Variados são os temas trazidos pelos Blocos e Escolas de Samba neste Carnaval; em princípio, isso demonstra a criatividade do pessoal envolvido. Desde o cotidiano do pescador, traduzido pelo seu lado mais festivo (veja o samba do Bloco Arrastão), passando pelo Boi Tatá, que trouxe à avenida uma “Ode à Iguape” em termos carnavalescos e sacudiu a todos ao ritmo de uma brilhante bateria.
“Iguape querida,
Que os foliões aprenderam a admirar,
Convida o povo pra viver essa alegria
E os parabéns da bateria
(catiguria) Amor, eu vou te convidar!”
A E.S. Alvorada também levou às pessoas outro tema expressivo, “Mãe África”, muito bem representado em alegorias, letras e fantasias. A E.S. Querubim, exaltando a natureza, despertou o bom sentimento de preservarmos a natureza. Já a E.S. Primavera, levando a tradição da verde e branco para praça, com notável qualidade na bateria, sacudiu a todos que puderam presenciar o desfile.
Entretanto, alguns blocos ‘criados’ por alguns (de olho na ajuda que o caixa da prefeitura fornece) e com patrocínio de políticos no verso da camisa, sequer dispunham de tema; para o desfile, usaram do carro de som – algumas vezes com reprodução de gravação -, como no caso do Litro, que usou a música tema do Litrão.
Por não dispor de ritmistas, muitos blocos desfilaram ao som do trio elétrico do Som Ilha; por sorte que seis excelentes músicos, dentre eles Chupeta (bateria), Daniela (vocal) e Marquinhos (vocal e guitarra) tocaram variadas músicas, inclusive o axé, a despeito da ‘proibição’ por Decreto da Prefeitura. O importante é que os músicos fizeram um excelente trabalho, alegrando a todos que lá estiveram, ao tempo que desmonstraram (mesmo que não tivessem essa pretensão) que qualquer limite legal à expressão da cultura popular torna-se obsoleto, bem como os seus mandantes.
Sozinha num tema específico, sambou a Prefeitura. Na Rua Nove de Julho, colocaram duas vigas para sustenção de outra, logo acima, numa grosseira (e de gosto duvidável) representação do tradicional portal japonês de vilarejos. Reproduziram alegorias simbolizando as tradicionais lanternas nipônicas e as espalharam pelo centro histórico; na logomarca do carnaval com o sol avermelhado e o branco (referindo-se a bandeira do Japão), incluíram o tema “oficial” do Carnaval “Banzai! Cem anos na terra da folia!” e ”Iguape – Berço da Colonização Japonesa do Brasil”.
Essa última frase faz referência à Lei nº 11.642/2008, de 14 de janeiro, que considera o Município de Iguape, o Berço da Colonização Japonesa no Brasil. O município foi reconhecido como o local de oficialização da primeira colônia japonesa no país, a colônia Katsura, que fica exatamente no bairro Jipovura, em Iguape, às margens do Rio Ribeira. Jipovura sediou o nascimento dessa colonização em 9 de novembro de 1913, cinco anos após a chegada da primeira leva de imigrantes japoneses que atracaram com o navio Kasatu Maru, no porto de Santos/SP, em 18 de junho de 1908.
De tudo, muito importante foi a divulgação dessa ‘distinção’ ao município, apesar de que a adoção do tema (pelo visto, de última hora), não foi seguida por nenhuma das agremiações e, a despeito da honorável distinção, a precariedade dos serviços públicos (remoção de lixo e sanitários públicos, por exemplo) nas imediações do centro histórico deporam contra nosso município. Durante os cinco dias de folia o lixo amontou-se pelas ruas e praças do centro histórico, bem como a “varrição” (aconteceu?) forçada por ocasião das chuvas da noite de domingo. Quanto aos sanitários, notadamente insuficientes para o grande público que lá esteve (mais de 20 mil, segundo a PM), levou à Orla um elevado número de foliões “apertados”!




















