Arquivo do dia: 14/11/2007

E mais maracujá…

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Na tarde ontem estive no Sindicato Rural conversando com o Sr. Nomura, assessor da presidência do Sindicato e agricultor. Tive também a oportunidade de conhecer o Sr Takeshi, presidente do Sindicato. Heróis de épocas em que a produção rural de Iguape mantinha ‘em boa forma’ a economia local, com alguns curtos ciclos até de expansão. O Sr Nomura é um dos pioneiros da introdução das plantações do maracujá em larga escala e, também, um dos bananicultores mais atingidos com as grandes cheias do Ribeira – aquelas que dizimaram o bananal havido na região de Iguape.

O Sindicato conta hoje a participação efetiva de 130 produtores, sendo que há mais de 500 cadastrados. Muitos abandonaram as suas áreas de cultivos, em razão das dificuldades que apresentaram-se nas duas últimas décadas.

Fui consultá-lo a procura de informações do campo que traduzissem os números que recolhemos quando da pesquisa aqui publicada, “Nosso maracujá pela metade do preço!”. Pontos intrigaram-me na pesquisa para escrever aquela matéria, como segue:

  • O volume da produção, quando tomado ano após ano, oscila entre 30 e 40%, para mais e para menos.

  • Os preços médios pagos ao produtor, em relação às demais regiões, em queda contínua.

  • O alto número de produtores com pequenas produções e, ao mesmo tempo, a fragilidade diante dos compradores.

Algumas informações relevantes surgiram. Contou-me ele sobre os principais problemas. Aspecto relevante na formação de preços é a quantidade produzida pelas unidades agrícolas. Essa quantidade, por sua vez, é na mesma razão do tamanho da área cultivada por cada produtor. Propriedades com pequenas áreas de produção geram, na maior parte do tempo, produções pequenas. Para a venda, salvo casos isolados, não há muita negociação. O produto é entregue ao atravessador e segue para o CEASA. Lá chegando, do preço havido é abatido uma comissão de 20%, as despesas e, até mesmo, o valor da caixa para acondicionar o produto. Um fator interessante é o regime das chuvas. Com o volume das chuvas oscilando entre um ano e outro, dos quase três anos produtivos de um pé de maracujá – onde haveriam ao menos seis floradas – um ou dois anos têm-se boa produção. Se chove demais, prejudica e facilita o surgimento de várias pragas nas plantas. Se chove menos, também. Como temos notado – e os dados do volume de chuva confirmam – tem havidor extrema irregularidade em épocas importantes para que as frutas crescessem sadias, não alcançando bom preço quando chegam ao CEASA.

Para melhoria dos preços pagos ao produtor, seria preciso reunir a produção de vários agricultores e agregar valor à produção local. Seja por intermédio de associações ou ainda, pela viabilização de agroindústria que atuasse com base em nossa cidade. Tal empreendimento poderia possibilitar um melhor acompanhamento técnico da produção, ao interagir com o produtor para o combate das pragas, além de adquirí-las, é óbvio. É comum à agroindústria, quando instaladas, interferirem de forma positiva na produção e na rentabilidade rural. O maior reflexo, entretanto, é a geração de renda e empregos que podem advir com a agroindústria. Para cada um real hoje gerado pelo maracujá, numa primeira estimativa, ao agregar valor na produção pela agroindústria surgem mais três reais. Para cada emprego – formal ou informal – existente no cultivo do maracujá, surgem outros quatro se o produto for processado no município.

Por outro lado, há necessidade dos agricultores associarem-se, formarem parcerias uns com os outros para fortalecerem-se diante da situação atual. Até porquê, mesmo com uma agroindústria aqui instalada, é preciso haver força de conjunto, o que não há se permanecerem solitários diante das dificuldades. Não é preciso continuarmos com baixa rentabilização, com a nossa produção por hectare em 15% superior às demais regiões do estado e concentrarmos, apenas em nosso município, 16% do total do maracujá produzido pelo estado.

Os maracujás e seus frutos e flores já eram conhecidos e utilizados na América, antes da chegada dos primeiros europeus… Aqui chegamos, nos instalamos e, gerações após gerações, ainda não nos adequamos para gerar a riqueza que tal cultura pode proporcionar.