A espécie marinha Mero, peixe também conhecido como “Senhor das Pedras” (Itajara) tem formato arredondado, chega a ultrapassar dois metros de comprimento e pesar 455 kg. Porém, ao se aproximar, você se depara com um peixe que, apesar de sua imponência, é extremamente dócil e permite que as mãos humanas passeiem tranqüilamente por sua pele escamosa.

A espécie é objeto de estudos do projeto “Meros – estratégias para a conservação de ambientes costeiros e marinhos do Brasil”. Entre os principais objetivos do projeto, além da preservação do peixe, está a conservação dos ambientes associados como manguezais, recifes de corais e ambientes rochosos.
No ultimo dia 30 de novembro, na cidade vizinha de Cananéia, litoral sul do Estado de São Paulo, um seminário sobre o Projeto contou com a participação dos pescadores, universidades, proprietários de pousadas e marinas, e representantes de comunidades locais. Na ocasião, foi homenageado Wilson Almeida Lima, que recebeu uma camiseta do projeto e convite para ser o “padrinho” do projeto: ele foi um dos responsáveis diretos pela regulamentação que levou à proibição, em 2002, da pesca do Mero em todo o território nacional por um período de 5 anos, de modo a assegurar a proteção da espécie e a realização de estudos e levantamentos técnico-científicos. Recentemente, como desdobramento do projeto, foi possível articular a prorrogação da portaria de proteção da espécie, conseguindo-se mais 5 anos de preservação legalmente assegurada.

As ações do projeto foram propostas através de um longo processo coletivo de pesquisa, gestão, comunicação e educação ambiental, direcionadas ao Mero e ecossistemas associados à espécie. Quatro instituições trabalham juntas nesta empreitada, em 4 pontos focais: Bahia – Ecomar; Pernambuco – Ircos; Santa Catarina – Univali e em São Paulo, o Instituto Vidágua, o qual tem escritório em Iguape, à Rua Ester Young, nº19. (1).
A região estuarina-lagunar de Iguape-Cananéia estende-se por 100 km, desde o norte da Estação Ecológica Juréia-Itatains até o extremo sul do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, em Cananéia. A região recebeu da Unesco o título de Patrimônio Histórico e Ambiental da Humanidade. É neste contexto que está se desenvolvendo as ações da Rede Meros do Brasil, mais especificamente na região de Iguape, Cananéia e Ilha Comprida. Encerrando um complexo de praias, estuários e ilhas, a região é considerada pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) o terceiro ambiente de importância quanto à reprodução marinha do Atlântico Sul. As áreas conservadas de manguezais, lagunas e estuários servem de abrigo e locais de alimentação e reprodução de várias espécies da biodiversidade brasileira, incluindo os Meros. O projeto Meros é patrocinado pela Petrobras, através do Programa Petrobras Ambiental.
Os mergulhos para reconhecimento de locais de agregação da espécie estão previstos para os dias 21 a 23 de dezembro próximos, na região de Santa Catarina. A equipe de mergulhadores registrará imagens para iniciar a identificação dos exemplares, o que vai permitir conhecer as áreas de agregação e também determinar a situação das populações de meros na região sul do país. Além disso, será possível entender a dinâmica de formação e dispersão das agregações e o comportamento da espécie, com registros fotográficos e vídeos.
O primeiro mergulho acontece hoje, dia 21 de dezembro, na região da Baía da Babitonga (SC), tendo como principal objetivo registrar a presença e abundância numérica dos Meros, seguindo protocolo internacional e recomendação do ICM-BIO e IBAMA. Seis mergulhadores profissionais irão atuar neste trabalho. (2)Em nosso estuário ainda não há data certa para que se iniciem os estudos; porém, acredita-se que no decorrer do próximo ano tais pesquisas estendam-se ao Lagamar de Iguape. O Projeto, que hoje tem âmbito nacional, começou aqui em Iguape, por iniciativa do biólogo Clodoaldo Gazzetta e do gestor ambiental Wilson Almeida Lima.
Leia mais informações em:
(1) http://www.vidagua.org.br/
(2) http://www.merosdobrasil.org/