Arquivo do dia: 12/02/2008

Vivas à normalidade!

Ao que parece, afora a ‘gritaria’ na imprensa relativa aos elevados gastos pessoais por intermédio de cartões corporativos (de débitos e créditos), tudo caminha como sempre. Já não assusta mais ao cidadão comum a farra governamental com o dinheiro público (seja ele o Federal, Estadual ou Municipal).

A começar pelos Legislativos, passando pelo Executivo e pelo Judiciário, a temática dos governos não tem sido outra desde o surgimento da República tal como a conhecemos; gasta-se para além do limite da arrecadação, notadamente para satisfação pessoal dos governantes, de onde incluem-se as despesas pessoais dos governantes (e de seus familiares), como “normais”.

Porém, o que poderia ser objeto de indignação passa a ser também de resignação; agora o Presidente Lula vem determinar à CGU (Controlodaria Geral da União) que não divulgue os excessivos gastos dos familares e de seus funcionários mais próximos, tal como se o problema fosse a divulgação e não o uso inadequado do dinheiro público. A questão, relativa ao Portal Transparência, pode dificultar o acesso do cidadão ao uso que fazem do dinheiro (tungado via impostos) da sociedade e confiado a tais gestores.

Curiosamente, essa mesma sociedade que se diz indignada com o excesso de carga tributária (chegará aos 38,5% neste ano), nas eleições conduz aos cargos públicos essas mesmas personalidades que hoje estão ligadas a essa farra. Caso instale-se uma CPI, acerca do uso dos cartões, com toda certeza a morosidade habitual não produzirá efeitos imediatos e seguiremos, por um bom tempo, vendo notíciais sobre tais atitudes.

Ao longo do tempo, a visão acostuma-se ao cenário, seja ele qual for. O fato que surpreendeu já é tido como corriqueiro, como parte da paisagem. Perguntemos aos porcos se eles sabem que vivem num chiqueiro! A tendência, assim, é que a sociedade considere como normais tais situações, que no mínimo são moralmente abusivas, apesar de que “dentro da legalidade” segundo os órgãos de aferição das contas públicas. Porque não comprar boas carnes argentinas e vinho chileno com o dinheiro público? Não nos parece ser normal  que parte dos esforços de uma pessoa que trabalha, subtraído dela via impostos, seja usado para tais farras pelos ocupantes do Governo e seus familiares?