Angústia da destruição

Antonio Rochael

A insensibilidade de alguns órgãos governamentais protetores do Patrimônio Histórico, arquitetônico e Cultural em Iguape, não deveriam permitir a realização de grandes eventos para atração popular em áreas especiais tombadas, onde existem conjuntos de casarios e templos religiosos construídos nos séculos XVII, XVIII e XIX, sendo eles palcos de grandes abalos com máquinas e aparelhos sonoros altíssimos, causando prejuízos no estremecer do solo, nas estruturas externas e internas dos grandes monumentos aqui tombados.

As edificações ora demarcadas em Iguape, são hoje de responsabilidade do Condephaat e Iphan (órgãos do governo), mas segundo os técnicos e arquitetos da USP (Universidade de São Paulo), em reparos nas edificações antigas, afirmam que sons elétricos em altos decibéis e a movimentação de veículos pesados, que circulam próximos a esses edifícios, prejudicam sensivelmente com seus abalos, o deslocamento do ar, sem sombra de dúvidas, as velhas construções vêm sofrer prejuízos, com rachaduras e até mesmo o desmoronamento.

Preservem o centro e seu entorno, mas preservem em tudo. Temos como exemplo a nossa Basílica, sobrado dos Rollos e outros prédios mais antigos, com rachaduras visíveis em suas paredes, provenientes dos sons fortes e pesados, movimentado no próprio solo, a pressão do ar atmosférico (palavras de técnicos no ramo). Homens de bom senso de Iguape deveriam entender melhor estas particularidades, evitando que isto venha ser destruído por essa omissão ou descaso. São visíveis os aspectos de um conjunto arquitetônico empobrecido e detonado.

Observadas há anos, uma forte rachadura na altura do relógio da Basílica, pelo paredão frontal entre as duas torres com mais de um centímetro de largura até o piso e que a cada dia vem aumentando seu espaço, sem que ninguém tome as necessárias providências.

A Praça onde configuram o grande conjunto patrimonial; com belos casarios históricos, não deveriam ser permitido a montagem de Sambódromo e outras armações em eventos carnavalescos e Semana Santa. Os prejuízos materiais são enormes, tanto no gramado dos jardins, como nos seus calçamentos, que após os eventos esperam a chuva para a limpeza do local.

Monumento na Orla, num canteiro aos fundos do prédio do E.C. Primavera, com desrespeito ao povo, fora há quatro anos degolado e arrancado o símbolo da fé, a cruz de pedra centenária, desfazendo-se assim seu significado. Uma verdadeira afronta ao nosso povo, passe por lá e se certifique, fotografe. Isso, no entanto, não deveria ser preservado?

O antigo Porto Grande que outrora foi um marco para à economia da nossa região, hoje coberto pela vegetação daninha e pelo mangue, um rebocador presenteado recentemente pela Marinha de Guerra Brasileira, jogado às intempéries na Orla, não poderiam ser considerado irresponsabilidade e desrespeito com o Bem público e com a população?

Em Iguape há mais de trinta anos, possui lugares apropriados para Shows e outras apresentações populares, o Centro de Eventos “Pref. Casimiro Teixeira”, no Canto do Morro, hoje quase que abandonado também.

No entanto, não somos a verdade, mas somos a voz do cidadão contribuinte e insatisfeito, que tem direito legal às suas opiniões e cobrança democrática, sentimo-nos entristecidos.

O famoso repórter da TV Bandeirante José Luiz Datena em seu programa, sempre diz assim: “Me ajuda aí, pô…”

Para este caso, não podemos brincar assim, porque Iguape é histórica, religiosa, paisagística, aconchegante, cultural e literalmente hospitaleira, porem precisa ser tratada, respeitada e bem gerenciada.

Sabemos que somos um município na Baixada do Ribeira, pobre economicamente, mas com um arsenal de grandes valores inexplorados, uma paisagem exuberante e com desejo enorme de crescer, mas os nossos políticos não querem.

Um célebre pensamento do escritor e romancista português Eça de Queirós que diz: ”Os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente e pela mesma razão”.

Até hoje não se descobriu qual a efetiva vocação turística da nossa terra, portanto temos de gritar para fazer respeitar a nossa voz, levando em consideração a preservação da ordem e da consciência democrática do nosso povo.

Meu Deus, meu Senhor, Bom Jesus de Iguape, ouça as nossas súplicas e nos abençoe.

Antonio Rochael é professor e sociólogo – e-mail: antoniorochael@gmail.com

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2 Respostas para “Angústia da destruição

  1. Não sou de Iguape mas sinto-me muito entristecido com o abandono da cidade, as demolições de casarios antigos, o corte das árvores centenárias da praça da básilica onde se encontra agóra um coreto, os mendigos, os “nóias”, os alcoólotras, os desocupados, os bandidinhos pés de chinélo, a má administração, a ignorância do povo, a saúde, a sujeira… Tive a honra de conhecer essa cidade no tempo em que se podia ter um pouquinho de liberdade, o bate papo descompromissado nas noites
    quentes de verão, as idas aos forrós e boates do Rocio aos sabados, o “Chão de estrelas” no Porto da ribeira, O Primavera, o Sambão, O Alvorada, o bar do Bético, do Ambrósio, do Dito Paiva, o Cinema, a Balsa…

  2. Roberto Santana Pires

    sou favoravel a mudança temos que preservar o que ainda existe

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