A Câmara Temática da Pesca e Aquicultura do Território “Vale do Ribeira promoveu a palestra sobre “Pescado, um novo vetor na economia do Brasil”, proferida pelo professor Luis Sabanay, assessor de Ação Estratégica e Articulação Institucional do Ministério da Pesca e Aquicultura. A palestra aconteceu no dia 5 de dezembro, em Registro e fez parte da programação da Expovale.
O evento contou na abertura com a prefeita de Registro, Sandra Kennedy Viana, o prefeito de Apiaí e presidente do Consad, Emilson Couras da Silva, o diretor do Departamento Municipal de Desenvolvimento Econômico, Daniel Nogueira, o prefeito de Juquiá, Merce Hojeije, o prefeito de Jacupiranga, professor Jesse, o presidente da Aquivale, Antônio de Pádua Nunes.

Para o evento foram convidados todos os prefeitos do Território. Segundo o Articulador Territorial da Pesca e Aquicultura – Vale do Ribeira – SP, Guillermo Denaro, a ideia foi mostrar a evolução dos recursos pesqueiros no mundo, a importância econômica do setor no Brasil, a situação antes e depois da existência do ministério, o potencial de crescimento, os desafios e perspectivas. Ainda segundo Deanaro, no Vale do Ribeira o Colegiado Territorial denominado “Câmara Temática da Pesca e Aquicultura” já organizou um “Programa Territorial de Desenvolvimento Sustentável da Pesca e Aquicultura” que foi apresentado ao Ministro Altemir Gregolin no “1º Encontro Nacional dos Territórios da Pesca e Aquicultura” em Itajaí – SC.
Este programa contempla o frigorífico de Jacupiranga como empreendimento estratégico capaz de articular o setor, tanto da pesca artesanal, quanto da Aquicultura, cujo anúncio de liberação da reforma se deu durante a palestra. “É de conhecimento público que este empreendimento foi construído com recursos federais e nunca funcionou, pois foi projetado sem um plano de negócios e o mais grave é que este empreendimento estava dirigido à produção de filé de Tilápia cultivada”, diz.
Ele explica ainda que o que ocorre é que para tirar um filé, a tilápia deve alcançar um peso mínimo de 700 gramas e isto a deixa muito cara, portanto o filé se tornava pouco competitivo no mercado aberto diante de filé de peixe importado. “Deste modo dificilmente o frigorífico iria funcionar, ainda mais sem contar com um mercado institucional.
Assim sendo, para que este empreendimento se torne produtivo foi necessário articulá-lo com a política de combate à fome praticada pelo Governo Federal, deste modo o novo projeto para fazer funcionar o frigorífico está dirigido também à produção de polpa destinada à alimentação escolar, que vai absorver tanto o pescado cultivado por aproximadamente 800 aquicultores, quanto o pescado capturado pelos mais de 3.500 pescadores artesanais dos municípios de Peruíbe, Ilha Comprida, Iguape e Cananéia”.
Denaro explica ainda que “estimulados pela política de desenvolvimento local desenhada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura e contando com a Política de Alimentação Escolar praticada pelo Governo Federal, hoje esse frigorífico – desde que seja assinado o convênio que tramita na esfera desse Ministério – finalmente poderá servir ao desenvolvimento da economia do Vale contribuindo com o esforço de garantir segurança e soberania alimentar ao povo brasileiro e distribuir renda aos pescadores e aquicultores”, finaliza.
Em sua explanação, Sabanay falou do aumento do consumo do pescado no País nos últimos dos anos que aumentou em 6,3 para 9,2%, em relação ao consumo de proteína de carne vermelha, assim como o crescimento da aqüicultura em 43,8%, entre 2007 e 2009. Também fez questão de frisar o crescimento econômico do Vale do Ribeira. “A região de maior empobrecimento hoje apresenta indicadores de superação e começa a reverter os quadros de pobreza. Há indicadores reais de desenvolvimento”.
Sabanay vê que o Vale do Ribeira precisa de mais alimento com qualidade e geração de emprego e renda para a população”.
Para o prefeito de Juquiá no Vale do Ribeira havia falta de investimentos na comercialização e confiança na produção, mas ele vê que com o apoio do Consad na parte técnica e Codivar pode fazer da pesca um grande investimento econômico. Para Em Ilson Couras, presidente do Consad, a utilização do pescado na alimentação escolar é um grande avanço e que deve ser encorajado em todo o Vale do Ribeira.
Cursos – O Governo Federal por meio do MEC e estudos de demanda do Ministério da Pesca aprovou dois cursos para o Campus UNESP para 2011. Serão o de Engenharia de Pesca e Agrimensura Cartográfica. O anúncio oficial foi feito à prefeita de Registro, Sandra Kennedy Viana, em audiência com o reitor da UNESP, professor Herman Jacobus Cornelis Voorwald, o chefe de gabinete da Universidade, Carlos Antonio Gamero, o vice-coordenador executivo, Gilmar Antonio Rodrigues e o coordenador executivo, professor doutor Sérgio Hugo Benez.
Os cursos funcionarão no prédio novo do campus que está sendo construído e está passando pela deliberação de órgãos superiores para o funcionamento. Inédito no estado de São Paulo, o curso de Engenharia de Pesca trabalha no aproveitamento de toda riqueza lagunar, marítima e continental como fonte de estudo, além de criar, produzir e estabelecer a logística do processo da Pesca. “Poderemos estudar a criação de espécies como o camarão-cinza e de peixes em rio e tanque”.
Os benefícios da implantação do curso na Região passam principalmente na promoção da agricultura familiar que poderá com poucos recursos garantir uma maior produção de peixes com poucos recursos, além de evitar a pesca predatória a partir do manejo. Outros benefícios como a criação de novos empregos e oportunidades surgirão com a chegada dos cursos, aponta o coordenador executivo.
Também sem curso semelhante no Estado de São Paulo, o Agrimensura Cartográfica trabalha com conceitos tradicionais da cartografia, aliado à tecnologia via satélite. “Além da medição topográfica haverá o mapeamento da Região”, explica Benez. “Dentro desta proposta, o rio e o mar da Região poderão ser mapeados, baseado na utilização do GPS”. Não somente o fundo das águas, mas esse recurso garantirá o geoprocessamento do solo, das plantações, garantindo o “mapeamento de fertilidade do solo”.




















