Escritor Fabrício Carpinejar encantou jovens que participaram da oficina de poesia, em Ilha Comprida

 

Vencedor do prêmio Jabuti 2009, Fabrício esteve na Ilha Comprida na quarta 18/11, conversou com os jovens e explicou que o bom poeta é o que torna o leitor sensível.

Ilha Comprida - O que é escrever poesia para mim? É como vocês fazem: colocar a cadeira em frente de casa. É quando a gente transforma a rua em casa, respondeu o poeta Fabrício Carpinejar. Assim… com imagens,o elemento surpresa e sensibilidade, o poeta surpreendeu os jovens que participaram na quarta 18, da Oficina de Escrita Criativa “Poesia é um Desaforo Bom”.

Com jogos de palavras, testes de escrita criativa e análise de textos de poetas, Fabrício Carpinejar despertou nos jovens mais do que o gosto pela poesia. Os levou a se apaixonarem por ela. “Os jovens pensam que poesia é uma coisa. Poesia é outra coisa. Precisa de conhecimento, de técnica, de compreender o quanto ela é essencial e, finalmente, quando eles entendem, se apaixonam pela forma. A poesia é a mais moderna das formas e a mais difícil pela intensidade, pela concisão. É difícil cortar palavras“, explicou.

A uma platéia atenta, Fabrício lembrou que o que se aprende na escola é que poesia é elogio. Engano. “Poesia é para se aceitar, se reconhecer, a gente se reconhece”, disse. A poesia precisa ainda de simplicidade: “ Precisamos escrever como conversamos”, explicou. Além disso, o poema tem que ter surpresa, tensão, um conflito, uma expectativa e imagens : “Para escrever poemas, não se deve ter medo de sonhar, nem de imaginar. Isso é saúde. Quem tem uma vida imaginativa rica, vai se sair melhor nos relacionamentos. Sempre que tiverem que provar alguma coisa, é importante que vocês usem a imagem”.

É com talento que se surpreende o leitor. “Uma boa história traz surpresas no final . Quando maior a surpresa, maior é o encantamento do leitor. A gente não gosta de histórias que já sabe o final. O poema é um pouco disso, só que concentrado. Lida um pouco com o essencial. Vai lidar com o que as pessoas não reparam , naquilo que está na nossa cara”, explicou.

Fabrício contou que odiava quando, criança, sua mãe colocava sua franja para o lado esquerdo. “Hoje, coloco a franja dos meus filhos do lado esquerdo.Como eu amo o que eu odeio. A Poesia precisa fugir do senso comum, do clichê, do que as pessoas já conhecem, do que elas já sabem. É preciso que tenha derramamento, sentimento, confissão. O improviso da língua, o desconcerto. É preciso reconhecer os nossos defeitos. As virtudes igualam as pessoas. O que as diferenciam são os defeitos”.

Encantamento

A oficina de Fabrício Carpinejar encantou os estudantes “Achei a oficina surpreendente, super interessante. Um contato com um escritor assim instiga a gente a querer conhecer mais, saber mais”, comentou Maria Talita, 16 anos, da Escola Judith Santana Diegues. A estudante Hadassa Franca, 16 anos, também afirmou que a oficina lhe surpreendeu de um jeito bom “A gente percebe que tem muitas coisas ainda para aprender, parece que tudo o que a gente sabe é muito pouco comparado ao que a gente precisa saber. Isso é bom. Dá vontade de aprender mais”.

O programa Viagem Literária é uma realização da Secretaria de Estado da Cultura em parceria com a Divisão Municipal de Cultura. O objetivo é incentivar o hábito da leitura e a formação de novos escritores.

 

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