Ontem, ao final da tarde, populares se amontoaram em frente à prefeitura de Magé, na Baixada Fluminense (RJ). Acompanharam a apreensão de computadores e documentos que podem comprovar denúncia de corrupção realizada por funcionários do município.
A ação policial, a pedido do Ministério Público, tem como objetivo coibir a ação de quatro grupos criminosos acusados de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, peculato e infrações contra a Lei de Licitações. Intitulada “Operação Uniforme Fantasma”, os investigadores desmontaram esquema de corrupção em seis prefeituras do estado do Rio de Janeiro.
As quadrilhas atuavam em 17 municípios do Rio, segundo informou o MP. Deste total, seis prefeituras estariam envolvidas diretamente no esquema de fraude. São elas: Angra dos Reis, Santo Antônio de Pádua, Japeri, Paraíba do Sul, Magé e Rio Bonito.
Escutas telefônicas foram liberadas, onde até mesmo a reeleição de um dos envolvidos era ‘negociada’ ao custo de ’50 paus’ por voto.
“Eu quero mais é que você ganhe dinheiro, mas, pô, você tem que querer que eu ganhe também. Tem que ser um negócio bom pra todo mundo, até porque é um dinheiro público, não tem dono, né?! É dinheiro da prefeitura, então tem como dar uma margem e você ganha um dinheiro, eu ganho um dinheiro, o tico ganha, todo mundo ganha!”, fala o assessor.
As gravações também mostram o secretário de administração de Santo Antônio de Pádua, Tarcísio Padilha, falando sobre um esquema de compra de votos com um vereador que tenta a reeleição.
T – “É o seguinte: o voto vai custar 50 paus, eu vou ter que gastar com você 150 mil”
L – “Ta doido …”
Vale lembrar: isso tudo aconteceu ontem, e diz respeito a Prefeitura de Magé(RJ).
Como percebemos, essa matéria não tem vínculo com nossa cidade; tem por objetivo demonstrarmos quais ações policiais podem surgir quando o Ministério Público passa a averiguar denúncias de corrupção, peculato e outros desvios de dinheiro público. Isso aplica-se também ao uso indevido de bens públicos (carros, telefones, prédios, etc), usados muitas vezes como se fossem bens de propriedade particular dos servidores. Qualquer cidadão pode levar denúncias ao Ministério Público; o sigilo da justiça é garantido por lei.
No mais, são atitudes típicas de um regime democrático, onde o poder da Polícia e da fiscalização do Ministério Público podem por fim à bandalheira com recursos públicos, se a sociedade atenta denunciar aos abusos.