Jornal e tortura

Opinião, de Inocêncio Nóbrega*

Referir-me-ei, não à empresa e sim à resenha noticiosa e formativa impressa, mas nos aspectos intelectual e físico, tal produto final, do ponto de vista de sua industrialização gráfica. A partir do encontro com o leitor, dependendo das imagens vocativas e frases de efeito e textos alhures vociferantes apresentados, após devidamente selecionados nas mentes de quem os demanda, fatores sobre os quais está condicionado o tempo de uso, inicia-se nova fase, parte da qual se desfigurando sua objetiva destinação. Desdobra-se, então, em diversas categorias de consumo.

Relegados os atributos sobrenaturais e as mensagens ignoradas, uma vez convertidas em simples mercadoria, salvo exceções, as gazetas passam a ser presas fáceis da tortura, nas masmorras dos lixões, das oficinas e dos lares, até. Nas repartições e escritórios empilham-se, à disposição de seus algozes. Começam por esses torturadores de elite. Observei este triste hábito nos corredores do Congresso Nacional, em parlamentos e Ministérios, nos quais os elementos culturais são presumidamente mais refinados. Recolhidos das bancas do que sobrou da edição, voltam ao ponto de origem, e guardados, por determinado período, nos “campos de concentração”, prontos para prováveis abates.

Por trás de cada folha impressa há uma gama de dedicados profissionais, redatores, repórteres, colunistas e gráficos. Traduz numa insensível afronta destiná-los a ignominiosos lugares, onde se lhes aplicam o esquartejamento precoce, seguido de doses letais, a milhões de caracteres produzidos. Pior, ninguém chora sua morte, a não ser a história. Nesse caso, pouco há de fazer. Nos demais ciclos, se encetadas campanhas de conscientização, é possível cuidarmos do problema, que nos afeta, há séculos, e aos países afora. Então é necessário imprimir uma educação específica ao leitor, nas escolas, universidades e na sociedade. Particularmente tenho essa visão, construída desde que um linotipista de Campina Grande, ao visitar minha II ENSESQUI, por volta de 1976, ele se queixava da falta de importância que davam àquele produto, de fina cultura, após de abnegadas horas diárias, noturnas e diurnas.

Concebo que pelo menos as partes vitais de um jornal devem ser preservadas. Depois de lidos o público-alvo redirecioná-los-á à coletividade, onde estão pesquisadores, cientistas, estudantes, diretamente ou através de uma instituição específica. Para recepcioná-los, elaborei projeto com essa finalidade. Farei de tudo para executá-lo, sabendo das dificuldades que esse protótipo de organização encontrará. Já tenho à disposição enorme casario, na cidade paraibana de Soledade. Breve será implantado, já contando com apoio das autoridades do município.

Inocêncio Nóbrega é Jornalista – inocnf@gmail.com

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s