Editorial da semana
O filólogo francês F. Saussurre, um dos criadores do estruturalismo, conceituou signo como a fusão de significante e significado. Assim, fica compreendido que significante é a estrutura física de um léxico, ou seja, as letras que compõem uma palavra e significado é o sentido cultural da palavra. Na palavra garçom, por exemplo, o substantivo em si é o significante e o significado é “o homem que serve as mesas de um restaurante”. Claro fica que o significado é construído, por meio de uma cadeia de simbolismos e representações, ao longo de toda a vida de um indivíduo em seu meio cultural. Contudo, o teórico Roland Barthes postula que as gerações criadas pelas mídias de massa apreendem significantes parcialmente destituídos de significado, ou seja, compreendem uma função de dado substantivo sem a conscientização da complexidade de seu sentido num contexto geral.
Dessa forma, são incapazes de perceber que a escola, por exemplo, não funciona apenas para instruir teoricamente e capacitar praticamente os indivíduos para exercerem profissões, mas funciona também como veículo de transmissão de uma ideologia hegemônica, cuja finalidade é adaptar o sujeito à ordem social vigente que, de tempos em tempos, sofre determinadas vicissitudes. Esses indivíduos, incapazes de perceber as sutilezas das imposições sociais, tornam-se fácil massa de manobra de grandes políticos e empreendedores capitalistas, que conseguem aniquilar toda a sua autonomia, solapando seu senso crítico e restringindo seus múltiplos anseios humanos a desejos de consumo, status e performance. Com efeito, observamos jovens que se deixam escravizar por objetos de consumo e pelo desejo de pertencer a uma posição de destaque social, enquanto permanecem politicamente analfabetos, acríticos e sem opiniões próprias, ou com opiniões mal fundamentadas. São também fortes candidatos ao engajamento em movimentos politicamente fascistas e religiosamente fanáticos.
A única esperança de reverter esse processo social assombroso depende da postura de meios de comunicação responsáveis, que devem educar o homem para o conhecimento crítico e para as mais diversas concepções ideológicas, respeitando a divergência, o contraditório, a opinião das minorias e os verdadeiros anseios sócio-políticos da maioria. Enfim, as mídias precisam, mais do que ensinarem, concomitantemente aos professores, os homens a pensar, revelar e respeitar a autonomia de cada ser pensante, ao invés de os induzir a pensar de acordo com os modelos dominantes.





















será que esse ” meios de comunicação responsáveis” que vc fala quer dizer também “JORNAL ILHA COMPRIDA” ???
aBRAÇOS