Bu(a)rragens (1)

Pelos três próximos dias abordarei a circunstância que cerca o Rio ao qual emprestamos o nome da cidade. Em três partes, até 03/12/07, escreveremos sobre o Ribeira e Valo Grande – a primeira e maior obra hidráulica do Estado no Século XIX -, pela qual os impactos ambientais ainda são visível atualmente.

O Rio Ribeira

“O rio da Ribeira do Iguape nasce na Serra do Paranapiacaba, no Estado do Paraná, e deságua no Oceano Atlântico, no litoral sul do Estado de São Paulo, percorrendo uma extensão total de 470 km, sendo 130 km em terras paranaenses, 250 km em território paulista e 90 km em divisa entre os dois Estados. A abrange uma área total de 24.980 km2, dos quais 15.480 km2 (62%) pertencem ao Estado de São Paulo e 9.500 km2 (38%) ao Estado do Paraná. O principal tributário do Ribeira é o rio Juquiá, cuja foz está localizada 10 km a montante de Registro, abrangendo uma área de contribuição de 5.280 km2. A vazão mínima (Q7,10) é de 153 m3/s, enquanto que a vazão média total da bacia é de 508 m3/s, que corresponde a cerca de 17% da vazão média total do Estado de São Paulo.

“A bacia do Ribeira abrange 23 municípios paulistas e 5 paranaenses. A população total da porção paulista da bacia foi estimada em 307.000 habitantes, segundo o censo demográfico de 1991, sendo 180.000 habitantes na área urbana, com taxa de urbanização de 59%, muito abaixo da média estadual, de 93%. A densidade demográfica é de apenas 18 hab/km2, muito menor que a média do Estado, de 127 hab/km2, e equivalente à das regiões mais rarefeitas em população do país.” (1)

Existem alguns projetos visando ao barramento do Ribeira, para fins energéticos, conforme o mapa abaixo:

barragens-do-ribeira.png

Embora os estudos já ultrapassem duas décadas, as barragens não foram concluídas, o que em parte conteria o fluxo das cheias para alguma finalidade e, em contrapartida, aliviria os efeitos para a população ribeirinha.

De toda forma, a bacia do Ribeira, ao chegar nas proximidades de Iguape – chamada de baixo Ribeira -, possue um enorme problema local para dar vazão às águas do Ribeira, com enormes impactos ambientais. Alguns ambientalistas tratam da existência do Valo Grande como “a maior catástrofe ambiental do sul de São Paulo”. Não é para menos; durante milhares de anos o lagamar (Mar Pequeno ou de Dentro) esteve desempenhando o seu papel crucial de berçário para inúmeras espécies marinhas. Após a construção do Valo Grande, gradativamente o ambiente deteriorou.

Por vezes, quando falamos em ‘meio ambiente’ nos esquecemos da principal definição desses termos, acerca de que ‘meio’ seja o expediente de interação entre seres vivos (animados e inanimados) e que ‘ambiente’ refere-se ao conjunto de variáveis naturais que permitem à vida, em todas as suas formas, manifestar-se. Nisso, o meio ambiente inclue o próprio ser humano, apesar de que, por vezes, o Homem é tratado de forma ‘excludente’ ao observar-se a questão ambiental; essa lógica perversa, da qual ‘retira-se’ o ser humano das análises, rejeita instintos mais básicos do ser humano – senão os mais importantes -, o de sobrevivência e de auto-preservação. Em razão disso, a degradação ambiental persiste, mesmo que hajam proteções legais. As políticas públicas de uso do ambiente precisam contemplar o papel que ser humano, nele inserido, irá desempenhar.

Alguns transtornos imediatos e a médio prazo podem ser previstos por RIMAS/EIAS – relatórios esses que estão atualmente em questionamento pelas autoridades ambientais. Porém, a longo prazo, o que percebe-se é a acelerada deterioração da qualidade de vida das pessoas, nitidamente pelo estreito vínculo de dependência (ainda que relutante) que os seres humanos têm sobre as condições ambientais.

(continua)

(1) http://www.daee.sp.gov.br/cgi-bin/Carrega.exe?arq=/acervoepesquisa/relatorios/revista/raee9904/ribeira_do_iguape.htm

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