Arquivo do dia: 20/11/2007

Números, inquietos números!

“Os que são favoráveis a aprovação, permaneçam como estão. Os que são contra, que se manifestem.” Essa frase, parte do ritual na Câmara de Iguape, lembra-nos de um dito popular “Quem cala, consente!”. De toda forma, por algumas vezes remete-me a impressão do puro comodismo. Sim, é muito mais tranqüilo aquietar-se, enquanto absurdos acontecem, do que ‘rasgar o verbo’ e dividir inquietos pensamentos com os demais.

Na “seção” legislativa de ontem, na ‘platéia’ da qual fiz parte haviam duas pessoas ligadas à imprensa escrita, seis outras pessoas e uma turma de alunos do ensino médio (uns 15), lá presente como atividade extensiva à sala de aula, acompanhada do professor.

Uma aparente calmaria esconde, entre outras coisas, o grau de representatividade lá existente. Um pensamento simples, conciso me veio… “Essas pessoas representam outras… porquê não se vê mais gente por aqui?”. Em resumo, a seguir veio a pergunta “Afinal, quantos votos tiveram essas pessoas para aqui chegar?” Hoje, com mais calma, fui buscar por números e abaixo descrevo: (1)

ODMIR ALVES PEREIRA (PTB) 558
VALTER XAVIER GOMES  (PT) 504
AGNALDO XAVIER (PSDB) 452
MARCOS RODRIGUES FRANCO (PL) 437
ELENI DAS GRAÇAS COSTA SZOZDA (PMDB) 426
JOAQUIM ANTONIO COUTINHO RIBEIRO (PSDB) 396
ALOIS FRANCISCO SANTOS (PFL) 391
TERESINHA DE JESUS TEIXEIRA RIBEIRO (PMDB) 362
EDSON ROBERTO ESTELLA (PL) 352

O partido entre parenteses é a legenda pela qual o cidadão foi eleito vereador; No total, 3878 votos àquelas pessoas foram concedidos por ocasião das eleições. Em outras palavras, do universo de quase 22 mil votos em nossa zona (eleitoral), eles obtiveram em seu conjunto perto de 17%. Uma alta representatividade, grosso modo. Uma vez que foram eleitos, seria sensato imaginar que eles atuariam para 100% dos eleitores e, ao mesmo tempo, que ao menos uma décima parte de seus eleitores acompanhassem os trabalhos da casa legislativa da cidade. Que dessa parte apenas outro décimo (portanto, apenas 1% dos eleitores que neles votaram) comparecessem à ocasião, teríamos ao menos 39 pessoas na ‘platéia’.

Então, diante desses números, saltam questões:

a) Estaria o legislativo municipal totalmente isolado da população, como se vivessem numa Ilha da Fantasia?

b) Os seus eleitores não os veriam mais como seus legítimos representantes?

c) Tamanho seria o descrédito da casa que não importaria mais ao cidadão comum acompanhar ou não aos trabalhos lá desenvolvidos?

Uma expressão em voga pelo município rotula, à quem tecer qualquer tipo de crítica, com o jargão ‘esse é do contra’. Talvez a origem dessa expressão esteja ligada ao ritual ‘democrático’ da câmara… “Os que são favoráveis a aprovação, permaneçam como estão. Os que são contra, que se manifestem.” Em todo caso, vale aqui lembrar uma máxima da vida em democracia, tão limpidamente descrita por Voltaire: “Discordo daquilo que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito de o dizeres.”

(1)fonte: http://www.portalpolitico.com.br/vereadores/sp/spi.htm