Arquivo da categoria: Estudos

Deputado João Caramez aponta caminhos para o desenvolvimento da região

Artigo do Deputado João Caramez

A importância da Navegação Fluvial no Vale do Ribeira

Para se avaliar o papel a ser desempenhado pela navegação flúvio-marítima do Vale do Ribeira e sua importância para o desenvolvimento regional é necessário considerá-la no contexto do transporte do Estado de São Paulo. Continue lendo

Compromisso da Imprensa

de Inocêncio Nóbrega

A amnesidade das instituições educacionais e de cultura, em relação aos grandes momentos da nossa história, deve-se a uma ação oficial estratégica, no sentido de esconderem-se circunstanciados acontecimentos, os quais possam comprometer as políticas do governo no setor. Continue lendo

Cananéia recebe a Expedição Chauás de Corridas de Aventura 2009

O município de Cananéia foi escolhido como ponto de encontro para largada do evento Expedição Chauás de Corridas de Aventura, que acontecerá entre os dias 6, 7 e 8 de fevereiro.

A prova terá dois percursos; um de 80 km elaborado para as equipes experientes demonstrarem sua performance e desafiarem seus limites e outro percurso de 45 km “Light” para equipes iniciantes. A etapa inicial da Expedição Chauás acontecerá toda na cidade e os organizadores Lucas Jerônimo e Francisco Perez (Fran) dizem que o percurso será uma novidade nas corridas de aventura. Continue lendo

Começa mais um projeto-piloto da Campanha Cílios do Ribeira

Depois de Ilha Comprida, o município de Apiaí, no Vale do Ribeira, deu início a novo projeto-piloto da campanha com o plantio de mudas de 50 espécies no Bairro Garcias. A iniciativa, nos dias 17 e 18 de setembro, contou com a ajuda de 150 alunos de escolas da região e de representantes de órgãos públicos, de professores, de pessoas da comunidade e da associação de produtores rurais do bairro.

Em parceria com a Associação dos Produtores Rurais do Bairro Garcias, em Apiaí, município do Vale do Ribeira, os técnicos da Campanha Cílios do Ribeira, pela recuperação das matas ciliares do Vale do Ribeira, orientaram e supervisionaram as etapas do plantio de mudas de espécies nativas, realizada na propriedade do agricultor familiar Maximiano Oliveira. Embora o Rio Ribeira de Iguape não corte Apiaí, o município abriga nascentes e córregos que nele desembocam. Continue lendo

Prêmio Educador Nota 10 recebe inscrições até o dia 6 de julho

A iniciativa da Fundação Victor Civita tem como objetivo incentivar e valorizar boas práticas de ensino (inovadoras, simples e eficientes) na Educação. Realizado desde 1998, elege os dez melhores projetos desenvolvidos por educadores do ensino infantil e fundamental da rede pública e privada do País. 

Além de premiar os dez “Educadores Nota 10”, no ano passado foi criado o Prêmio Escola, voltado para diretores e coordenadores pedagógicos. Nessa categoria, é eleito o melhor projeto implantado por uma escola pública, que comprovadamente tenha contribuído para melhorar suas práticas educacionais. 

A seleção dos trabalhos inscritos é feita por um grupo de especialistas de diversas áreas, que analisa a concepção pedagógica do projeto, sua prática diária, seus benefícios para os alunos e a sua inserção na região onde são realizados. 

A cerimônia de premiação, que ocorrerá no dia 13 de outubro, terá a participação do representante da escola vencedora do Prêmio Escola e dos dez professores premiados. Estes últimos ainda concorrerão ao título de Educador do Ano. 

As inscrições, assim como o regulamento e o guia de orientações para a redação dos projetos podem ser encontradas no site http://revistaescola.abril.com.br/premiovc/ .(TPE)

Pesquisa revela disfunção orgástica em mulheres do Vale

Pesquisa realizada pela dra. Ana C. Machado, médica clínica e obstetra do Hospital de Pariquera revela que 48% das mulheres que vivem no Vale do Ribeira sofrem de alguma disfunção orgástica, relativa ou absoluta. A razão prinicipal alegada pela médica são a desinformação geral, o preconceito, a submissão e o desconhecimento do próprio corpo. A médica está planejando seminários públicos para debater a questão, bem como capacitar médicos que trabalham com com a sexualidade feminina (ginecologistas e obstetras) para fazerem um trabalho paralelo de educação sexual feminina.

Dia Internacional da Água

O dia 22 de março foi dedicado pela Organização das Nações Unidas à água, na Rio 92 – conferência sobre o meio ambiente que o Brasil sediou.
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Educação Ambiental (3)

conclusão

Desenvolvimento Sustentável e Educação Ambiental

por Maria Elisabeth Pereira Kraemer *

O modelo de crescimento econômico [adotado até hoje] gerou enormes desequilíbrios. Se, por um lado, nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro lado, a miséria, a degradação ambiental e a poluição aumentam dia a dia. Diante dessa constatação, surge a idéia do desenvolvimento sustentável, buscando conciliar o desenvolvimento econômico à preservação ambiental e, ainda, ao fim da pobreza no mundo. Fortalece-se a percepção de que é imperativo desenvolver, sim, mas sempre em harmonia com as limitações ecológicas do planeta, ou seja, sem destruir o ambiente, para que as gerações futuras tenham chance de existir e viver bem, de acordo com as suas necessidades (melhoria da qualidade de vida e das condições de sobrevivência).As metas do desenvolvimento sustentável são:

► A satisfação das necessidades básicas da população (educação, alimentação, saúde, lazer, etc.).
► A solidariedade para com as gerações futuras (preservar o ambiente de modo que elas tenham chance de viver).
► A participação da população envolvida (todos devem se conscientizar da necessidade de conservar o ambiente e fazer cada um a parte que lhe cabe para tal).
► A preservação dos recursos naturais (água, oxigênio, etc).
► A elaboração de um sistema social, garantindo emprego, segurança social e respeito a outras culturas (erradicação da miséria, do preconceito e do massacre de populações oprimidas, como, por exemplo, os índios).
► A efetivação dos programas educativos.

A educação ambiental é parte vital e indispensável na tentativa de se chegar ao desenvolvimento sustentável, pois é a maneira mais direta e funcional de se atingir pelo menos uma de suas metas: a participação da população.
Educação para a Vida Sustentável envolve uma pedagogia que coloca a compreensão da vida como seu ponto central. O educando experimenta um aprendizado no mundo real que supera nossa alienação da natureza, o que reacende um sentido de pertinência e desenvolve um currículo que ensina às nossas crianças os princípios básicos da ecologia, tais como:

► aquilo que uma espécie desperdiça é a comida da outra espécie e a matéria circula continuamente pela da teia da vida;
► a energia que guia os ciclos ecológicos emana do sol;
► a diversidade assegura a resiliência;
► a vida, desde o seu início, há mais de três bilhões de anos, não tomou o planeta por combate, mas por atuar em rede.

Essa pedagogia sugere o planejamento de um currículo integrado, enfatizando o conhecimento contextual, no qual os vários assuntos são entendidos como recursos a serviço de um foco central. Uma maneira ideal de alcançar a integração é aproximar-se da chamada ‘aprendizagem por projetos”, que consiste em facilitar as experiências de aprendizagem ao envolver alunos em projetos complexos e contemporâneos, através dos quais eles desenvolvam e apliquem habilidades e conhecimentos.

Uma das formas de levar a educação ambiental à comunidade é pela ação direta do professor na sala de aula e em atividades extracurriculares. Por meio de atividades como leitura, trabalhos escolares, pesquisas e debates, os alunos poderão entender os problemas que afetam a comunidade onde vivem, a refletir e criticar as ações que desrespeitem e, muitas vezes, destroem um patrimônio que é de todos.

Os professores são a peça fundamental no processo de conscientização da sociedade dos problemas ambientais, pois buscarão desenvolver, em seus alunos, hábitos e atitudes sadios de conservação ambiental e respeito à natureza, transformando-os em cidadãos conscientes e comprometidos com o futuro do país.

Além disso, desenvolvimento sustentável introduz uma dimensão ética e política que considera o desenvolvimento como um processo de mudança social, com conseqüente democratização do acesso aos recursos naturais e distribuição eqüitativa dos custos e benefícios do desenvolvimento.

O grande desafio do século 21 é, então, o de mudar o sistema de valores que está por trás da economia global, de modo a torná-lo compatível com as exigências da dignidade humana e da sustentabilidade ecológica.

* fonte:  http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./educacao/index.php3&conteudo=./educacao/artigos/universidade.html

Educação Ambiental (2)

Recursos didáticos e instrucionais atualizados, diversificados e motivadores devem ser empregados nos processos de mobilização e conscientização, para que sejam propiciadas outras leituras da realidade, de envolvimento político e social das comunidades. A educação ambiental deve ser um processo contínuo e permanente e deverá fomentar a realização de experiências coletivas para todas as idades, bem como a organização e auto-gestão de grupos da comunidade. A participação de professores locais e de lideranças comunitárias deve ser estimulada, na preparação dos materiais didáticos adaptados para a realidade e necessidades locais. A temática específica relacionada aos recursos hídricos e florestais e a implicação da baixa qualidade destes no ambiente regional deverá ser definida conjuntamente, a partir da análise da realidade em questão.

A compreensão das relações entre o desenvolvimento socioeconômico e a melhoria do meio ambiente deve ser objeto de especial atenção, reforçando os aspectos positivos das relações entre homem e natureza. Nesse sentido, a mobilização e a capacitação deverão ser elaboradas para públicos estratégicos como agricultores, pescadores, quilombolas, populações urbanas, turistas e ecoturistas, pois cada um incide diretamente sobre a qualidade do meio ambiente, através de suas atividades. As atividades de Educação Ambiental devem evidenciar as relações complexas do cenário futuro e a construção de alternativas conjuntas, permitindo a compreensão dos benefícios a médio e longo prazo e a superação dos conflitos.

continua

fonte: http://www.sosribeira.org.br/

Educação Ambiental (1)

Onde estamos inseridos?

Na Área de Proteção Ambiental de Cananéia–Iguape–Peruíbe (APA – CIP): APA federal criada em 1984 é atualmente administrada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e de Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O decreto que a instituiu definiu inúmeras Zonas de Vida Silvestre (ZVS) com critérios rígidos, para assegurar as suas características originais. Por ser uma unidade de uso indireto e de manejo sustentável, permite o exercício de atividades socioeconômicas que deverão acomodar-se dentro dos parâmetros ambientais exigidos. Como ocorre em outras UCs, a APA – CIP, de acordo com a legislação, é multiplamente protegida em termos ambientais, combinando o nível federal com o estadual. Algumas áreas da APA estão inseridas em outras UCs, como a EE Juréia- Itatins, a ASPE da Juréia, a APA da Ilha Comprida, duas aldeias indígenas guaranis (Itaríri e Rio Branco), respectivamente nos municípios de Itariri e Cananéia. 

Como viver em meio a um APA?

O mau uso dos bens naturais é em grande parte fruto da cumplicidade, da ganância e da ignorância, associados a uma frágil e precária base de cidadania. A alteração deste quadro demanda um grande esforço para mudanças no âmbito cultural e educacional.

As atividades de educação ambiental devem ser conduzidas em um processo crítico, participativo, atuante e sensível que reforce o elo entre a sociedade e os órgãos atuantes na questão ambiental, em busca da conscientização e da aquisição de valores, comportamentos e práticas mais éticas e responsáveis em relação ao meio.

 

Para que se atinja a conscientização, esta deverá ser gerada na própria comunidade e não a partir da doação externa de valores. De maneira geral, quanto maior a participação da sociedade na construção dos instrumentos de educação, maiores os seus resultados. Para que as pessoas de fato se preocupem e se responsabilizem por suas ações, desenvolvendo o sentido de cuidado e de conservação, é fundamental que se construam relações mais interativas, críticas e mobilizadoras.

continua

Fonte: http://www.sosribeira.org.br/

Conhecendo o Rio Ribeira

A água nossa de cada dia

Fundamental para a manutenção da vida em sua biodiversidade e de todos os ciclos naturais, a produção de alimentos e a preservação da própria vida, a água vem se tornando cada vez mais um recurso estratégico para a humanidade. Dependemos, cada vez mais, da água para sobrevivência econômica e biológica, além do desenvolvimento econômico e cultural.

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De acordo com dados do International Hydrological Programme da UNESCO sobre recursos hídricos, o volume total de água no planeta é calculado em torno de 1,4 bilhões km³. Porém, 97,5% dessa água é salgada, e está basicamente nos mares e oceanos. A água doce, que só representa 2,5% do total, está em sua maior parte nas calotas polares, estando apenas 0,3% desta disponível e de fácil acesso em lagos, rios e lençóis subterrâneos pouco profundos.

O crescimento populacional constante e o desenvolvimento das atividades humanas, com distribuições quase sempre não homogêneas espacialmente, e a disposição de água também irregular, contribuem para o aumento de pressão sobre os mananciais existentes.

Desta forma, a escassez de água no planeta torna-se evidente como uma preocupação mundial. Está ficando cada vez mais difícil encontrar água de qualidade, em razão da poluição de rios, represas e do solo.

No verão, é comum buscarmos pelo uso da água para nos refrescarmos. Na última temporada em Iguape não tivemos grandes problemas, exceto pela queda de pressão de saída no fornecimento nas casas do município vizinho, Ilha Comprida, visto que aquela cidade está ligado a mesma rede de água da Sabesp de Iguape. Para essa temporada é previsto  20% de aumento de consumo em relação ao ano passado, sobretudo em Ilha Comprida; é de se esperar que haja insuficiência de pressão. Portanto, tudo que pudermos fazer para economizar água será importante.

Seguem alguns pontos básicos que nos levam a um consumo menor e, portanto, à redução dos impactos ambientais e a colaborar para evitar a falta:

1. No banho: Se molhe, feche o chuveiro, se ensaboe e depois abra para enxaguar. Não fique com o chuveiro aberto. O consumo cairá de 180 para 48 litros.

2. Ao escovar os dentes: escove os dentes e enxágüe a boca com a água do copo. Se você não manter a torneira aberta durante a escovação, economizará 3 litros de água em cada ocasião.

3. Na descarga: Verifique se a válvula não está com defeito, aperte-a uma única vez e não jogue lixo e restos de comida no vaso sanitário.

4. Torneiras: gastam de 12 a 20 litros/minuto. Pingando, 46 litros/dia, o que resultará em 1.380 litros por mês perdidos. Feche bem as torneiras.

5. Vazamentos: Um buraco de 2 milímetros no encanamento desperdiça cerca de 3 caixas d’água de mil litros.

6. Na caixa d’água: Não a deixe transbordar e mantenha-a sempre tampada.

7. Na lavagem de louças: Lavar louças com a torneira aberta, o tempo todo, desperdiça até 105 litros. Ensaboe a louça com a torneira fechada e depois enxágüe tudo de uma vez. Na máquina de lavar são gastos 40 litros. Utilize-a somente quando estiver cheio.

8. Regar jardins e plantas: No inverno, a rega pode ser feita dia sim, dia não, pela manhã ou à noite. Use mangueira com esguicho-revólver ou regador.

9. Lavar carro: usando mangueira gasta-se 600 litros de água; com balde de 10 litros, economiza-se 90% dessa água. Use a água da sobra da máquina de lavar roupa para ensaboar ao carro.

10. Na limpeza de quintal e calçada USE VASSOURA – Se precisar utilize a água que sai do enxágüe da máquina de lavar.

Para sabe mais: http://www.rededasaguas.org.br/

Bu(a)rragens (3)

“A retirada da barragem, apontada como a responsável pelas grandes enchentes, era agora a reivindicação que se colocava a uma população cruelmente vitimada em suas atividades, economias e patrimônios. As próprias sucessivas enchentes, com o auxílio de ferramentas manuais utilizadas por moradores locais, incumbiram-se do rompimento total da barragem.

“Técnicos debruçaram-se sobre o problema e propuseram como melhor, e bem pensada, solução para o complexo problema a construção de uma nova barragem, mas agora com vertedouro e comportas de controle de vazão e com eclusa para possibilitar a navegação. A proteção das margens e do fundo do canal contra a erosão constituía parte integrante desse mesmo projeto. Em 1993 as obras civis da nova barragem foram concluídas, porém as instalações hidráulicas (vertedouro, comportas e eclusa) não foram executadas por alegada escassez de recursos financeiros para tanto (quantos votos tem Iguape?). Boa parte dessas obras civis já foi hoje também comprometida.” (1)

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foto in http://www.geocities.com/phproducoes/pg_index.htm

” Durante um tempo, houve a ressalinação do Mar Pequeno, quando espécimes nobres de peixes podiam ser vistas no Lagamar. Com as enchentes verificadas na década de 1980 (obs: sempre ocorreram enchentes em Iguape desde a sua fundação), houve pressão para que o dique fosse aberto, e até mesmo alguns pretendiam dinamitar toda a barragem. Com o retorno da água doce passando ininterruptamente pela barragem, todo o sistema lagunar em frente a Iguape (e alguns dizem que até em Cananéia) foi seriamente comprometido. A opinião geralmente aceita é que sejam colocadas comportas na barragem, que somente seriam abertas quando das grandes enchentes. Durante todo o resto do ano ficariam fechadas. O sistema lagunar seria revitalizado. Também deveria ser pleiteada a dragagem do Mar Pequeno na altura de Iguape, para que se possibilite a prática de esportes náuticos e da pesca amadora embarcada.”

“Acreditamos que esse seja o caminho: O fechamento com comportas da barragem do Valo Grande; o desassoreamento do lagamar; e o incentivo aos esportes náuticos e à pesca amadora: tudo isso concorrerá para o fomento do turismo iguapense, com a consequente geração de empregos e renda, que é o que todos aspiram. Portanto, alertamos a Prefeitura Municipal, Câmara Municipal, comerciantes, sociedade civil e povo em geral: o futuro de Iguape, entre outras coisas, depende, e muito, do fechamento do Valo Grande.” (2)

“No último dia 27 de julho, as águas do Valo Grande destruíram a antiga Rua do Peixe, no Porto do Ribeira, derrubando no seu curso algumas casas. Houve solapamento do solo e enorme queda de barranco. Há muitos anos não acontecia queda de margem como esta. Os mais antigos contam que o último grande desbarrancamento, que levou algumas casas, foi em 1946-1947, por ocasião de formidável enchente. Agora foi perto da barragem do Valo Grande, pouco acima da marina ali existente. A despeito de virmos falando da extrema necessidade da colocação das comportas na barragem, o governo não toma providências nesse sentido deixando aquela obra inconclusa e torrente d’água junto às margens desprotegidas. Os moradores prejudicados devem ir à Justiça pedindo indenização dos prejuízos e conclusão daquela obra que não foi acabada. Nada sendo feito, o Valo Grande continuará derrubando ruas e casas e o Governo do Estado assistindo de camarote. É hora de os políticos daqui e da região exigirem a imediata colocação das comportas na barragem, proteção de margens e dragagem do Ribeira-abaixo, ou vão esperar por mais prejuízos à população e à cidade. (Foto: Luciano Festa)” (2)

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A questão restante – e da mais alta relevância -, é a de inclusão das tais comportas esperadas por mais de quatorze anos; o Governador do Estado, em recente visita, anunciou a liberação de verba ao DAEE para a construção das mesmas. Anunciaria-se para breve uma nova perspectiva? Infelizmente, a resposta dessa pesquisa hoje publicada é “não”.  Afinal, não há cogitação quanto ao rebaixamento e regularização do antigo leito do Ribeira, entre outros problemas; as questões ambientais persistem e trarão reflexos em mais decadência econômica:

- A deterioração do lagamar com o seu assoreamento e salinidade variável em demasia; a água doce continuará a passar, com enorme freqüencia, pelo Valo Grande.

- As barras do Icapara e do Ribeira sem traçado definido e baixo calado; está praticamente impossibilitado o uso do Ribeira e do Mar Pequeno ao tráfego marítimo e fluvial.

- O traçado assoreado do Ribeira, que espera há um século por dragagem; hoje o Ribeira desenha uma imensa planície a título de várzea; meio metro a mais em seu nível significa extensas propriedades e lavouras submersas.

Mais de 10 mil pessoas já trabalharam ligadas às atividades de pesca em nosso município, com doze fábricas (locais) de processamento de pescado; além da captura, agregava-se valor à produção, o qual correspondia a emprego e renda no município. A pesca da manjuba hoje utiliza (informalmente) pouco menos de 2 mil pessoas. Para essas famílias, nova tragédia aproxima-se; afinal, o número de pesqueiros atuais irá cair para menos da metade após a colocação das comportas e, evidentemente, nenhum programa ou órgão do Estado ou do Município (e seus inúmeros técnicos pagos com o nosso dinheiro) contemplam aos trabalhadores da pesca com alguma solução.

(1) Álvaro Rodrigues dos Santos http://www.pesca.sp.gov.br/noticia.php?id_not=1629

(2) Roberto Fortes http://robertofortes.fotoblog.uol.com.br/photo20050517185548.html

Bu(a)rragens (2)

O histórico da construção do Valo Grande

A abertura

Já em 1779(!) houve da Câmara de Iguape interesse em realizar a abertura de um canal “(…) que comunicasse o Rio Ribeira com o Mar Pequeno, eliminando-se assim o inconveniente de se transportar em carroças o arroz desde o Porto do Ribeira até o Porto de Iguape, num total de aproximadamente três quilômetros.

Os trabalhos para a abertura do canal foram iniciados uma semana antes de 27 de agosto de 1827, dia em que foi paga a primeira turma de trabalhadores empregados nessa obra. Os salários pagos eram de 180 a 240 réis diários. Mas os trabalhos logo foram paralisados, por motivos os mais diversos.

“Em 7 de agosto de 1829, por ordem do governador da Província, a Câmara de Iguape reuniu-se em sessão extraordinária para tratar do prosseguimento da obra. Os recursos empregados na abertura do canal eram fornecidos exclusivamente pela população. É lícito acreditar que os atrasos na execução dessa obra tenham sido por falta de recursos e até mesmo divergências políticas.

“A 20 de julho de 1830, o governador da Província oficiou à Câmara solicitando “uma circunstanciada informação do estado de adiantamento ou atraso em que se achava o serviço de abertura do canal.” “O governo, posterior a 1829, mandou continuar a obra, remetendo a importância de um conto de réis, que figurou como empréstimo da Fazenda Nacional. Nessa ocasião, os engenheiros brigadeiro João da Costa Ferreira e tenente-coronel Eusébio Gomes Barreiros nivelaram o terreno e calcularam que as águas do Rio Ribeira, na embocadura do canal, ficavam seis metros acima do nível do Mar Pequeno.”

“Pouco consta em relação as obras no período de 1834 a 1837. Com a falta de dinheiro, travou-se uma verdadeira luta no sentido de se arrecadar fundos para a execução dos trabalhos.  Em 14 de março de 1837, o Governo decretou a Resolução nº 19, estabelecendo imposto de 20 réis por alqueire de arroz pilado que fosse exportado para fora do município, cuja renda deveria ser destinada às obras do canal. O interesse financeiro de alguns capitalistas foi maior do que o bom senso. Em 1840, a própria Câmara de Iguape admitia que o canal poderia desbarrancar por ocasião das enchentes.” (1)

 

Em 1848, com o canal totalmente aberto, as canoas traziam as sacas de arroz entre o Porto do Ribeira e o Porto Grande (Mar Pequeno). Por essa época, muito antes do assoreamento atual, o canal do Mar Pequeno tinha profundidade para embarcações de médio porte. Em 1855 o canal era oficialmente inaugurado.

Com relação ao imposto sobre o arroz, criado para a construção do canal, ele iria ainda permanecer por quase um século e destinado a manutenção da próprio canal.

“Uma vez aberto o canal, ao invés de o Rio Ribeira percorrer 27.000 metros até atingir o oceano, passou a fazer esse percurso em apenas 3.850 metros. Assim, o rio tendo à sua disposição um canal de comprimento sete vezes menor do que o seu próprio leito, insinuou-se por ele, aumentando de volume dia a dia.

“Dessa maneira, como seria de se esperar, o canal alargou-se e aprofundou-se consideravelmente, a ponto de ter a capacidade de debitar 203 metros cúbicos por segundo, exauridos do Ribeira. Essa incrível massa d’água, desaguando no Mar Pequeno, equivalia a quase dois terços do volume que debitava o Ribeira, ou seja, 325 metros cúbicos. O que transformou o “pequeno valo”, de 4,40 metros de largura por 3,30 de profundidade (que no início do século passado era transposto por uma pequena ponte e navegado somente por canoas, em marés cheias) num majestoso braço d’água, com as características próprias de um rio.

“À medida em que aumentava o volume d’água do Ribeira escoado no Valo Grande, o canal tinha as suas margens desbarrancadas pela impetuosidade das águas, o que resultou no “engolimento” de diversas casas construídas nas proximidades do canal.” (1)

Em 1968 o DAEE realizou estudos que propunham o fechamento do valo. Somente dez anos depois, em 03/12/1978 a obra era inaugurada e, finalmente, as águas poderiam seguir o seu histórico curso até a sua foz natural. No projeto original dessa obra previam-se vertedouros para as cheias do rio; entretanto, jamais foram construídos.

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Na época, passados 130 anos da construção do valo, o antigo caminho do Ribeira já não dispunha de leito que comportasse o volume d’água; instalou-se nova tragédia. As águas espraiavam-se pelas laterais do curso do rio, criando uma vázea onde havia agricultura. Ano após ano, as cheias provocaram no município catástrofes maiores; plantações foram continuamente dizimadas e solaparam a frágil base ecônomica da região. Por essa época, nos idos dos anos 80, a miséria instalava-se no muncípio.

(continua)

(1) Roberto Fortes, in “Iguape… Nossa História”

 

Bu(a)rragens (1)

Pelos três próximos dias abordarei a circunstância que cerca o Rio ao qual emprestamos o nome da cidade. Em três partes, até 03/12/07, escreveremos sobre o Ribeira e Valo Grande – a primeira e maior obra hidráulica do Estado no Século XIX -, pela qual os impactos ambientais ainda são visível atualmente.

O Rio Ribeira

“O rio da Ribeira do Iguape nasce na Serra do Paranapiacaba, no Estado do Paraná, e deságua no Oceano Atlântico, no litoral sul do Estado de São Paulo, percorrendo uma extensão total de 470 km, sendo 130 km em terras paranaenses, 250 km em território paulista e 90 km em divisa entre os dois Estados. A abrange uma área total de 24.980 km2, dos quais 15.480 km2 (62%) pertencem ao Estado de São Paulo e 9.500 km2 (38%) ao Estado do Paraná. O principal tributário do Ribeira é o rio Juquiá, cuja foz está localizada 10 km a montante de Registro, abrangendo uma área de contribuição de 5.280 km2. A vazão mínima (Q7,10) é de 153 m3/s, enquanto que a vazão média total da bacia é de 508 m3/s, que corresponde a cerca de 17% da vazão média total do Estado de São Paulo.

“A bacia do Ribeira abrange 23 municípios paulistas e 5 paranaenses. A população total da porção paulista da bacia foi estimada em 307.000 habitantes, segundo o censo demográfico de 1991, sendo 180.000 habitantes na área urbana, com taxa de urbanização de 59%, muito abaixo da média estadual, de 93%. A densidade demográfica é de apenas 18 hab/km2, muito menor que a média do Estado, de 127 hab/km2, e equivalente à das regiões mais rarefeitas em população do país.” (1)

Existem alguns projetos visando ao barramento do Ribeira, para fins energéticos, conforme o mapa abaixo:

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Embora os estudos já ultrapassem duas décadas, as barragens não foram concluídas, o que em parte conteria o fluxo das cheias para alguma finalidade e, em contrapartida, aliviria os efeitos para a população ribeirinha.

De toda forma, a bacia do Ribeira, ao chegar nas proximidades de Iguape – chamada de baixo Ribeira -, possue um enorme problema local para dar vazão às águas do Ribeira, com enormes impactos ambientais. Alguns ambientalistas tratam da existência do Valo Grande como “a maior catástrofe ambiental do sul de São Paulo”. Não é para menos; durante milhares de anos o lagamar (Mar Pequeno ou de Dentro) esteve desempenhando o seu papel crucial de berçário para inúmeras espécies marinhas. Após a construção do Valo Grande, gradativamente o ambiente deteriorou.

Por vezes, quando falamos em ‘meio ambiente’ nos esquecemos da principal definição desses termos, acerca de que ‘meio’ seja o expediente de interação entre seres vivos (animados e inanimados) e que ‘ambiente’ refere-se ao conjunto de variáveis naturais que permitem à vida, em todas as suas formas, manifestar-se. Nisso, o meio ambiente inclue o próprio ser humano, apesar de que, por vezes, o Homem é tratado de forma ‘excludente’ ao observar-se a questão ambiental; essa lógica perversa, da qual ‘retira-se’ o ser humano das análises, rejeita instintos mais básicos do ser humano – senão os mais importantes -, o de sobrevivência e de auto-preservação. Em razão disso, a degradação ambiental persiste, mesmo que hajam proteções legais. As políticas públicas de uso do ambiente precisam contemplar o papel que ser humano, nele inserido, irá desempenhar.

Alguns transtornos imediatos e a médio prazo podem ser previstos por RIMAS/EIAS – relatórios esses que estão atualmente em questionamento pelas autoridades ambientais. Porém, a longo prazo, o que percebe-se é a acelerada deterioração da qualidade de vida das pessoas, nitidamente pelo estreito vínculo de dependência (ainda que relutante) que os seres humanos têm sobre as condições ambientais.

(continua)

(1) http://www.daee.sp.gov.br/cgi-bin/Carrega.exe?arq=/acervoepesquisa/relatorios/revista/raee9904/ribeira_do_iguape.htm