Pará, se dividido

de Inocêncio Nóbrega*

Jornalista atenta aos riscos das emancipações político-administrativas; Na região do Pará, seria R$ 4,2 bilhões a estimativa das despesas adicionais aos contribuintes brasileiros.

Ao Grão-Pará pertenciam a Amazônia brasileira, Mato Grosso e parte do Maranhão. Seu imenso território favorecia à pirataria do comércio exterior, ciente de sua exuberante diversidade. Para administrá-la melhor criou-se a Companhia de Comércio do Pará e Maranhão, que importou 38 mil escravos. Mais tarde se misturariam aos nativos, em face das perseguições que sofriam.

No século XIX, a preocupação maior seria com os brasileiros. Forte vigilância militar impedia os contatos com a Revolução Pernambucana de 1817. Os navios, provindo do nordeste, eram revistados. “O Paraense”, jornal dos insurretos Alberto Patroni e Batista Campos, e a Cabanagem, do Angelim, deixaram as Cortes de Lisboa e do Rio em polvorosa. Implantava-se o espírito insurrecional desse povo.

A cobiça estrangeira seguia de olho nesse potencial econômico. No auge da exploração do látex, o Brasil doou hectares de terra à Good-Year, sob protestos do padre Cícero. Nova agressão, Getúlio Vargas cria, por decreto, o Território do Amapá, garantindo a uma empresa, também estadunidense, explorar, por 50 anos, o manganês. FHC privatiza, por preço de banana, a estatal Vale do Rio Doce, transformada em oligopólio que consolida seus manifestos interesses de dominação na região, ao lado de madeireiras, agropecuaristas e políticos, sem compromissos com a Nação.

Hoje, a Vale lidera a exportação de ferro no mundo; opera em mais de 9 mil kms de malha ferroviária e 10 terminais portuários próprios. Seu poderio é desafiador, atuando de forma monocrática em região do Pará, ignorando leis e autoridades constituídas, não recolhendo, devidamente, os impostos. O débito chega a milhões de reais. Só inventa cidades e indica seus gestores, influindo nas decisões políticas e econômicas nos sob sua órbita. Agricultores que penetrarem em florestas e reservas biológicas, que diz serem suas, são presos pelos Guardas da Vale.

Se dividido o Pará, nos estados de Tapajós e Carajás, um dispêndio de R$ 4,2 bilhões não dará para cobrir uma centena de novos cargos eletivos, desembargadores e de outros escalões. Indígenas, poderiam ser expulsos, intensificação da violência e a natureza destruída. Portanto, a Vale a maior beneficiada dessa transação, poderia interferir na votação de projetos nacionais, fazendo uso dessa máquina nos respectivos Parlamentos. Em boa hora os paraenses não permitiram que o crime se consumasse, no plebiscito de 11 de dezembro último. A história, falou mais alto.

* Jornalista – inocnf@gmail.com

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