AO CORRER DA PENA

“Sortilégios e Tesouros”

Sábado, dia 7, fui a Miracatu prestigiar o lançamento do livro “Sortilégios e Tesouros”, de meu prezado amigo e grande poeta Júlio César da Costa. Muita gente, amigos, escritores, artistas abrilhantaram a concorrida noite de autógrafos. Cultura, poesia, boa música. Encantei-me especialmente com “Tucano de Ouro”, música que Antônio de Lara Mendes compôs tendo como tema a conhecida lenda da Juréia. Lara e Júlio interpretaram a música, que arrancou calorosos aplausos do público. Júlio declamou vários de seus poemas, provando que, além de poeta e declamador, também é um excelente ator. Fiquei feliz com a promessa da prefeita Déa de dar todo o apoio à futura Academia Valerribeirense de Letras. Com a colaboração de todos os que acreditam na cultura, essa idéia logo dará os seus frutos. Afinal, cultura não é coisa supérflua: é parte integrante do ser humano. Parabéns, amigo Júlio! E fico esperando pelo seu próximo livro.

Academia de Letras

No último sábado, recebi a visita dos poetas Jehoval Júnior e Osvaldo Matsuda. Conversamos sobre cultura e literatura do Vale do Ribeira. E enfatizamos o acalentado projeto da fundação da Academia Valerribeirense de Letras. A idéia parece que já nasceu vitoriosa, haja vista o número de escritores, poetas, músicos, jornalistas e divulgadores culturais que vem aderindo. Para setembro ou outubro está previsto um fórum cultural para discutir e formatar o projeto. Se tudo correr bem – e tudo está correndo de acordo – a previsão é que a Academia Valerribeirense de Letras seja oficialmente fundada no dia 31 de agosto de 2010. A data é bem representativa. Francisca Júlia nasceu nesse dia. Avante, literatos!

Fechando bares

Em Goiás, a Polícia fechou grande quantidade de bares que funcionavam sem alvará. Essa medida acertada, com certeza, concorrerá para a diminuição da violência naquela Capital. É notório que comerciantes inescrupulosos, na ânsia de ganhar uns trocados, não hesitam em vender álcool a menores de idade. E um jovem “turbinado” pelo excesso etílico (além de outros produtos pouco recomendáveis) é capaz de provocar brigas, arruaças, além de praticar roubos, furtos e até assassinatos. Essa medida salutar da Polícia bem que poderia ser copiada aqui no Vale do Ribeira. Basta andar pelas cidades da região e constatar que existe um bar em cada esquina. E a grande maioria desses estabelecimentos será que possui alvará de funcionamento? Cabe às Prefeituras, em parceria com a Polícia, fechar esses comércios ilegais que fomentam a degradação de nossa juventude.

No retratista

Adolpho Chator foi um retratista que viveu em Iguape em plena Belle Époque, ou seja, de fins do século XIX à primeira década do século seguinte. Era retratista. Nos dias atuais seria chamado, grosso modo, de fotógrafo. Depois da morte do naturalista Ricardo Krone, em 1917, Chator comprou a Pharmacia Popular, pertencente àquele, situada num belo sobrado, no Largo da Matriz. Mas voltemos ao lusco-fusco do século XIX, mais precisamente ao ano de 1898. Três matutos batem à porta da Photographia Chator. “Mecê é que pinta a gente?” – perguntou um deles. “Sou, sim, por quê?” – respondeu Chator. “Nós qué sê pintado tudo junto” – explicou o matuto. “Ah, já sei, querem em grupo?” – perguntou Chator. “É mêmo” – prosseguiu o matuto -, “assim em quadrúpede…”.

Trabalhos de agulha

“Quando publiquei a minha primeira poesia, uma balada à antiga, um dos nossos poetas, Severiano de Rezende, que, falemos a verdade, nunca fez bons versos, dedicou-me algumas linhas pela imprensa, em que me aconselhava que não escrevesse assim, se não me falha a memória: ´Minha senhora, há ocupações mais úteis, dedique-se aos trabalhos de agulha´. É inútil dizer que não aceitei o gentilíssimo conselho…” (Carta de Francisca Júlia a Valentim Magalhães, editor da revista “A Semana”, do Rio de Janeiro, em 9-4-1894).

Nícia em Paris

“Paris é bonito e sedutor. O movimento nas ruas é extraordinário. As casas artisticamente feitas são muito elegantes; as ruas muito direitas, largas e bem calçadas. As lojas e cafés são deslumbrantes, reinando em toda parte grande animação. Estamos no inverno. As árvores não têm uma única folha; amanhece às 8 horas e às 4 da tarde já é preciso luz! O sol aparece pálido e frio, e por vezes tenho visto cair neve. Tenho bastante saudade das minhas verdes árvores, do sol quente e claro do meu Brasil; enfim é preciso suportar tudo pela arte que tanto adoro!” (Carta de Nícia Silva, cantora lírica nascida no Vale, ao maestro iguapense Joaquim José Rebello, seu velho mestre, em 1904).

Frase

“Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro.” (Albert Camus, escritor argelino de expressão francesa, Nobel de Literatura em 1957)

(JORNAL REGIONAL, nº 813, de 13-2-2009).

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Uma resposta para “AO CORRER DA PENA

  1. Dirijo com meu marido,ex-jornalista ,entre outras empresas,do Jornal da Tarde,Tv-Globo e Imprensa Oficial, a Editora Maturidade que publicou,em 2006,o livro de memórias “Às Margens do Ribeira”, de Walter Barbosa,nascido em Eldorado (a época, Xiririca). Gostaríamos de ter seu endereço para mandar esse livro e também o último que publicamos, “Companheiros de Viagem” , que também tem ligeiras referências a Iguape. Trata-se de um trabalho em dois volumesde Oswaldo Lourenço,ex-líder sindical dos portuários santistas, cassado, preso e torturado pelo regime militar.
    (Isto já está ficando meio longo, mas preciso esticar ainda mais.)
    Nos finais dos anos 1970, conheci Iguape, acompanhando meu marido para uma pesquisa sobre a história dos cinemas do interior, trabalho para a Imprensa Oficial. Voltei em 1980, num trabalho que ele fez para a revista Estrada, da Scânia. Anos depois, ele voltou para outra reportagem “A Cidade dos Tetos Floridos” e viu aquela revista fazendo parte do acervo da Secretaria da Cultura.
    Ele nasceu em Iguape, mas foi criança para Eldorado(então, Xiririca) onde foi vizinho de João Albano Mendes, na época, o jovem intelectual de Xiririrca.
    1o. pedido: Pretendemos publicar um livro, no estilo do “romance de não ficção” sobre os faiscadores de ouro que saiam de Iguape para subir o Ribeira. Gostaríamos de suas indicações de todos os livros sobre a história de Iguape e onde consegui-los. Seus trabalhos jornalísticos sobre a mesma histórias seriam também inestimáveis subsídios. Há algum arquivo histórico na cidade?
    2o. pedido. o Walter Barbosa do livro Às Margens do Ribeira é muito tímido e nem sabe que estou escrevendo isso. Seria possivel ligá-lo de alguma maneira ao seu movimento?
    3o.pedido. Você sabe alguma coisa sobre uma escritora chamada Dulce Carneiro nascida em Eldorado (Xiririca) que teve certa notoriedade na decada de 40 passada?

    Em tempo: estamos também preparando um livro fotográfico, tamanho grande, bilingue (inglês-português) sobre os quilombos da Vale. Temos ainda na Internet o Site Almanack Paulistano com uma cronologia de Xiririca. Entretato, nossa micro-editora não se dedica só ao Vale. Do nosso pequeno catálogo, fazem parte também livros sobre ~envelhecimento humano, sexualidade, cinema, contos etc. E acho que é mais do que tempo de encerrar.
    Atenciosamente.

    eliaa Haddad Galvão

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