A Polícia Rodoviária Federal (PRF) surpreendeu na noite de sábado, 9, dois homens transportando ilegalmente cerca de 140 quilos de palmito do tipo Jussara na região do município paulista de Juquiá, no Vale do Ribeira. Acondicionado em 78 vidros, o produto era levado em uma picape. A PRF descobriu o caso após parar para verificar o carro, que estava estacionado no acostamento da Rodovia Régis Bittencourt, na altura do km 408, no sentido da capital paulista. O pneu dianteiro do lado esquerdo estava furado. Ao revistar o veículo, os policiais encontraram o palmito. O motorista Aquilino Dias e Edvaldo dos Santos Pereira, que o acompanhava, foram levados ao 1º Distrito Policial de Juquiá, onde seriam autuados por crime ambiental. O carro e o palmito foram apreendidos.(1)
Devastação ambiental e riscos para saúde
Do caule das palmeiras nativas da Mata Atlântica é extraído esse tipo de palmito. São aproveitados somente um vigésimo de sua imponente estrutura; com isso, da grande floresta que se estendia ao longo do litoral temos menos de 8% da área havida em 1500, quando os portugueses aqui chegaram. A devastação do palmito acarretará a destruição da área de reserva ambiental da região do Vale do Ribeira, pois muitas outras espécies vegetais e animais sobrevivem em razão das palmeiras, tal como o tucano.
A exploração predatória desse produto é uma atividade criminosa, causadora de mortes de palmiteiros e de vigias. As reservas florestais são invadidas, rouba-se o palmito e o embalam sem cuidados de higiene. Ao trafegarmos pela SP 222, trecho Biguá-Iguape, não raro encontramos palmitos à beira da extradas. Em certo grau, a devastação conta com o descaso da fiscalização; afinal, basta passar pela estrada para ver as toras de palmito recém cortadas à disposição de quem queira comprá-las.
Um recurso comum para evitar a polícia ou a fiscalização, quando não expôem as hastes nas rodovias, os palmiteiros tratam o palmito na própria floresta. O produto é colocado em uma solução de água de córregos – muitas vezes contaminada por processos naturais, como apodrecimento de folhas – com sal e conservantes. Depois, ele é fervido de forma precária, colocado em vidros e recebem, ainda na floresta, rótulos obtidos ilegalmente. O maior risco para a saúde é o de contrair infecções que podem ser fatais, tal como o botulismo.
(1) Agência Estado




















