Na administração passada o município foi contemplado com um espaço destinado aos artesãos, fruto de uma reforma havida num estabelecimento que estava em ruínas. A remodelação do local trouxe ao público a exposição permanente de artesanato local, ainda que atualmente não haja apoio aos que nele procuram levar seus trabalhos às pessoas. O Centro Integrado do Turismo, criado para aproximar artistas locais aos interessados nas artes, é um dos poucos trechos da orla em que a revitalização havida manteve-se. A inoperância do COMTRU, aliada a mínima participação nele dos agentes locais envolvidos com o turismo, traz um cenário um tanto assustador. Aproxima-se o fim do ano e ainda não há sequer um ‘calendário’ divulgando eventos e serviços públicos voltados aos turistas (desavisados) que por aqui chegarem.
Enquanto boa parte das estâncias está investindo em divulgação de eventos e das qualidades que elas possuem, em Iguape os esforços e gastos públicos estão direcionados para a auto-promoção dos ocupantes do poder. Em complemento, artigos em jornalecos “chapa branca” ainda rotulam a quem ‘ousar discordar’ (aos ‘do contra’) como ‘intelectuais burros’. A intelectualidade é caracaterística própria e natural de seres humanos; quanto aos eqüinos de serviços (burros e mulas, por exemplo), pouco se sabe a respeito disso. Porém, nota-se que usam abas aos lados dos olhos como limitadores de visão; só lhes é permitido ver o que está em sua frente imediata; bem encilhados, quem lhes monta direciona as suas cabeças, com o cabresto, somente para o local onde o burro tem que ver.
A admistração atual, preocupada com auto-promoção, vem desempenhando esforços em divulgar atos públicos na imprensa “chapa branca”. O apelido “chapa branca” alude ao fato de que os veículos oficiais (carros da prefeitura ou da câmara, por exemplo) tem suas placas de trânsito brancas. Assim se diz dos veículos informativos subservientes ao poder de plantão. Tais jornais viabilizam o ‘negócio jornalístico’ com a publicação de atos oficiais. Em razão da falta de capacidade jornalística ou de personalidade, eles dificilmente têm leitores dispostos a pagar pela aquisição do jornal. Assim, para sobreviverem vendem seus espaços a quem estiver ocupando o poder, colaborando com a costumeira auto-promoção. Esses ‘veículos’ são leais apenas aos próprios interesses financeiros e normalmente servem às ‘autoridades’ em seus interesses de auto-promoção.
É comum associarmos o termo “promoção” à queda de preços; surge, dessa forma, a expectativa de ‘liquidição dos estoques’ na qual o proprietário/mandatário do local objetiva encerrar aos estoques de certo produto. Assim, colocam baixos preços aos produtos e/ou serviços – por vezes até abaixo do custo –, apenas com o desejo de livrar-se daqueles ítens. Do ponto de vista do consumidor e do equilíbrio de preços, tal prática colabora com o acesso momentâneo de muitas pessoas; porém, considerando a manutenção dos negócios, implica em encerrar uma cadeia produtiva, finalizando um processo; os eleitores são os ‘donos’ de um cargo público eletivo. Quem o ocupa lá chegou em razão de sagrar-se escolhido pelos votos, ainda que não tenha obtido maioria absoluta, como no caso de Iguape. Da ótica do (e)leitor, “auto-promoção” serve de reflexão porque, através do voto, se pode aproveitar a “promoção” e liquidar o assunto, encerrando um ciclo de declínio em nossa cidade.






















