O possível se faz agora

Crônica de Antonio Rochael

Madrugada em Iguape. Três horas e trinta minutos de um final de semana fria e chuvosa. O silêncio dos humanos já havia acabado. Ouvia-se somente, o barulho das águas nos telhados e nas calçadas, era a chuva intermitente que caia.

Ao longe, ainda se percebia o ronco irritante das motos e de vez em quando, os motores de um automóvel que passava. Mas adiante, no horário avançado do amanhecer ainda se notava alguém pelas ruas da cidade, a procura de dinheiro ou a procura de alimentos ou bebidas.

Sacos e baldes de lixo que se encontravam pendurados nas portas de residências e bares eram então, o alvo daqueles que ainda queriam enganar a fome e sobreviver.

No silêncio e com uma profunda reflexão, chega a minha mente, uma idéia de mudança a se fazer politicamente, no intuído de minimizar todo esses entraves e carência que nos deixam pasmados e perplexos…

Eu ainda, mesmo considerado errado, penso assim: Não cabe para este momento cursos de danças e theatro, com verbas destinadas, isto deveriam ser opções particulares e secundárias e não prioridades, pois não é esse tipo de cultura que o povo precisa e deseja com verbas públicas. Isso não trás nenhum benefício ou retorno a curto e médio prazo a nossa comunidade.

Theatro com ótimo elenco teve no passado em Iguape sem a ajuda do governo e assim mesmo funcionava com sucesso. O que realmente é urgente e necessário é analisar o quadro social, fazendo-se um levantamento criterioso e sério nos trabalhos assistenciais e adotá-los com verbas necessárias e suficientes ao bom desempenho.

Há um acentuado número de campanhas privadas no nosso município em prol dos carentes, para as quais contribuímos de acordo com o que manda o nosso coração sempre sensibilizado e disponibilizado de recursos financeiros. Mesmo assim, existem ainda muitos jovens sem o preparo educacional suficientes, para exercerem pequenos serviços. Não podemos entrar na rota do esquecimento e da displicência, nem afirmar que somos um povo sem memória, sem passado e sem futuro. Estamos longe em pensar assim. Iguape teve e tem quase tudo isso: passado, futuro, somente o presente sem memória.

Um pensamento muito lógico está escrito na nossa história: “O possível se faz agora, o impossível demora um pouco mais.” Mas, no entanto, se faz também.

Antonio Rochael é professor e sociólogo – antoniorochael@gmail.com

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Uma resposta para “O possível se faz agora

  1. Rosa Maria Vassão Braga

    Olá colega…Mais uma vez meus parabéns!!!Lembra qdo Valdinho fazia as peças de teatro lindas???No final do ano assisti a da Elis Regina..em DVD ,que o Henrique enviou para minha filha…Isso tudo sem ajuda do Governo…
    Assino embaixo tudo q vc escreveu amigo…Vc ama de verdade sua terra e seus filhos,por isso continua sua luta…Um dia o impossível se realizará!!!!
    Beijão carinhoso e com saudade de todos!!!

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