AVADAN aponta mais de R$ 80 mi de prejuízo a Eldorado

No último dia 2, o prefeito da Estância Turística de Eldorado, Donizete Antonio de Oliveira, assinou o decreto de Estado de Calamidade Pública, após a visita da Defesa Civil Estadual.

Com a presença do órgão e com a baixa do Rio Ribeira de Iguape, foi possível constatar os prejuízos que a enchente deixou na zona rural e urbana do município.

De acordo com a Prefeitura Municipal da Estância Turística, o decreto que declarou essa situação anormal teve como base as chuvas intensas nos últimos dias de julho e início de agosto, com um acúmulo equivalente a 128,5 mm em Eldorado, subindo 13,30 metros acima do nível normal do rio. Nas outras cidades da região, o índice maior foi em Barra do Turvo, com 173,25 mm. Em Ribeira chegou a 124 mm; em Iporanga, 114,85 mm e 76,75 mm no Bairro Batatal.

De acordo com a Defesa Civil municipal, houve assoreamento do rio e de seus afluentes, nos leitos do curso da água e erosão fluvial das margens.

A reunião entre as Defesas Civis municipal e estadual e a Prefeitura, fez com que fosse organizada a Avaliação de Danos (AVADAN). Nesse documento foi registrado as áreas afetadas, as causas do desastre, os danos humanos, os danos materiais em edificações, os danos ambientais, os prejuízos econômicos e sociais.

Na zona urbana pode-se conferir o Centro, o Jardim Lorena, o Cecap, Jardim Nova Eldorado, Vila Vicentina, Vila Incomager, Vila Maria, Capão Redondo e Vila Nova Esperança, como áreas afetadas. Já na área rural, os pontos que sofreram danos foram os bairros: Pedro Cubas de cima, Pedro Cubas, Nova Esperança, Sapatu, André Lopes, Nhunguara, Ivaporunduva, Galvão, São Pedro, Pedra Furada, Meninos, Primeira Ilha Margens Direita e Esquerda, Abobral Margens Direita e Esquerda, Ilha Rasa Margens Direita e Esquerda, Bananal Pequeno e os distritos de Itapeúna e Barra do Braço.

Com relação aos danos humanos, sete mil pessoas ficaram desalojadas e 1.500 desabrigadas. Atingindo 2.500 residências, que ficaram danificadas e 30 destruídas, gerando um prejuízo de R$ 17.100 milhões.

Na infra-estrutura pública, quatro edificações da saúde foram alcançadas pelo rio e oito da área de educação. Com relação às estradas rurais, 300 km foram danificadas, gerando uma avaria de R$ 5 milhões. Em se tratando de pavimentação de vias públicas, cerca de R$ 1.300 milhão foi apontado pela Defesa Civil, como gasto. Em edificações particulares, o dano foi estimado em R$ 150 mil, sendo quatro edificações de saúde e duas industriais.

No quesito Solo – Erosão e Deslizamentos foi considerado pela AVADAN, em nível alto, e em Contaminação do solo, médio. E
Desmatamento da Flora, A Avaliação apontou como média.

No que tange Prejuízos Econômicos, R$ 23.300 milhões foram o resultado de danos para a parte da agricultura, abrangendo grãos, cereais, leguminosas, fruticultura e a parte comercial. Na Pecuária (grande porte, avicultura e piscicultura), o valor apresentado foi de R$ 5.930 milhões. Na questão de extração mineral, a produção sofreu uma perda de 500 toneladas, revertido em reais, o total é de R$ 2 milhões.

“O prejuízo na fruticultura, nas plantações de banana, que é o setor econômico de maior relevância do município, foi muito grande”, informou o prefeito. Ainda segundo o chefe do executivo, na piscicultura, perdeu-se a produção de pacu, tambaqui, tilápia, entre outros, em virtude do rompimento dos tanques de criação. “Na parte de extração mineral, houve a paralisação das atividades, interrompendo o fluxo comercial de areia”, comentou.

Ainda na AVADAN, foi constatado que o comércio e o turismo local foram atingidos (R$ 5.500 milhões). Para Oliveira, o turismo rural foi extremamente prejudicado, pois aconteceram muitos cancelamentos de reservas na rede hoteleira e, consequentemente, a diminuição de turistas.

Em torno de R$ 1 milhão foi o prejuízo de 2.500 metros de rede de distribuição, três unidades de estação de tratamento e 5 mil m³ de manancial. Em energia, 100 metros da rede de distribuição e 2.200 consumidores ficaram sem energia. Isso rendeu um dano de R$ 500 mil.

“Também tivemos avarias no atendimento de assistência médica e na prevenção. Na educação, cinco mil alunos estão sem aula”, enfatizou o prefeito.

Para finalizar a AVADAN, foi concluído que a enchente trouxe ao município uma quebra de ciclo econômico, devido à perda material. “Isso acarretará uma sequência de inadimplências, interferindo drasticamente na economia local”, contou a Defesa Civil de Eldorado.

Além disso, a Avaliação de Danos explicou que o excesso de água trouxe danos intensos nas estradas rurais, deflagrou processos erosivos, deslizamentos de terra nas estradas rurais, trazendo prejuízo ao transporte escolar da zona rural, abastecimento de água nos bairros rurais mais distantes, impossibilitou a coleta de lixo na área urbana e rural e afetou o atendimento médico preventivo (ESF). Na zoa urbana, foi constatado que houve danos graves nas residências, afetando a estrutura e acabamento, ocasionando perdas de móveis e utensílios domésticos, deixando aproximadamente, 2.500 moradias comprometidas.

Todos os dados comprovaram que 14.600 pessoas foram afetadas e os prejuízos totais chegaram a R$ 80.619 milhões.

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