“Não há de ser nada!”

Ontem, 27 de janeiro, tive que ir às pressas para Santa Maria da Serra (60 km de Piracibaca), por ocasião do falecimento do meu avô, João Faber, aos 92 anos de idade.

Santa Maria da Serra é uma agradável cidade do interior de São Paulo, a 410 km de Iguape; para lá chegar, transitamos sentido São Paulo pela BR116 – Régis Bittencourt -, até o Rodoanel e em seguida pela Bandeirantes, Rodovia Luiz de Queiroz e, em Piracibaca, pega-se a 191 sentido São Manoel…

No domingo, logo depois de escrever sobre o congestionamento que haveria na BR116, no trecho de pista única, acabei por presenciá-lo; foram duas horas e meia para avançarmos pelo “gargalo rodoviário” da pista sem duplicação. A precariedade do asfato, com enormes buracos, dificulta ainda mais o tráfego.

Em todas as ocasiões em que surgiam problemas, o meu avô dizia uma memorável frase, com o carinho e a compreensão de sua vida longeva; quando alguém lhe trazia alguma notícia ruim ou problema de difícil solução, ele sintetizava a esperança da resolução futura numa única frase “Não há de ser nada!”.

Após o rodoanel, trafegando pela Bandeirantes, passamos por 3 pedágios; ao todo (ida e volta) gastamos R$ 30,60 para passar pela rodovia. Para tal despesa, entretanto, é nítida a contrapartida; não há buracos e inúmeros serviços de socorro e telefones às margens da rodovia. Isso traduz, na prática, o qüão é eficiente a iniciativa privada frente ao Governo Federal, responsável pela manutenção da BR116. A realidade traduz uma máxima: o Governo é, de fato, o pior gestor de recursos.

A contrapartida do IPVA, outrora imaginada como a manutenção das ruas, estradas e rodovias, é cada vez menor, ainda que a arrecadação de tal imposto cresça a cada ano. Em breve a privatização da BR116 sairá do papel e ganhará forma; sabemos que existirão pedágios. Esperamos, é claro, que hajam as contrapartidas habituais, tal como se vê nas demais rodovias privatizadas. Por outro lado, continuaremos obrigados a pagar IPVA tal como sempre; apesar da “diminuição prática” da presença do Estado (via privatizações) nota-se que os impostos são crescentes…

“Não há de ser nada!” (João Faber – 1916-2008)

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