de Inocêncio Nóbrega
A amnesidade das instituições educacionais e de cultura, em relação aos grandes momentos da nossa história, deve-se a uma ação oficial estratégica, no sentido de esconderem-se circunstanciados acontecimentos, os quais possam comprometer as políticas do governo no setor. Inúmeros são os episódios que são dignos de maiores registros, e é justamente em face dessa negligência das autoridades que entra o compromisso da imprensa, de informar a verdade, não só do que se passa no cotidiano mas, também, do que aconteceu, especialmente em passados não remotos. O Três de Março, no estado da Paraíba, tem sua peculiaridade, e por isso mesmo precisa ser lembrado o máximo, pelas Casas de Cultura, de Educação e de História, educandários e pela mídia em geral . É uma data que não perde para a revolta do Forte de Copacabana, nem para a forjada exaltação dos marinheiros e fuzileiros navais, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, em São Cristóvão, Rio de Janeiro.
Vamos ajudar à Comissão da Verdade, ora em gestação no país, ao dizermos que faltando exatamente 29 dias para o Golpe de 1º de Abril, um grupo de 26 abnegados patriotas, universitários, estudantes e jornalistas, naturalmente convergidos para um trabalho de convencimento nacionalista à juventude e à população, resolveu reagir à anunciada vinda de Carlos Lacerda à Paraíba, elegendo, como Quartel-General de protestos o Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito, em pleno centro da capital paraibana. Encontrava-me entre aqueles. Essa parte da repartição, completamente inerme, a única arma que possuíamos eram as palavras, transmitidas de alto-falantes, os quais sem dúvida contrariaram os interesses dos ultra-direitistas locais, que tinham como certa a visita de seu ídolo, o governador da Guanabara, na época, um dos líderes civis do movimento que derrubou o governo de João Goulart.
A manifestação iniciara-se ao cair da manhã, evoluindo para discursos mais incisivos, porém prometendo abrandar-se logo ao tomarmos conhecimento de que o governante guanabarino resolvera retornar de Salvador. Frustrados, seus adeptos viram na invasão àquela unidade de ensino a saída para conter tamanha decepção. À noite, planejaram violentar-nos, usando um aríete, para arrombarem a porta principal do histórico prédio, por nós devida e internamente calçada com barricadas. Percebendo o ato de truculência, orientado por dois fiéis lacerdistas, o governador da Paraíba, Pedro Gondim, acionou a segurança pública a qual, junto ao coronel Ednardo d’Avila Melo, na época comandante do 15º R.I., (esse mesmo, demitido pelo presidente Geisel, pelo seu envolvimento no assassinato do jornalista Vladimir Herzog, em outubro de 1975), garantiu nossa integridade física. Evidentemente que amargamos, mais tarde, alguns IPMs, com implicações profissionais, acompanhado de suspensão dos direitos universitários por um ano. Esse capítulo da história não traz, dentre aquele conjunto, nomes de peso, como Eduardo Gomes e Siqueira Campos estão para os “18 do Forte”. A imprensa, entretanto, não deixará que se perpetue o esquecimento da efeméride.
* Jornalista




















