Ação articulada consegue recolocar bananicultores pequenos no mercado

Miracatu – Ações do Sindicato dos Produtores Rurais de Miracatu, da Associação dos Bananicultores – Abam, aliadas a programas governamentais, vêm conseguindo mudar a história, principalmente, dos pequenos agricultores locais. Além de recolocá-los no mercado, as ações são responsáveis por agregar valor à produção, permitindo que eles ofereçam um produto com boa apresentação e melhor qualidade. Com isso, todos ganham, inclusive o consumidor.

Além do Sindicato e da Associação, o setor conta também com a atuação de uma cooperativa. Esta atende os médios e grandes produtores. Hoje, a cooperativa já conta com box de comercialização em São José dos Campos, e em Taubaté, ambas no interior paulista.

Largados aos ventos do mercado, num passado recente, por desestímulo muitos pequenos produtores chegaram até a largar seus bananais. Muitos foram vencidos pelo alto custo dos insumos e a dificuldade de escoamento da produção. Há pelo menos três anos, esta situação vem mudando. Hoje, grande parte dos cerca de 200 produtores de Miracatu participam do Programa Nacional de Agricultura Familiar. Organizados na Abam, eles se reúnem semanalmente na sede do sindicato, e ali, recebem orientações, são convidados para cursos e eventos técnicos e acertam o atendimento de cotas de fornecimento.

Conforme Isnaldo Lima da Costa Jr, presidente da Abam, a Companhia Nacional de Abastecimento – Conab adquire a produção dos agricultores inscritos no Pronaf e destina o produto a entidades cadastradas em todo o Brasil. Com isso, os produtores têm um cliente cativo, com entregas semanais. Nas reuniões no sindicato, são feitas as distribuições das cotas. Na semana passada, eram necessárias 400 caixas de banana nanica e prata. Os agricultores que estão com banana em ponto de corte, se apresentam e se comprometem com o fornecimento de determinado número de caixas. Sempre de forma que, num sistema de rodízio, todos possam entregar e receber.

Para alguns agricultores, usando do ditado popular, o Pronaf veio para salvar a lavoura. “Para produtores pequenos como a gente, é uma benção. Se a gente fosse tirar a nossa banana para o mercado, teria dificuldade. Na Conab, entregamos caixas de 20 kg e o preço é justo. Se formos entregar para o feirante, ele quer a caixa de 25 kg a 30 kg, e o preço é lá embaixo”, afirma Valdecir Pacheco. “Não chega nem à metade do preço pago pela Conab”, confirma José Bernardes Alcântara. “Para nós, foi uma beleza; o sistema veio para salvar. Tinha muita gente largando a banana no mato”, afirmou.

Conforme o engenheiro agrônomo da Casa da Agricultura, órgão da Prefeitura local, Ederson Ferrigno, cada produtor pode fornecer à Conab até R$ 4,2 mil anualmente. Para participar, ele não pode ter mais do que dois funcionários registrados e 70% da renda dele tem de advir da agricultura. Conforme Ferrigno, atualmente tem havido empenho na comercialização, a fim de que o produtor tenha retorno financeiro para reinvestir na plantação. “Com isso, conseguimos resgatar produtores que já estavam fora do mercado. Eles tinham produção, mas se descapitalizaram e a qualidade do produto caiu demais, deixando-os de fora na seleção feita pelo mercado”, explica. “Conseguimos quebrar um círculo vicioso: ele não cuida porque não tem e não tem porque não cuida. Agora, ele tem o recurso para aplicar e melhorar a qualidade, voltando ao mercado como um produtor normal”.

Ainda conforme Ferrigno, outros programas também ajudam na manutenção do pequeno produtor. Hoje, 30% da merenda escolar devem ser adquiridos da agricultura familiar, mais um mercado cativo para o produtor rural. Além disso, a Casa da Agricultura está investindo também em diversificação, com estímulo à produção de hortaliças.

Para Isnaldo Lima Jr, o sucesso dos projetos se deve ao fato de hoje haver uma atuação coesa dentro de um sistema que engloba uma cooperativa, a associação e o sindicato. Ele aponta o presidente do sindicato, Tico Bala, como grande articulador deste sistema. “A associação existe desde 75, mas passou um período adormecida, e o sindicato também. Foi com o Tico que a gente conseguiu dar uma reestruturada neste sistema. É uma atividade em que todo mundo busca o lucro, o resultado, o individualismo. Ele conseguiu passar uma visão de que muitos dos problemas que a gente vive individualmente, se a gente conseguir juntar, lutar em conjunto, a gente consegue resolver com um pouco mais de facilidade. Ele conseguiu passar isso”, afirmou.

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