O poder é algo que se aprende desde cedo, nas relações primordiais com pai e mãe. A psicanálise provou que os meninos inicialmente se submetem ao poder paterno devido ao temor de perder o afeto materno e, posteriormente, identificam-se com sua figura e a introjetam, com o secreto desejo de tomar seu lugar.
Percebemos que o poder se estabelece na psique humana como um simbolismo que permite ao homem evitar o temor das perdas e das rupturas e realizar – de modo possível – os desejos que se aninham em seu inconsciente, na teoria psicanalítica. Podemos reduzir a um denominador comum todas as esferas humanas de poder, edificadas a partir dos mesmos simbolismos, moral e psicológico.
Em síntese, o poder moral exercido por um homem sobre outros de sua comunidade é semiológico, ou seja, materializa-se pela palavra: uma ordem, uma injunção, um mandamento, um imperativo, um elogio, uma crítica, uma simples sugestão.
O discurso utilizado, no que tange à sua forma e ao seu conteúdo, depende da natureza da personalidade de quem o profere, e das suas intenções gerais e específicas. O homem que deseja exercer poder de conquista afetiva sobre uma mulher, a elogia, a presenteia com palavras, mostra-lhe o melhor de seu caráter; o político que deseja manter sua popularidade, com o escopo de ampliar seu poder público, faz promessas e preleções demagógicas; o diácono que pretende manter fiéis convictos em sua igreja, faz preces e discursos comoventes para manter a sujeição do rebanho aos seus dogmas.
Enfim, o exercício do poder – nos mais variados níveis e categorias – é um consenso social, já que todos gozam de seus benefícios. No entanto, existe um grupo minoritário de homens que – desde o início do século passado – desenvolvem, apreendem e divulgam teorias anarquistas, cujos postulados defendem a eliminação de todos os poderes de controle e dominação. Homens como Bakunin e Malatesta travaram uma verdadeira cruzada moral contra os ideários estadista, econômico e religioso.
Em sua obra “Deus e o Estado”, Bakunin infere que o homem nasceu para ser livre e se tivéssemos uma sociedade que propiciasse obrigações, recursos e oportunidades iguais a todos, sem o subjugo estatal que ocorreu nos regimes socialistas, os homens seriam realizados e todos desenvolveriam o melhor de seu potencial. Não obstante, as teorias anarquistas sofreram descrédito por grupos de poderosos políticos e empresários, que o associaram a um regime caótico, caracterizado pela preponderância dos mais fortes, já que não haveria legislação institucional. Na realidade, é o nosso sistema político autoritário que favorece os mais fortes e a anarquia seria o único contraponto histórico à dominação popular.
Nos dias atuais, pouquíssimos acreditam na liberdade, pois se tornaram tão submissos às hegemonias político-econômicas que sequer saberiam o que fazer se não mais recebessem ordens de superiores. Aqui também atua uma motivação psicanalítica, pois derrubar todas as formas de poder autoritário, implicaria, na interpretação dos subjugados, em realizar o assassinato simbólico da figura paterna e a maioria dos indivíduos sucumbiria de remorso e culpa.
No entanto, se não houvesse tanta repercussão social contrária ao anarquismo, a maioria dos indivíduos compreenderia que ao invés de matar simbolicamente o pai autoritário, poderia substituir sua personalidade por outra, amorosa e amante da liberdade coletiva. É uma pena que não consigamos sequer tentar estabelecer uma sociedade realmente livre e igualitária, pois a maioria dos homens temeria pela própria felicidade, tão acostumada que está a padecer por enriquecer e contribuir para o poder de um sistema frio, perverso e alheio aos seus interesses e desejos naturais.
























Isso é só mais uma teoria, pelo que eu percebo as pessoas inconscientemente não seguem lei nenhuma apenas fazem o que manda o seu bom senso algumas agem por má índole, mas é uma minoria colocada em evidencia pela mídia quanto em relação ao Estado e empresários elas só aceitam porque são coagidas ou por que não conseguem outra saída, quanto ao poder do amor os anarquistas históricos nunca foram contra pelo contrário chamam isso de “associação voluntária” bem diferente da obrigatoriedade, mas quem nos dera nunca crescer, ser uma eterna criança e ter algo ou alguém que nôs carregue no colo, mas a realidade não é essa e o Estado está bem longe de ser um “pai exemplar”.