Estudo divulga regiões do Vale com população infectada por minérios

O Instituto de Geociências (IG) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está desenvolvendo um estudo para detectar as regiões no Vale do Ribeira que apresentam focos de contaminação ambiental e humana causadas por chumbo e arsênio.

A pesquisa, divulgada pela revista eletrônica ComCiência www.comciencia.br, foi desenvolvida em parceria com a Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (FCM), o Instituto Adolfo Lutz, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o Serviço Geológico do Brasil. O estudo mostrou altos índices de contaminação de poluentes metálicos na população, já que algumas áreas da região são conhecidas pela intensa atividade de mineração voltada para a produção de chumbo, zinco e prata.

Segundo disse à Agência FAPESP o coordenador do trabalho e professor do IG, Bernardino Figueiredo, o objetivo central é traçar três pilares de atuação no Vale do Ribeira: um mapa geoquímico com base em análises de sedimentos de rios; um atlas de zoneamento Geoambiental que consiste em classificar as diferentes áreas do meio físico procurando suas características naturais; e, por fim, verificar o impacto sofrido pelo meio ambiente pela atividade de mineração de chumbo na região. Com isso, será possível promover políticas públicas que beneficiem o meio ambiente e a saúde da população local.

“O projeto está contribuindo para que a tomada de decisões econômicas do Vale do Ribeira, por parte do poder público, seja orientada com base em diagnósticos científicos de planejamento urbano”, disse Figueiredo “A idéia é fornecer informações que auxiliem os gestores públicos no desenvolvimento social de uma das regiões mais pobres do Estado.”, afirma Figueiredo.

Na pesquisa, Paisagens Geoquímicas e Ambientais do Vale do Ribeira: Avaliação e Prevenção de Riscos para o Meio Físico e Saúde Humana relacionados a Exposição ao Arsênio e Metais Pesados, Figueiredo utilizou como metodologia uma série de amostras de sangue coletadas de crianças da região. De acordo com os resultados, 24% das amostras mostraram que o nível de chumbo no sangue é superior a 10µg/dL (micrograma por decilitro), um número considerado de risco à saúde. Também foi concluído que, mesmo com o trabalho de mineração tendo sido encerrado há sete anos nas comunidades rurais analisadas, 60% da população que mora perto da refinaria de chumbo ainda está exposta ao metal.

O projeto foi financiado pela FAPESP. “A Fundação nos cedeu cerca de US$ 156,5 mil para a importação de equipamentos e material de consumo, além de mais R$ 220 mil para as despesas de transporte, trabalho de campo e despesas com as análises de material biológico humano e ambiental”, disse.

Os resultados da pesquisa serão apresentados em dois eventos internacionais de geologia, onde serão discutidos os resultados de estudos em geociências sobre o meio ambiente, desenvolvidos em vários continentes. Trata-se do VI Simpósio Internacional de Geoquímica Ambiental, em Edimburgo, na Escócia, entre 7 e 11 de setembro, e a reunião anual da Comissão de Geociências para a Planificação Ambiental (Cogeoenvironment), da União Internacional das Ciências Geológicas (IUGS), em Vilna, capital da Lituânia, entre 12 e 18 de setembro.

 

2 Responses to “Estudo divulga regiões do Vale com população infectada por minérios”

  1. De fato, é impossível ignorar o problema, tanto mais que antigo. Porém, quantas são as pessoas realmente contaminadas e como estão passando as vítimas? Ou será que estamos todos contaminados e ainda não sabemos?! Estranhamente, isso nunca é informado, o que não deixa de ser curioso. Na realidade, nota-se um padrão na repetição dessa notícia de contaminação e, volta e meia, o alarmismo dá as caras nas manchetes da imprensa. Porém, sem maiores questionamentos sobre o que, afinal, foi inventariado de concreto e as providências tomadas até aqui. Parece que quando as instituições universitárias conseguem alavancar recursos públicos para “pesquisas” e se põem a reestudar pela milésima vez o mesmíssimo problema, o problema desaparece. Acabado os recursos, ressurge o problema e “pesquisadores” botam a boca no trombone alardeando contaminação. E assim prosseguimos nesse círculo vicioso infernal, que lembra o personagem de Moliére: são tantos os diagnósticos e morro sem saber ao certo de quê!

  2. Esta notícia é sempre requentada. Há mais de 30 anos já se falava nisso, bem antes do fechamento do Valo. Existe embolorado no ministério público daqui um processo sobre este mesmo assunto. Nunca andou. Um escreveu uma coisa, outro requentou e assim ficou. Mas que tem o processo tem. Essa noticia aparece cada vez que gente quer aparecer.

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