Silvia Ramos, Cientista Social, em entrevista especial
DI: Quais seriam os principais elementos a serem considerados na construção de uma agenda alternativa de desenvolvimento?
S.R: No Brasil, 50 mil pessoas são assassinadas por ano – isso já acontece há vários anos. Quase todas as vítimas da violência urbana são jovens negros, jovens pobres, moradores de favelas e de periferias urbanas de cidades brasileiras. Contudo, nós não responderemos a isso se não tivermos um programa, uma agenda de democratização, de modernização das forças de segurança pública, das polícias. Durante muitos anos, ficamos distantes do problemas ligados às seguranças públicas, do “direito à segurança”.As forças de segurança, principalmente as polícias, ainda não passaram por um processo profundo de democratização, de modernização. A sociedade civil brasileira, os movimentos sociais (que são o setor crítico brasileiro) precisam pensar projetos, programas e propostas para operar essa transição democrática. O “direito à segurança” é a área que movimentos sociais e organizações não-governamentais menos se debruçaram nos últimos anos. No final desta década e na próxima década, se não pensarmos um projeto de segurança pública, não vamos superar o problema principal do Brasil, que é a violência, que são os assassinatos, a violência letal; não vamos superar esse problema se não pensarmos na reforma da polícia como sendo uma necessidade nossa, da sociedade, e não só dos Estados.
“Não vamos superar esse problema (da violência) se não pensarmos na reforma da polícia como sendo uma necessidade nossa, da sociedade, e não só dos Estados”
DI: Qual é a relação entre a violência e a questão da desigualdade?
S.R: Violência não está relacionada à pobreza, necessariamente. As áreas mais pobres do Brasil não são as áreas mais violentas. Todas as indicações são de que violência tem a ver com desigualdade. Isso não quer dizer que, reduzidas as desigualdades, automaticamente serão reduzidas as violências. Junto com esse problema da desigualdade se construiu, se proliferou uma cultura da violência. Jovens que resolvem conflitos com arma de fogo se tornaram hoje um padrão de masculinidade no Brasil. Então, é preciso pensar em reduzir a situação de arma de fogo. É preciso pensar em impedir as mortes, impedir o tiroteio. Então, é preciso impedir isso e paulatinamente construir uma cultura de paz. É lógico que não vamos superar a tendência à violência enquanto nós não reduzirmos as desigualdades. Não são as desigualdades em geral. Há muitas formas de violência. Eu me refiro às violências nas quais jovens pobres e moradores de favelas e periferias são não só as principais vítimas mas os principais protagonistas. Nessas dinâmicas de violências, as desigualdades estão muito presentes. Isso porque esses rapazes, esses meninos armados freqüentemente se envolvem numa verdadeira guerra fratricida, um atirando no seu espelho. Na verdade, eles estão respondendo a uma demanda, a um desejo de participação nessa festa que o mundo globalizado apresenta como sendo possível para todos – com as viagens, com a internet, com os tênis, com as bermudas da moda. Muito freqüentemente, há um desejo de consumo cujo padrão foi adotado, foi introjetado a partir dessa idéia de que a globalização é uma festa para todos. E esses meninos, que não foram convidados para essa festa, por isso mesmo, freqüentemente respondem com suas biografias, com suas trajetórias de vida entrando para grupos e para segmentos nos quais a violência é um padrão cultural.
“Todas as indicações são de que violência tem a ver com desigualdade. Isso não quer dizer que, reduzidas as desigualdades, automaticamente serão reduzidas as violências”
DI: Como a questão da violência e das mortes se relaciona com a sigla IGCC – idade, gênero, cor e classe?
S.R.: Exatamente. A violência no Brasil e a própria ação policial também estão marcadas por quatro variáveis: IGCC. Dependendo da taxa de IGCC – sua idade, seu gênero, sua cor e sua classe -, se tem muito mais risco de ser uma vítima da violência urbana, muito mais risco de ser possivelmente um criminoso, muito mais risco de ser parado pela polícia – e assim por diante. E, quando esses fatores de idade, gênero, cor e classe se combinam com território, as suas chances de se envolver nas dinâmicas de violência são enormes hoje no Brasil – isto é, se você é jovem, é do sexo masculino, é negro, é pobre, e se você ainda mora numa favela, numa periferia. Assim, comparativamente com o jovem ou com a criança branca que nasça na mesma cidade, alguns quilômetros dali, num bairro rico, parece que existem padrões de países diferentes. O problema é que a segurança pública é muito territorial. Vai ver quem são as vítimas? Elas morreram onde? Elas morreram sempre em áreas próximas de suas casas. E o assassino, ele é de onde? É também da mesma área! O território é uma variável muito importante não só para explicar a violência, mas para a produção de segurança pública. E o problema é que esse território hoje é a síntese do IGCC. O menino da favela é um menino jovem, negro e pobre.

























Nossa, Dito! Não sabia que vc compactuava com o modelo iraniano! Aliás, se fosse listar aqui os problemas do capitalismo acho que teríamos que construir uns 500 fóruns de discussão! Nem ao mar nem a terra!
Não existe violência generalizada em sociedades desenvolvidas, onde a desigualdade social é mínima (pelo menos quando comparado com os números brasileiros!) Portanto, precisamos concordo quando critica o modelo brasileiro, mas acho que essa discussão tb. passa por redução das desigualdades sim, um dos grandes motores da violência!
ABc
Toninho
cientista silva … suas estrategias e planos para o desenvolvimento social sao importantes e devem ser considerados com cuidado…parabens…mas é preciso amenisar essas situaçoes tratando suas causas principais que se encontram no interior do ser humano….. sendo este um ser tridimencional…ou seja corpo, alma e espirito….. entao isso implica e exigem ferramentas espirituais….e nao materiais,como esta relatado no seu discurso….
portanto.. OS PRINCIPIOS BIBLICOS E A NATUREZA MORAL E IMUTÁVEL DE DEUS ,SAO A GARANTIA PARA SE TER UMA SOCIEDADE ESTÁVEL ,SEGURA E ETICAMENTE RESPONSÁVEL…..
o ser humano precisa do carater que perdeu no ÉDEM….. e isso somente com o CRIADOR dessa criatura,,,,… com essa meta e com esses principios voce e eu ,ou nós viveremos a realidade dos melhores objetivos…..
o ser nasce puro : por que um animal se torna doméstico? e o mesmo animal pode se tornar selvagem! se vc o abondonar se tornara selvagem. então o problema não é de seguraça publica. O sistema ensina o homem a matar e a roubar pela própria sobrevivência. um mata pelo bem(POLICÍA)
o outro mata e rouba por que não conseguiu um lugar na sociedade legal, então luta contra esta sociedade!
Se for investido em formação de trabalho e bem estar com oportunidades a todos! e com direitos e responsabilidade talves consigamos desarmar não só a população mas tambem a polícia. pois não havera bandidos. assim havera remuneração a todos. se o policial não esta satisfeito com o que ganha idem o professor…….o medico…..o juiz…ninguem ganha o suficiente! mesmo assim ha solução acabando com a ganância do homem e dando oportunidade de sobrevivência a todo ser.chocante!
Violência?Quantos tipos de violência existem no planeta terra ou no Brasil?Armas de fogo?Pessoas não são assassinadas por armas de fogo,pessoas são assassinadas por pessoas!O que fazer para desativar a arma mais letal [O SER HUMANO]e destrutiva do planeta terra?Quem é especialista em tal técnica?
Sobre a Violência,
Da. Silvia que me desculpe, mas essa conversa de desarmamento e diminuição das diferenças sociais, como solução para a violência, é irritante. Não é preciso ser muito esperto para saber que o desarmamento só atinge o cidadão pacífico (e otário).
Quanto às diferenças sociais, o regime capitalista já se mostrou mais eficiente que o socialista, portanto, não adianta falar em diminuir as diferenças sociais, que afinal, definem, categoricamente, o regime capitalista.
Por enquanto, só conheço um modo de diminuir o ato ilegal: a repressão. Quando vemos uma placa dizer: “50 km”, tratamos de diminuir a velocidade, para evitar uma multa. Como um delinqüente pode temer a Lei se na Penitenciária ele pode continuar comandando o tráfico, copulando com sua mulher, assistindo televisão, jogando futebol, além de comer de graça? Melhor que isso só dois disso.