Em 29 de julho de 2006, (há quase um ano e meio), Roberto Fortes assim descreveu em seu fotoblog uma tragédia para muitas famílias que, por decorrência, atingiu a nossa cidade como um todo:
“No último dia 27 de julho, as águas do Valo Grande destruíram a antiga Rua do Peixe, no Porto do Ribeira, derrubando no seu curso algumas casas. Houve solapamento do solo e enorme queda de barranco. Há muitos anos não acontecia queda de margem como esta. Os mais antigos contam que o último grande desbarrancamento, que levou algumas casas, foi em 1946-1947, por ocasião de formidável enchente. Agora foi perto da barragem do Valo Grande, pouco acima da marina ali existente.”

Somente seis meses depois, em dezembro de 2006, a Prefeitura Municipal de Iguape firmou o Convênio 590229 CR.NR.0214919-13, firmado com o Ministério da Integeração Nacional. Surgido provavelmente em razão da última erosão na beira do valo, já próximo à barragem (foto acima), consta como destinado “a recuperação de área urbana ribeirinha com obras de contencão geotécnica”, no valor de R$ 1.951.930,19.
O convênio foi firmado em 27/12/2006 e o dinheiro liberado em 18/06/2007, com o final da vigência em 31/08/2008, onde a contrapartida municipal está prevista em R$ 390.186,03.
Quando liberado, normalmente o dinheiro fica em conta vinculada para uso exclusivo da obra; presume-se que, como solicitado em caráter emergencial, a administração municipal o utilizasse (de imediato) para efetuar as obras; no mais, para que a liberação ocorra, é preciso fornecer projetos e um cronograma para a execução da obra. O uso postergado, já próximo ao “final da vigência” – 31 de agosto próximo -, nos faz pensar em uso eleitoreiro da execução da obra, com vistas a adiar ao máximo possível, de tal maneira que iluda ao eleitor; porém, vale lembrar que tal obra será executada com o dinheiro do contribuinte. Aos dinheiro enviado pelo Governo Federal, deve somar-se a contrapartida da Prefeitura provinda do dinheiro do contribuinte do município.
Numa primeira abordagem, nos parece que é preciso apenas vontade política para se executar a obra. Por outro lado, em nada mudou a volúpia das águas que provocaram aquele desastre e, portanto, nada impede que, com novas cheias, as águas do Ribeira continuem solapando a Beira do Valo.
Assim, o “remendo” efetuado onde houve a erosão tem lá permanecido, aguardando um nova tragédia, enquanto não surge a decisão da municipalidade em executar a obra, visto que os recursos necessários já foram liberados pelo Governo Federal.
Solicitamos ao assessor de imprensa da Prefeitura de Iguape, por email, informações quanto ao convênio citado. Tão logo as recebamos, aqui publicaremos em complemento.





















Com a elevação do nível do mar,as ressacas serão sempre piores,e provocarão o solapamento do solo no entorno do Valo Grande;quando morava aí,falei sobre isso com muita gente,mas o pessoal só fazia rir…