Arquivo do dia: 23/11/2007

Para ver o Lagamar!

Pirá

Roberto Fortes, historiador, jornalista e escritor, assim descreve esse prédio: “SOBRADO DA PIRÁ – Localiza-se na esquina do Largo Comendador Luiz Álvares da Silva com a Rua Prudente de Moraes (também Av. Jânio Quadros). Foi construído, certamente na primeira metade do século XIX, pelo legendário comendador Luiz Álvares da Silva. Nele residia com a sua numerosa família, composta por nada menos que sete filhas e um filho. O comendador Álvares costumava ficar no andar superior admirando o Mar Pequeno e o Porto Grande logo a frente. Anotava em seu diário pessoal todos os vapores que demandavam o antigo porto da cidade, além de outros fatos cotidianos da cidade. Seus herdeiros venderam o sobrado a Antônio Martins de Castro. Este, por sua vez, o vendeu, em 23 de novembro de 1912, ao coronel Jeremias Júnior, que nele instalou o seu Engenho Central União. Posteriormente, foi arrendado pelo capitão João Hyppólito Gatto, que ali instalou o seu Engenho Brasil. Com a morte de Jeremias Júnior, a sua parte do prédio passou a esposa, Francisca Martins Muniz, em 30 de janeiro de 1935. Seu filho Pérsio Martins Muniz, por sua vez, adquiriu do espólio o sobrado em 16 de agosto de 1943. Pérsio Muniz vendeu o prédio, em 1943, a Manoel de Souza Varella. O terreno original media 87 de frente por 42,80 metros.”

“Nesse prédio, em fins da década de 1930, foi instalada a Indústria de Pesca Pirá, um dos marcos da industrialização do pescado na cidade. Consta que em 1938 passou por ampla reforma. Seu telhado ruiu há cerca de 10 anos.” (Do livro “Iguape – Nossa História” (2000), de Roberto Fortes)

O nome Pirá significa “peixe”, conforme explicado pelo historiador. Ao espreitar a passagem de inúmeros veículos que transitam pela orla, com destino a Ilha Comprida, Icapara, Barra do Ribeira e Juréia, há um certo contraponto entre esta época e a dos vapores. Em frente àquele local, muitas histórias intrincadas, negócios portuários, gente indo e vindo; hoje, gente indo e vindo, negócios para lá e para cá…

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Já não há mais um porto pelas proximidades imediatas, há um imenso manguezal onde observa-se hóspedes ilustres, tal como gaivotas, guarás, garças e outras espécies que ali buscam alimentos; dentre eles o peixe (Pirá). O guará, em especial, é tido como mensurador da saúde dos manguezais. Já foram considerados extintos do Litoral Paulista, por um período de dez anos;  retornaram aos manguezais do Lagamar de Iguape. Boa novas para o meio ambiente e uma festa para os nossos olhos. Há áreas de ninhais nos manguezais da Ilha Comprida e de Iguape.

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Uma pessoa que estivesse no pavimento superior daquela edificação teria uma bela visão do lagamar. Se outrora o comendador de lá observava a riqueza transitar pelo Porto, o Lagamar logo à frente das ruínas da Pirá é um dos atuais tesouros da nossa cidade e também pode ser observado de lá.

Por aquele ponto passam inúmeras pessoas por dia, em automóveis, ônibus, caminhões, carros, bicicletas e pedestres. Curiosamente, apesar de estar num ponto estratégico, ainda não viabilizaram a exploração do potencial econômico do lugar. Na área urbana contígua próxima, à direita, existe a orla com a concha acústica, a acrescentar ao cenário uma estrutura básica voltada ao lazer.

Nessas vias de passagem de alto tráfego, é natural que hajam hipermercados e serviços estruturados para o lazer. Naquele local seria possível construir ‘por dentro da fachada’ – preservando-a –, uma estrutura em até três pavimentos, que poderia perfeitamente atender a um hipermercado ou shopping. A própria fachada, uma vez resgatada a beleza própria por eficiente restauração, serviria como um atrativo ao local. O terrenos laterais viriam bem a calhar para áreas de estacionamento. Tal emprendimento atenderia, em razão da facilidade de acesso, também aos turistas e moradores de Ilha Comprida. Nos meus pensamentos, até mesmo um nome surgiu… “Shopping Lagamar”.

Embora o conceito “Shopping”, para um local de tamanha beleza natural como o nosso, pareça-nos inusitado, o visitante que chega até nós carece de infraestrutura em produtos e serviços. Ter um local próprio para isso é aproveitar essa demanda; ou seja… ótimos negócios podem ser gerados na antiga Pirá, ainda que hoje somente hajam ruínas.

A idéia está exposta; a descrevi aqui, em público, citando também a importância do local em tempos antigos, com o único desejo de oferecer a idéia “a quem possa interessar”. É óbvio que é preciso fazer as contas na ponta do lápis, ou melhor, nas planilhas de custos e de previsão de retorno. Os cálculos necessários para a decisão final de investimento (o estudo de viabilização econômica), não é assunto para o Diário de Iguape. O objetivo, no caso, é lembrar que uma nova destinação ao local pode resgatar o aspecto do casario e preservar a nossa história, possibilitando ainda novas perspectivas de negócios.

fotos
sobrado: http://robertofortes.fotoblog.uol.com.br/photo20050426234730.html
guarás: http://www.ilhacomprida.sp.gov.br/home/pag_meio_amb_009.htm