Felipéia do Iguape

Crônica, de Inocêncio Nóbrega.

Serenados os ânimos Antonio Oquendo e Felipe II, rei de Espanha, pela posse dos domínios portugueses, por falecimento do cardeal D. Henrique, que não deixou descendência direta, vias militares garantiram a vontade espanhola. Em consequência, por seis décadas o Brasil esteve sob sua tutela. A política de reconhecimento das novas terras continuou, apesar de sucessivos confrontos com a rebeldia da população originária, que deveria ser cristianizada, a qualquer custo. Nessa estratégia duas medidas se impunham: construção de um forte e de um templo.

Dividir os comandos indígenas e marchar junto com um desses grupos, mediante negociações, traria os esperados resultados. A lógica real deu certo, onde na Paraíba, a aliança com os Tabajara, do chefe Braço de Peixe, facilitou a obra colonizadora. As negociações se deram no dia 5 de Agosto de 1585, sendo oficializada a 4 de novembro, do mesmo ano, por Martim Leitão. Procurou-se, pois, um local para edificação da igreja, local que passou a ser chamado de Felipéia de Nª Srª das Neves, em função da data, até hoje padroeira da Arquidiocese da Paraíba.

Provavelmente em 1538 Iguape é implantada em área Piratininga, sendo, em 1577, criada a Freguesia de Nª Srª das Neves, cujo povoado foi mudado para lugar mais seguro, assim fugindo aos ataques de piratas, além de outros fatores. Aí se situa a formosa cidade paulista do Iguape, e nela a Igreja. Ante essa confluência histórica as tradicionais comemorações, litúrgicas e profanas, acontecem no mesmo período, indo de 27/28 de julho a 5/6 de agosto. Os iguapenses anualmente recebem inúmeros romeiros, de diferentes regiões do país, a fim de agradecerem graças alcançadas ou depositarem pedidos aos pés da imagem da Santa. Todos participam das novenas e de “caminhadas pela fé”. No término, Procissão e Missa campal.

De Felipéia, passando por vários topônimos e assim chegando ao de João Pessoa. É lá, na antiga Rua Nova, ora a alargada Gen. Osório, de onde se vê a Catedral Basílica, e nesta procedidas as novenas da Festa das Neves, como assim é conhecida. A sua 427ª edição se encerrará, pela manhã, com Celebração Eucarística. À tarde, Recitação do Terço, Procissão, percorrendo artérias centrais da capital. É possível, pois, às 10hs assistir-se à Missa campal de Iguape e às 17hs à Missa de Encerramento, na capital paraibana, além dos últimos festejos de rua, com muitas barracas e entretenimentos, os quais vinham diariamente sendo realizadas, após o novenário.

Jornalista – inocnf@gmail.com

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