Passadas sete semanas da votação – o dia 22/11/08 marca o 49º dia das eleições-, peço licença ao leitor para escrever sobre as eleições havidas em 5 de outubro último. A necessidade de tal crônica surgiu em razão do clima que paira junto à população “pós-eleitoral”, onde pouco se comemora. A seguir pelas ruas, nada se comenta sobre os programas ou projetos que poderiam contemplar as pessoas com um município melhor para se viver. Essa desesperança e insegurança quanto ao futuro paira nas cabeças de muitas pessoas; assim, marcando os 49 dias, a exemplo dos rituais fúnebres, venho aqui escrever sobre as urnas, em memória, como segue.
Relembrando, na votação para Prefeito nas eleições Iguape, aconteceu a reeleição da Prefeita Bete com 42,57% dos votos válidos; porém, há que se considerar o que os números refletem.
A candidata eleita , quando considerado o total de eleitores, obteve apenas 32,24% do eleitorado. Todos os demais candidatos espelhavam propostas de oposição e presume-se que aqueles que não votaram também não sejam favoráveis à reeleição, visto que estão alheios ao processo. Quando somados os 68,76% dos eleitores, nota-se que a grande maioria (a oposição) foi vencida pela minoria favorável à Dona Bete(situação). Disso resulta que, em cada grupo com 10 pessoas, 3 seguramente apoiaram sua reeleição e outros 7 lhe foram contrários, nascendo o “clima” que relatei no parágrafo anterior.
Por outro lado, a menor parcela que a manteve no cargo, a despeito das denúncias de uso da máquina pública para sua reeleição, indícios de superfaturamento em obras públicas, incorreto gerenciamento do dinheiro público e “otras cositas mas”, pouco manifesta-se no decorrer do cotidiano da administração municipal. Em geral, algum barulho se nota em meio à oposição.
No que se refere às contas públicas, o Tribunal de Contas do Estado reprovou as contas de 2005, onde ela já era vice-prefeita e, naquelas contas, existem desde apontamentos de improbidade administrativa até casos de favorecimento claro à empresas sem idoneidade, como na situação da aquisição de livros didáticos.
Quando observamos a quantidade elevada de 5867 eleitores que não compareceram às urnas ou invalidaram o voto (26%=mais do que 1 em cada 4 pessoas), percebe-se a politização precária do cidadão iguapense. Brancos e nulos foram 1069 eleitores que não souberam votar ou não concordaram com qualquer das propostas apresentadas, apesar de que houve 5 candidatos na disputa. A omissão frente às urnas saiu-se como a grande vencedora, segundo os números.
Há que se respeitar a democracia e o resultado das urnas. Porém, é de se esperar que a Justiça dê seqüencia aos processos já iniciados e aos demais que provavelmente surgirão; a pergunta que surge, então, é a mais simples possível… Teremos quatros com a Dona Bete como Prefeita?

























Caro Julio e leitores,
a democracia, apesar de todos os seus defeitos, ainda é a melhor forma de governo que os seres humanos criaram desde os tempos gregos.
Contudo, a democracia prescinde de participação do povo – sem isso, carrega-se de todos os defeitos da forma de governar.
Cadê o povo ? onde estão os eleitores ? Ser cidadão não é apenas ser eleitor – ser cidadão é cobrar os eleitos ( vereadores e prefeitos) 24 horas por dia – ser cidadão é tratar o prefeito e vereadores com rédea curta, porém com respeito e civilidade e dentro dos limites legais impostos pela Constituição.
PREFEITOS E VEREADORES SÃO SERVOS DA POPULAÇÃO. Foram eleitos para servir e não para ser servidos.
Aliás, nos fundamentos da Grécia Antiga, os governantes não deveriam ser remunerados – deveria ser trabalho voluntário.
Cada cidadão tem a obrigação de ser um cobrador de seu vereador e do prefeito.
Aqueles que foram candidatos e não foram eleitos têm uma enorme oportunidade :desde já sejam duros cobradores daqueles que foram eleitos,juntem-se a população, formem comitês e associações e mostrem ao povo que voces são do povo.
SE OS GOVERNANTES NÃO GOVERNAREM, O POVO DEVE TROCÁ-LOS, POIS O MANDATO É DO POVO.