Na memória do tempo

Antonio RochaelCrônica de Antonio Rochael*

Há poucos dias ao ler as versões de José Fernandez Rodrigues, jornalista, em uma das revistas que mantenho assinatura, uma crônica me fez sentir na clareza de suas palavras, a transformação do meu pensamento no tocar à realidade.

Comparando suas ideias e pondo em prática na minha reflexão, veio em mente o seguinte:

Senti então, que no passado tínhamos amigos e muitos amigos de verdade, brincávamos sempre juntos. Jogávamos bola e as brincadeiras eram sadias sempre nos mesmos lugares e com fundamento educativo. Quando procurávamos nossos amigos em suas casas, seus pais diziam onde eles se encontravam.

Hoje então, procuramos amigos, como aqueles de antigamente e já não os encontramos mais e ninguém sabe dizer onde poderão ser encontrados, são donos da verdade e do saber, talvez envolvidos com pessoas estranhas, no outro lado do mundo, na criminalidade e no vício.

Como é triste pensar assim! Como é triste falar e ouvir assim! Infelizmente, essa é a realidade em que estamos vivendo.

Raras vezes encontramos amigos que sustentam a amizade por toda a vida. As relações humanas deixam de existir entre os amigos, no momento em que acontece a caminhada aos destinos marcados a cada um.

Mais adiante, anos depois, com certeza, os filhos do futuro, serão como máquinas, como robôs, sem sentimentos, sem prazeres, frios, sem conhecimentos, sem amizade, dificilmente poderemos avaliar.

Então, como os filhos tratarão seus pais, seus amigos, seus amores? Talvez como vozes eletrônicas, sem ternura, sem fidelidade, sem carinho, sem moral, sem ambiente, constrangidos pela força da natureza e da educação que não receberam. Eles apenas passarão pela vida como passa o vento, assim como passa a chuva, como passam as horas, as estações no ano. Com certeza, não viverão felizes, vegetarão apenas, sem saber realmente o que significa a vida, o carinho, o amor, à amizade, as belas flores, o sol e a lua, tudo sem ternura. Sem saber o que foram, e o que farão nesta vida. Muitos sem religião e descrente de tudo. Perguntamos agora: então o que estão fazendo neste mundo?

Hoje, cuidar de nossos jovens é antes de tudo, abrir as nossas escutas para os seus desejos, para os seus sonhos, para os seus temores, para seus amores e serem capazes de um diálogo aberto e franco com seus educadores e familiares.

Vamos gritar mais forte para ressoar em tempos onde, se manipulam a opinião pública, restringindo-se direitos; distorcendo-se valores que violentam a liberdade de expressão e de pensamento.

Acredito e confio no meu trabalho espontâneo e de cidadania, mesmo sendo pouco reconhecido por algumas das nossas autoridades, mas devo dizer que, a certeza de despertar no deserto o desejo de se transformar um dia num imenso jardim, é minha esperança.

Caminhemos, pois, cada dia um pouco mais, para que valha a pena caminhar ao lado de tudo e de todos; de nossa família principalmente, de nossos amigos, reinventando o mundo, na fé na esperança de realizar plenamente, o esplendor da utopia humana, na memória do tempo.

Feliz Páscoa!

* Antonio Rochael é professor e sociólogo; e-mail: antoniorochael@gmail.com Iguape/SP

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