Brasil só perde para o Japão na produção de poesia Hai Kai , diz Alice Ruiz

“O velho poço // O sapo salta // O som na água”, Hai Kai – Poesia popular no Japão

“Rede ao vento // Se torce de saudade // Sem você dentro “ Hai Kai – Alice Ruiz

Ilha Comprida – Uma manhã com muita poesia marcou a terça-feira 15/06, no Espaço Cultural Plínio Marcos, com a Viagem Literária que trouxe para a Ilha Comprida a poeta e compositora Alice Ruiz. Com o Espaço lotado, Alice conversou sobre sua paixão pela palavra, o prazer de escrever e os segredos do hai kai, estilo oriental que expressa sentimentos universais em pouquíssimas palavras: três linhas e, no máximo, dezessete sílabas.

Alice Ruiz participa do projeto Bate Papo com o Escritor: Literatura para Todos, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura em parceria com a Divisão Municipal de Cultura. O diretor de Cultura da Ilha, Oda Gomes, abordou o prazer do município estar em seu segundo ano da Viagem Literária. O vereador Miguel Talada (Mig) também prestigiou o evento e falou sobre a oportunidade da população conhecer diferentes estilos e autores brasileiros.

Apaixonada pelo hai kai, Alice contou que o Brasil já é o segundo país com maior produção de poesia, perdendo somente para seu criador, o Japão. “O hai Kai é como uma fotografia em palavras, onde o autor expressa sua arte, sem aparecer nela. Para explicar esse desapego, seria como oferecer as flores assim como elas estão, no jardim, sem cortar”, comparou.

Alice também lembrou experiências acumuladas ao longo de seus mais de trinta anos de carreira, que incluem letras para composições interpretadas por vários cantores brasileiros, a conquista de dois prêmios jabutis de literatura e muita poesia, em 19 livros publicados. No bate papo com os leitores da Ilha, Alice também passeou por clássicos da poesia brasileira e deixou uma dica para os que querem fazer poesia:”Procurem escrever o que interessa aos outros, não nossas questões pessoais, mas o que diz respeito a todos”.

Para exemplificar , a poeta citou trechos de A Procura da Poesia , de Carlos Drummond de Andrade:”Não faças versos sobre acontecimentos/Não há criação nem morte perante a poesia/Diante dela, a vida é um sol estático,não aquece nem ilumina./As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam”. Também citou Mário Quintana, no poema Emergência: “Respira, tu que estás numa cela abafada,esse ar que entra por ela. Por isso é que os poemas têm ritmo- para que possas profundamente respirar. Quem faz um poema salva um afogado”.

Após o bate-papo, Alice Ruiz distribuiu autógrafos, conversou com os fãs e recebeu elogios:”É um grande incentivo para a literatura e um bom estímulo para a juventude gostar de poesia. Achei formidável essa iniciativa. Por isso, trouxemos os estudantes “, disse a diretora do Colégio Cidade de Iguape, Maria Celeste. A estudante Tainá Giroldo afirmou que sempre gostou de poesia e, conhecer uma poeta, foi um momento especial. A Biblioteca da Ilha Comprida conta com os livros “Desorientais”; “Dois em Um” e “Conversa de Passarinhos”, de Alice Ruiz, disponíveis para leitura.

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