, nomeados ou concursados. São pagos com dinheiro dos impostos e lá estão para servir ao interesse público. Para não deixar o cão morrer, existem essas pessoas. No caso, o cão em pauta, digo, os leões… Ah, não! O prédio! Sim, o prédio atende por “Sobrado dos Toledos”.
Ao que me consta, o “Sobrado dos Toledos” (foto acima), onde já houve o funcionamento de parte da administração pública municipal, é da prefeitura; Curiosamente, dentre os prédios históricos que há no município, os que apresentam a pior conservação estão exatamente sob a notável responsabilidade da gestão pública municipal. Considerando que seu uso não pode ocorrer por entidades privadas, salvo condições previstas em lei, cabe a Prefeitura agir com rapidez, antes que tudo venha ao chão e, até mesmo, cause algum acidente com transeuntes.
Conforme Roberto Fortes explica: “Salvem os leões! – Símbolo maior do descaso e da negligência para com o patrimônio histórico de Iguape, o majestoso Sobrado dos Toledos (também conhecido como Sobrado do Santo), que foi tombado pelo Condephaat em 1975, está prestes a ser tombado literalmente. Mais dia, menos dia, esse que é o mais representativo exemplo da arquitetura do ciclo do arroz deverá tombar ao chão, vitimado, como acima ficou dito, pelo descaso e pela negligência. Atualmente sob a responsabilidade (sic) da Prefeitura Municipal, há vários anos que o sobrado não recebe qualquer obra de manutenção, principalmente em seu telhado, que está prestes a desabar. Em sua fachada, de estilo neoclássico, estão os dois leões e a América que tanto encantaram o viajante alemão Robert Avé-Lallement, ao visitar a cidade de Iguape, em 1858. Já que a Prefeitura parece não demonstrar o menor interesse em preservar esse monumental sobrado, que ao menos mande retirar os dois leões e a América e os guarde no Museu Municipal, para que os pósteros saibam que, um dia, essas peças encimaram o mais significativo imóvel histórico da cidade. É o mínimo que se pode esperar.”(2)
Alguém já disse que a pior manutenção de um bem é a destinada àquele que seja público, ou àquele em que a responsabilidade de manutenção seja do setor público, estadual, federal ou municipal. Alguém irá pôr água e comida para o cão?
(1)http://www.unisantos.br/pos/revistapatrimonio/painel.php?cod=4 Jandira Adegas, abril/2004
(2)http://alfarrabiosjr.zip.net Roberto Fortes, 09/11/07






















