Iguape – Entre o fim de fevereiro e o início de março/2008, quem passou pelo Centro Histórico de Iguape, pela Rua Sete de Setembro, deve ter notado alguns tapumes no casario próximo ao cruzamento da rua com a XV de Novembro, logo atrás do Museu de Arte Sacra. Da mesma maneira, ao final da Praça da Basílica algumas fachadas também foram por alguns dias substituidas por outras, construídas em madeiras e tintas. Tais elementos visuais transformaram as ruas centrais da histórica cidade de Iguape em uma versão nacional de vilarejo do deserto chileno do Atacama. A equipe da produtora CINE, sob a direção de Clóvis Mello, usou quase 200 metros de cenário, que funcionou como palco para a gravação do novo comercial do HSBC, que divulga o seu HSBC Premier, produto voltado para pessoas de alta renda.
A comunicação, criada pela agência JWT Brasil, dá destaque à internacionalização do produto. O filme ressalta que com apenas uma ligação os clientes HSBC Premier podem contar com a assessoria financeira da instituição em qualquer lugar do mundo, não importa onde estiverem.
No comercial, um brasileiro sai de Recife e vai ao deserto do Atacama, no Chile, onde não chove há 703 dias. Passeando pelo lugarejo, descobre uma loja de guarda-chuvas totalmente vazia e à venda. O estoque está cheio e o dono desanimado. O cliente HSBC tem uma idéia e liga para seu gerente Premier, que o orienta a fechar negócio. O negócio, que foi transformado em uma escola de frevo, prosperou.
A produtora usou, gratuitamente, dos espaços públicos e da boa vontade da municipalidade. Não houve, ainda assim, qualquer identificação visual que divulgasse ao município. Autorizar às produtoras que usem dos espaços públicos, sem ao menos filmarem ao Patrimônio Histórico que há no local, é uma estranha forma de ceder gratuitamente aos interesses privados o uso do bem público.




















