Arquivo do dia: 03/12/2007

Bu(a)rragens (3)

“A retirada da barragem, apontada como a responsável pelas grandes enchentes, era agora a reivindicação que se colocava a uma população cruelmente vitimada em suas atividades, economias e patrimônios. As próprias sucessivas enchentes, com o auxílio de ferramentas manuais utilizadas por moradores locais, incumbiram-se do rompimento total da barragem.

“Técnicos debruçaram-se sobre o problema e propuseram como melhor, e bem pensada, solução para o complexo problema a construção de uma nova barragem, mas agora com vertedouro e comportas de controle de vazão e com eclusa para possibilitar a navegação. A proteção das margens e do fundo do canal contra a erosão constituía parte integrante desse mesmo projeto. Em 1993 as obras civis da nova barragem foram concluídas, porém as instalações hidráulicas (vertedouro, comportas e eclusa) não foram executadas por alegada escassez de recursos financeiros para tanto (quantos votos tem Iguape?). Boa parte dessas obras civis já foi hoje também comprometida.” (1)

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foto in http://www.geocities.com/phproducoes/pg_index.htm

” Durante um tempo, houve a ressalinação do Mar Pequeno, quando espécimes nobres de peixes podiam ser vistas no Lagamar. Com as enchentes verificadas na década de 1980 (obs: sempre ocorreram enchentes em Iguape desde a sua fundação), houve pressão para que o dique fosse aberto, e até mesmo alguns pretendiam dinamitar toda a barragem. Com o retorno da água doce passando ininterruptamente pela barragem, todo o sistema lagunar em frente a Iguape (e alguns dizem que até em Cananéia) foi seriamente comprometido. A opinião geralmente aceita é que sejam colocadas comportas na barragem, que somente seriam abertas quando das grandes enchentes. Durante todo o resto do ano ficariam fechadas. O sistema lagunar seria revitalizado. Também deveria ser pleiteada a dragagem do Mar Pequeno na altura de Iguape, para que se possibilite a prática de esportes náuticos e da pesca amadora embarcada.”

“Acreditamos que esse seja o caminho: O fechamento com comportas da barragem do Valo Grande; o desassoreamento do lagamar; e o incentivo aos esportes náuticos e à pesca amadora: tudo isso concorrerá para o fomento do turismo iguapense, com a consequente geração de empregos e renda, que é o que todos aspiram. Portanto, alertamos a Prefeitura Municipal, Câmara Municipal, comerciantes, sociedade civil e povo em geral: o futuro de Iguape, entre outras coisas, depende, e muito, do fechamento do Valo Grande.” (2)

“No último dia 27 de julho, as águas do Valo Grande destruíram a antiga Rua do Peixe, no Porto do Ribeira, derrubando no seu curso algumas casas. Houve solapamento do solo e enorme queda de barranco. Há muitos anos não acontecia queda de margem como esta. Os mais antigos contam que o último grande desbarrancamento, que levou algumas casas, foi em 1946-1947, por ocasião de formidável enchente. Agora foi perto da barragem do Valo Grande, pouco acima da marina ali existente. A despeito de virmos falando da extrema necessidade da colocação das comportas na barragem, o governo não toma providências nesse sentido deixando aquela obra inconclusa e torrente d’água junto às margens desprotegidas. Os moradores prejudicados devem ir à Justiça pedindo indenização dos prejuízos e conclusão daquela obra que não foi acabada. Nada sendo feito, o Valo Grande continuará derrubando ruas e casas e o Governo do Estado assistindo de camarote. É hora de os políticos daqui e da região exigirem a imediata colocação das comportas na barragem, proteção de margens e dragagem do Ribeira-abaixo, ou vão esperar por mais prejuízos à população e à cidade. (Foto: Luciano Festa)” (2)

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A questão restante – e da mais alta relevância -, é a de inclusão das tais comportas esperadas por mais de quatorze anos; o Governador do Estado, em recente visita, anunciou a liberação de verba ao DAEE para a construção das mesmas. Anunciaria-se para breve uma nova perspectiva? Infelizmente, a resposta dessa pesquisa hoje publicada é “não”.  Afinal, não há cogitação quanto ao rebaixamento e regularização do antigo leito do Ribeira, entre outros problemas; as questões ambientais persistem e trarão reflexos em mais decadência econômica:

- A deterioração do lagamar com o seu assoreamento e salinidade variável em demasia; a água doce continuará a passar, com enorme freqüencia, pelo Valo Grande.

- As barras do Icapara e do Ribeira sem traçado definido e baixo calado; está praticamente impossibilitado o uso do Ribeira e do Mar Pequeno ao tráfego marítimo e fluvial.

- O traçado assoreado do Ribeira, que espera há um século por dragagem; hoje o Ribeira desenha uma imensa planície a título de várzea; meio metro a mais em seu nível significa extensas propriedades e lavouras submersas.

Mais de 10 mil pessoas já trabalharam ligadas às atividades de pesca em nosso município, com doze fábricas (locais) de processamento de pescado; além da captura, agregava-se valor à produção, o qual correspondia a emprego e renda no município. A pesca da manjuba hoje utiliza (informalmente) pouco menos de 2 mil pessoas. Para essas famílias, nova tragédia aproxima-se; afinal, o número de pesqueiros atuais irá cair para menos da metade após a colocação das comportas e, evidentemente, nenhum programa ou órgão do Estado ou do Município (e seus inúmeros técnicos pagos com o nosso dinheiro) contemplam aos trabalhadores da pesca com alguma solução.

(1) Álvaro Rodrigues dos Santos http://www.pesca.sp.gov.br/noticia.php?id_not=1629

(2) Roberto Fortes http://robertofortes.fotoblog.uol.com.br/photo20050517185548.html